segunda-feira, 26 de setembro de 2011

(53) Os "OUTROS HERÓIS" 10 anos depois


Citando:


11 de Setembro]
Os “Outros” Heróis 10 Anos Depois

Escrito por Carlos Gandra Publicado em 11 de Setembro de 2011

Cerca de 100 incansáveis cães de busca e salvamento deram o seu melhor na tragédia do World Trade Center, dia 11 de Setembro de 2001, onde mais de três mil pessoas perderam a vida.

Hoje, dez anos depois, apenas 12 desses cães ainda estão vivos, vítimas do próprio tempo.

A fotógrafa Charlotte Dumas foi à procura de cada um deles e fotografou-os, nas suas casas onde ainda vivem com os seus treinadores. O resultado foi publicado no livro “Retrieved“, em comemoração do décimo aniversário do ataque às torres gémeas.

“Senti que isto [10º aniversário da tragédia] era um ponto de viragem, especialmente para os cães, que apesar de não serem esquecidos, as suas histórias não foram tão proeminentes como as histórias das pessoas envolvidas” Charlotte Dumas


Com a correspondente vénia, a minha homenagem em forma de vídeo.

cNeves



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

(52) – 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS – PARTE IV

O SEGUNDO "FURO"


Em Soroa, detivemo-nos mais de uma hora, depois de deixar o pneu a reparar na oficina, à distância de uma légua.

Desfrutámos a paisagem luxuriante daquela bela região. Embrenhámo-nos naquela exuberante e diversificada vegetação, passeando por veredas entre regos de água cristalina, descansámos junto à célebre cascata, etc..




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Enfim... tudo o que poderá ser visto (recomendo!) em fotos ou vídeos nos inúmeros sites na Internet - bendita e maravilhosa invenção – que nos possibilita não perder tempo ocupando a memória dos cartões das máquinas fotográficas com fotos mais ou menos desfocadas e desenquadradas.

Ou ainda em vídeos cheios de ruído ambiente,- que estragam o dito…, muitas imagens dos pés em andamento - por esquecimento do botão de “record” em “ON” –, vertiginosos relances resultantes da rapidez na movimentação errático/frenética da câmara em travelling ou planos mais ou menos horizontais, “zooms” aplicados a esmo, etc., etc..

O resultado final visionamo-lo (penoso sacrifício), quando os nossos amigos viajados não perdem a oportunidade de nos mostrar – umas fotos e vídeos que “tirámos”… – logo que nos apanham em visita a suas casas, por acaso e triste azar, em cima da chegada da “última” ida ao estrangeiro… ou cá dentro.

É possível melhorar a obra-prima, ligando o PC e “sacando” na InterNet, umas fotos “bué” com as quais podemos embelezar os nossos álbuns.

Ou ainda, aproveitando a evolução tecnológico/informática, enfiar tudo num disco externo de “media” e massacrar os visitantes embasbacados, recitando os elogios do costume face às imagens e sons saltando do “LCD” ou do “Plasma” na sala.

Convém acrescentar ao material recolhido na Net, uma meia dúzia fotos ou pequenos vídeos particulares com o “pessoal”, em pose, frente às maravilhas dos vários “sítios”por onde andámos, para confirmar termos ido ao “estrangeiro”.

Para que o “dono” da máquina também prove que esteve presente, é prática corrente solicitar a um “passante” o favor de carregar no botãozinho de “disparar”. O que se há-de fazer? - aquela coisa do temporizador continua a ser “muito complicado”...
Convém que o convite seja feito preferencialmente a alguém que também tenha pendurada ao pescoço uma maquineta. Talvez não nos corte a cabeça ou as pernas.
Mas… maravilha! Sempre podemos, in loco, verificar no visor LCD a eventual falta de habilidade do desconhecido. Se estiver muita claridade, haverá algum problema em conseguir visionar o trabalho. Não se pode ter tudo.

Como última recomendação, sugiro alguma cautela na escolha do “putativo” fotógrafo.

Convêm precavermo-nos contra aqueles que se apaixonam perdidamente por máquinas e que, por amor, possam desaparecer, correndo, com a nossa debaixo do braço. Com alguma sorte, à noite, num qualquer local de diversão, poderemos ser surpreendidos com a proposta de compra, a preço de saldo, de um máquina que parece mesmo igualzinha àquela que nos roubaram ainda há pouco… Coincidências…?

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Terminado o “desvio”, voltemos a Soroa.

Antes de partir, descansámos um pouco num restaurante/bar/discoteca quase ao ar-livre, apenas coberto por um enorme telheiro de colmo.

