sexta-feira, 20 de agosto de 2010

(6) AGOSTO 2010

23:30

FINAL DE UM DIA DE AGOSTO 



Estou sentado à varanda do quarto, numa noite amena.
O vento que soprara “moderado” durante o dia, desapareceu com o Sol fazendo-lhe companhia, escondendo-se ambos para lá da linha do horizonte.
Nas mãos tenho um jornal e um copo de whisky com gelo, como remédio para me esquecer as notícias e permitir uma soneca bem dormida.

Incêndios! 

O aumento no número de mortes na estrada. 
Mais um que desapareceu no mar à beira da praia. 
Outra notícia “quente” - que promete muito gasto de tinta sobre uma assassinada nos arredores  da “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro - veio substituir outra telenovela trágica que envolve um tal de “rei dos gnomos”.
Assaltos, tiros, apreensões de droga, violência doméstica, agressões a polícias enfim… um fartote.
Os crimes de colarinho branco estão em viagem para as "off-shores", ao encontro do Tio Patinhas. 

Entretanto a classe política, nomeadamente os chefões, está maioritariamente de férias nas praias do Algarve. Apenas uns diazitos para disfarçar. Afinal também se misturam com os tugas. Pouco...
Passos Coelho não fala na Revisão da Constituição e "afia" a guilhotina do aumento de impostos preparando-se para faltar que à promessa feita na campanha eleitoral. Lamentavelmente sente-se atormentado pela germânica Angela que o não deixa descansar na sesta diária.
José Sócrates dormita numa espreguiçadeira,num "bateaux-mouche", após o almoço a bordo, com um livro de filosofia no regaço, olhando para as margens do Sena, com saudades... do Tejo. 
Jerónimo de Sousa prepara-se para a próxima "rentrée" certamente numa "dacha" algures a Leste,quiçá ocupando o mesmo quarto do antigo (eterno!) Secretário-Geral do PCP. Entretém-se, a repetir a audição das (eternas)  "cassetes" que jamais se esquece de levar na bagagem.
Chico Louçã, debicando "caviar", enverga elegante polo Ralf Loren, espiando de binóculos as areias algarvias, em busca do "inimigo", a bordo do seu barco, com o pensamento a fugir para a Ana Drago. Dizem que foi  nesta "silly season" que lhe passou pela cabeça abandonar o BE dentro de 2 a 3 anos. Vamos a ver!
Paulinho não está (espanto!) a aproveitar as feiras que se multiplicam neste País, animadas pelo som das concertinas que matam as saudades aos emigrantes em pleno gozo nas suas "vacanças". Vai jogando mentalmente à "Batalha Naval". Os seus submarinos acabam de "ir BEM fundo"... aos nossos bolsos... nada que o preocupe. 

Ou seja, no que toca à política, nada se passa. O regresso à realidade (e que dura ela vai ser…) aguarda a chegada de Setembro.


Atrás de mim avisto, ao longe, as luzes da vila turística mais próxima debruçada sobre o Atlântico.



À minha esquerda estende-se o mar e a escuridão de uma noite ainda sem luar.
O único som, enfraquecido pela distância, é o das ondas fracas de uma maré quase a atingir o máximo da baixa-mar, lá na praia, a pique, a cerca de 70 metros.
É uma sensação de vertigem a que se sente naquela varanda: como que nos transporta num imaginário balão, suspenso sobre o mar.






À minha frente, as luzes da piscina, agora deserta, quebram o negrume da noite combinando o azul escuro e o branco, com o amarelo reflectindo-se nas paredes.



01:15
Novo dia.

Arrumo o jornal.
Pego no copo já vazio, há muito.

Fecho a luz da varanda e entro no quarto.
A cama aguarda-me e eu estou pronto para descansar, desejando que sonhos com cheiro a papel de jornal não venham causar insónias.
Tenho de estar em boa forma porque daqui a meia dúzia de horas o sol reaparecerá e o trabalhar para o bronze dá cá um desgaste…
Ou seja, aqui, como no Algarve, também não se passa nada, a não ser os meus impostos sempre em movimento.

BOA NOITE



(5) - PAULA E TIAGO, PREPAREM-SE

(Manuseando as bolas...)

Depois da “abada” que levei num fim-de-semana para esquecer, resolvi agarrar-me ao “pau” com afinco, coisa que há muito não sucedia, razão que explica o descalabro da minha infeliz actuação.
Assim, tenho vindo a cumprir um rigoroso e intensivo programa de treino que me permita atingir um desempenho à altura dos meus (muito antigos) pergaminhos e reaver o ego ferido logo que tenhamos a oportunidade de novo convívio… para tirar teimas.
Mas não está fácil cá para o meu lado!
A idade pesa e o manuseamento do utensílio em questão torna-se difícil.
A falta de vista já há algum tempo que me cria problemas nas numerosas e ineficazes tentativas para acertar no buraco correcto.
Também perdi alguma consistência nos preliminares para me ajeitar em direcção ao buraco o que implica, com demasiada frequência, que apenas aflore as bordas do referido.
Não tenho conseguido usufruir do prazer autêntico e pleno quando apenas consigo acertar no buraco que está mais à mão, ou seja, mesmo em frente ao pau.
Só empurrar não dá gozo!
cNeves
BOM DIA


(Dando no duro...)