quinta-feira, 3 de maio de 2012

(56) O CHAFARIZ DO LARGO DA ACHADA

AGRADECIDO A "LISBOA QUASE ESQUECIDA"



Lisboa quase esquecida Um amigo de longa data resolveu incluir-me num Grupo de Amigos que no FaceBook abriram uma “janela”, a que deram o nome de “Lisboa Quase Esquecida”. 
Lisboeta, nascido em Alfama, agradeci-lhe a ideia e sobretudo o convite. E estou cada vez mais grato pois as imagens que têm sido publicadas são, na sua grande parte, pedaços da minha memória, fazendo-me recordar a infância e juventude calcorreando as ruas desta linda cidade que também foi meu berço. Aperceber-me da quantidade de pessoas que têm visitado aquela página e ler os comentários que acompanham as fotos tem-me deliciado e obrigou-me a reflectir sobre o que esta cidade foi e o que é. E sobretudo… que nela vivi, desde sempre, já lá vão mais de 70 anos. Aquela onde dei os meus primeiros passos, depois de passear ao colo dos meus familiares. Nunca tive carrinho de bebé e na altura, mais esperto do que sou hoje, atrasei o “andar” já que era menos cansativo beneficiar de boleia. 
Como todos os que se entretêm com esta coisa da Net, tenho recebido ao longo dos últimos anos, várias apresentações em Power Point com fotos de Lisboa antiga, às quais não dei a importância que agora me foi desperta pelos amigos que arrancaram com a “Lisboa Quase Esquecida”. 
É um consolo saber que ainda existem “amigos” cujos comentários confirmam a existência de lisboetas, naturais ou não, que me falam de Lisboa antiga. Que também cá andaram e, mais importante, ainda cá andam(os)! 
Resolvi, a partir de determinada altura dar o meu modesto contributo, vasculhando no meu baú algumas fotos que pareceram poder serem apreciadas. Assim, já enviei umas tantas e fiz alguns comentários - às minhas e principalmente às de outros amigos - que muito me sensibilizou terem sido alvo da leitura e até de alguns… “likes”. 
Ao pesquisar mais umas fotos para a “Lisboa Quase Esquecida” encontrei uma, de um chafariz, que publiquei no FB e que também por aqui, no blogue, ficará. 
Chafarizes existiam em Lisboa. Vários e até numerosos. Alguns, autênticos monumentos localizados em zonas de visibilidade e outros modestos, espalhados por bairros com a mesma condição. 
Um deles, a que me quero referir – o tal que está no retrato – localizava-se no Largo da Achada, a meio da Rua da Achada, no interior do Bairro de S. Cristovão. Já tinha passado pela foto em Outubro de 1999 misturada com outras, de tal modo que então me passou desapercebida. 
A entrada na 3ª idade é ingrata. Falha-nos algumas coisas, o corpo e a memória já não são o que eram. No meu caso, para além dos normais “achaques” de velho, notei que o “passado longínquo” (Alzheimer?) me vem cada vez mais à memória e até me deu para sobre ele (e não só) “escrever” (?) abrindo um Blogue há um par de anos.
Finalmente! O chafariz do Largo da Achada faz-me lembrar o meu avô paterno, moço de fretes, com “escritório” na esquina da Rua dos Bacalhoeiros/Rua da Madalena/Rua do Comércio. É que ele morava numa “Casa da Malta”, num 4º andar de um prédio, exactamente a 20metros daquele Chafariz. Teve como companheiro de “camarata” meu jovem pai, chamado da aldeia Beirã onde nasceu. 
Um dia destes, neste Blogue, irei contar umas coisas que agora me vieram à lembrança sobre moço-de-fretes, Casas da Malta, etc.. Lá está! O meu “síndrome memória-velhice- pós 3ª idade”. 
Boa tarde!