Num espaço bem arejado, envolto no perfume inebriante da flora que o rodeia (que imagem poética…), um conjunto musical estava ensaiando o seu “Play-list”. Os clientes, acompanhando corporalmente o ritmo cubano contagiante, não chegavam a meia-dúzia, e o relógio batia o meio-dia.

O ambiente e uma cerveja fresca, bebida com prazer, ao balcão, convidavam-me a ficar por ali eternamente.


O único entrave, que teimava em tentar dar cabo do momento, era a lembrança do Subaru, sem pneu sobressalente e a sempre provável expectativa de vir a ficar pendurado, com novo “furo”, antes de recuperar aquele que ficara a reparar. Situação que o “Paco” teimosamente não aceitava como previsível.

E assim, bebida a “bejeca”, dei ordem de marcha para retorno ao “taller”.

Na oficina paguei, puxando pelos dólares USA, e depois do pneu reparado ter sido colocado na bagageira, partimos ao encontro do almoço.

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Bem…! Talvez venha a ser tema de umas futuras crónicas sobre a viagem a Cuba a publicar aqui no meu Blog - se a paciência me permitir – , as voltas e reviravoltas que demos à procura de um cozinheiro, que o “Paco” nos apresentou, depois de, por mero acaso, o termos localizado numa estrada de terceira, que dava acesso à casa onde o “cheff” vivia.


A casa em questão é uma barraca de madeira nos arredores de Viñares, num bairro tipo Musgueira nos seus tempos “áureos”, e onde supostamente iríamos deliciar-nos - e Paco nunca me deu razões para não acreditar nele - com um almoço de marisco. Que se gorou! Tudo aquilo e ainda o almoço espectacular em Viñares, numa espécie de restaurante/pousada, exclusivo para membros do governo e turistas, com os eternos músicos a tocar para nós.

Talvez me decida a pôr por escrito mais estas minhas aventuras em terras de Fidel.

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À saída de Vinãres, o Paco lançou novo repto: o de seguirmos mais para Oeste em direcção a… não me lembro que terra…, nem as maravilhas que nos esperavam lá…, também não me recordo onde… porque, subitamente o seu discurso de guia turístico foi interrompido… pelo estampido do rebentamento de um pneu!!!
-
Uau!!!!!!
- Habemos novo “pinchazo”!!!
Agora sim! Acabara!

Nem quis saber de recorrer a outro taller para mandar remendar o furo. Porque, até para um leigo como eu a diagnosticar furos daquele tipo, era notório que o pneu tinha dado o seu último estoiro, pois, em vez de um daqueles furos a que estamos habituados, apresentava um extenso rasgão. Remendo? Nem pensar…
Não seria nem aquele, nem qualquer outro “Paco”, que me demoveria de fazer inversão de marcha retornando de imediato a Havana, cuja distância, a mais de 200 kms., me parecia mais longínqua, complicada e quiçá impossível de cobrir, que uma ida e volta a Júpiter.

Finalmente o “Paco” não tinha argumentos. Mais! Até concordou suprimirmos a ida no dia seguinte de manhã, à casa-museu do Ernest Hemingway.

- Por supuesto que tienes razón! condescendeu o Paco Vamos-nos y rápido para Havana.
- Rápido??? -
Retorqui - Vamo-nos é devagarito e rezando!

Estranhamente, a minha Nela mantinha o ar de quem desfrutava de uma viagem em Jet Lear, qual CR7 repimpado em jacto de luxo, apreciando as cadeiras estofadas a pele!

Aliás, o bom humor e o modo meio acriançado como ela sempre encarou todas as contrariedades, foi determinante para que o ambiente nunca se tivesse deteriorado e a minha tensão se mantivesse em níveis saudáveis, acabando até por conseguir que eu, nós (!!!) tirássemos o melhor partido de todas as situações por mais estranhas que fossem.

Desmontado, o finado pneu foi, atirado por mim, para o porta-bagagens, com a correspondente jante. Eu estava prestes a alcançar a perfeição naquele movimento de arremesso.


Alegremo-nos!

A partir daquele momento já estávamos livres, de novas substituições de pneus.
E arrancámos, desta vez em situação tão limite que nos deu para gozar com o que nos tinha sucedido.

Seguíamos rumo a Havana, cantando a Guantanamera mas… “baixinho”…, para não perdermos o já nosso conhecido som de “pinhazo” que, desta vez, já encarávamos como certo, mais quilómetro… menos quilómetro...
O destino estava traçado.

Não há duas (dois!) sem três!

A 5ª parte e certamente a última, desta saga “pneumática”, segue dentro de… uns dias. Estou a aguardar inspiração.
Será a vez do 3º e último furo.

E da estranha reunião final com a agência de aluguer...

... e do táxi que, afinal não era…






(08/2011)

terça-feira, 19 de julho de 2011

(51) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I I I

O PRIMEIRO PNEU A FURAR




AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)





Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade"




Ainda não eram 9 horas já me encontrava ao volante do pequeno Subaru pronto a iniciar uma viagem que ficaria para sempre na minha memória.
A partida foi junto ao Hotel Ambos Mundos, Havana Velha.
Ao meu lado, a Nela. O nosso guia encaixou-se na traseira (era quase da minha altura, teria um metro e oitenta), sentado na ponta do banco, braços apoiados nas costas dos bancos da frente, espreitando entre as nossas cabeças.






Já no autocarro durante o percurso do Aeroporto para o nosso Hotel, eu tivera a oportunidade de reparar no mau estado do pavimento das estradas e das ruas da Capital Cubana.



Agora, ao volante, obrigado a uma permanente gincana, tomava contacto directo com a realidade de um péssimo piso. Lá fui tentado ingloriamente, na maior parte das vezes, evitar autênticas crateras semeadas ao longo do percurso.
Saindo da cidade, entrei na “auto-estrada” (?).
Para quem conduz nas estradas Portuguesas é suposto já não ser surpreendido com o que lhe possa aparecer pela frente. Porém, transitar numa auto-estrada cubana foi para mim uma experiência única e de perfeito delírio.



Ciclistas circulavam alegremente em contra mão.



Automóveis invertiam a marcha aproveitando as inúmeras “entradas” onde as pedras tinham desaparecido do separador central, tipo passeio.



Debaixo de viadutos, magotes de pessoas protegiam-se do sol, aguardando a paragem de um veículo que lhes desse uma boleia. Vi duas ou três camionetas de caixa aberta estacionar em várias daquelas “paragens”. Dali seguiam viagem com carga e uma lotação esgotada de passageiros que, em equilíbrio instável, lá se agarravam uns aos outros, ocupando todos os centímetros disponíveis.
Já dentro da cidade eu presenciara cenas idênticas.





Era (é!!!) assim que a população beneficia do apoio social sob a forma do transporte gratuito, uma das bandeiras do governo. A idade, o estado de conservação da maioria daqueles veículos de carga, e ainda o as esburacadas ruas e estradas, não permitiam velocidades acima de uns “saltitantes” 50 kms/ hora o que talvez explique não ter encontrado um ou mais corpos espalmados no solo.
Retornando à estrada.
Passara pouco mais de uma hora desde que partira de Havana, quando o volante decidiu guinar para a direita, ao mesmo tempo que detectámos um barulho de ligeira derrapagem.
- Pneu furado - dissemos a uma voz.
O nosso amigo chamou-lhe “pinchazo”! Mas furo é furo, em qualquer idioma. Claro que me lembrei logo do que ouvira sobre o “racionamento de pneus”, aquando do aluguer da viatura. Não gostei!
Mas estamos de férias! Em Cuba! Vamos numa de desportiva! Saímos do carro e sem surpresa lá vimos o pneu vazio e espalmado.



O “Paco”, nome fictício, apressou-se a proceder às manobras usuais para a troca de pneu. Foi rápido e eficiente: ganhou um dólar, pequena fortuna num País onde um cirurgião ganhava 28 dolares… mês!!!
Antes de arrancar (o carrito “pegou” sempre à primeira) ficou logo combinado que a primeira e próxima paragem seria para mandar remendar o furo. Avisei que, se não fosse possível fazê-lo nos próximos 10 kms.,voltaríamos de imediato para trás, em direcção a Havana.
- Que “no”!!! “Hay un taller” já ali à esquina… - descansou-me…pouco…, o “Paco”.
E mandou-me seguir em frente.



Após meia dúzia de quilómetros saíamos da auto-estrada para uma estreita via de alcatrão e passámos por debaixo da auto-estrada. A paisagem tornou-se bastante árida e a estrada virou terra batida.
Felizmente durou pouco a poeirada.
Virei à esquerda, cumprindo com as indicações do guia e fiquei de boca aberta.






“Então é assim”!!! À sombra de um telheiro de um imóvel térreo, vários sujeitos tratavam de umas bicicletas enquanto outros permaneciam sentados. Eu já tinha visto cenário semelhante em “road movies” com aqueles postos perdidos numa qualquer estrada do interior, à entrada de um deserto tipo Vale da Morte.
Apenas a música, sempre presente em Cuba, quebrava o silêncio no local. Dava para desconfiar. De certeza que o “homem do taller” não estava presente.



Bruxo!!! Aí, mais uma vez, o “Paco” se disponibilizou para resolver o problema. Eu entretanto saíra do carro.
Antes de estacionar reparara que, debaixo de uma árvore existente perto da “oficina”, aí a uns 20 metros, estava parado um Oldsmobile amarelo. Dois tipos permaneciam debruçados sob o “capot” levantado. Um deles exibia uma indumentária coberta de óleo.
Consegui, sem incomodar os presentes, meter a cabeça naquele espaço imenso que aloja um motor de carro americano… do antigamente. Cabia lá o meu Twingo…
E foi então que tive mais uma surpresa naquele dia. O motor (?) era assim do tamanho de um aspirador doméstico.
- Buenas… - avancei - Pero que motor más chiquitito… será que es cumpridor??? (Aqui lembrei-me da anedota já com barbas).
Após breve conversa fiquei a saber que os motores originais, a gasolina, gastando mais de 20 litros aos “cem”, tinham sido substituídos por pequenos motores a gasóleo. Deu para entender porque razão eu tinha dado um “bailarico” às banheiras que ultrapassara na auto-estrada. Aqueles “pesos-pesados”, com pintura retocada à trincha e cheios de cromados “picados”, espelhos, antenas, galhardetes no interior e tampões com “aplicações” nas jantes, não passavam dos sessenta… nem a descer.
Voltando ao furo...



Não me deu uma coisinha má, apenas por acaso, quando o “Paco” chega junto a mim, ainda com o pneu furado na mão e me diz que não há hipótese de ser arranjado na hora e que o melhor (que remédio!) … - é deixá-lo e vir recolhê-lo mais tarde.
- E para passar o tempo … - acrescentou - devíamos aproveitar, e dar uma saltada a Soroa. Fica a pouco mais de 5 kms - afirma ele pertencendo descansar-me.
- De certeza que seria muito azar se sucedesse qualquer percalço - (tradução livre) – acrescentou.



Em tempo: Soroa não constava do plano de viagem como a primeira paragem da volta turística, mas sim Piñar del Rio, cidade localizada a Oeste de Havana. Conhecida por possuir a maior plantação de tabaco da Ilha, é ainda uma estância turística que possui um belo Hotel com piscina a condizer.
Por motivos óbvios todo o itinerário teve de ser alterado. Acabámos por almoçar em Viñares .Um dia contarei a aventura que foi a minha estadia aquela última cidade, do cozinheiro que conheci na “musgueira lá do sítio”, do almoço na pousada, do táxi clandestino, da “rica” cubana que no seu domicílio nos vendeu charutos depois de termos “fintado” a polícia , enfim… recordações inesquecíveis. Arrepiantes para alguns.



E o ”Paco” continuava entusiasmadíssimo (?!).
- Damos una vuelta para ustedes verem as paisajes, e volveremos para levantar o “neumático” !
Eu ia passando-me dos carretos:
- Mas… como!? “Paco!!! – atirei eu quase aos berros - Queres convencer-me a sair daqui, sem “neumático” sobressalente, sujeito a novo pinchazo? Numa tierra com problemas para se encontrar neumáticos!? És “loco”? Yo, no lo soy!!!
- Por Dios – interrompeu o cubano - que mala suerte!!! Vamo-nos… sin miedos...

C´os diabos… com tamanha devoção e fé em Dios, eu, sem o apoio de minha mulher que ria da atitude desenrascada do puto cubano, atirei com os medos para trás das costas e depois do pneu depositado à porta do “taller” fizemo-nos à estrada!
Que se lixe!



Não era aventura que eu queria?
Qual inconsciência…?!



Prá frente é que é o caminho!





Próxima etapa: o 2º furo

NOTA: Esta série de relatos, de "cariz rodoviário," tem apenas como tema as peripécias ligadas aos furos dos pneus. Outras situações, que talvez eu não tenha coragem para repetir, serão objecto de futuros “capítulos” que penso publicar aqui neste meu blog.








CUBA HOTEL AMBOS MUNDOS http://www.youtube.com/watch?v=jEpSTG6wKYA
CUBA LA BODEGITA DEL MEDIO http://www.youtube.com/watch?v=IQyNl5zqA1E
CUBA TRANSPORTES GRATUITOS http://www.youtube.com/watch?v=m_-ASeAYNWI
CUBA 1ª MUDANÇA DE PNEU http://www.youtube.com/watch?v=t33HT4QFjqc
CUBA ESTAÇÃO DE SERVIÇO http://www.youtube.com/watch?v=C2U0asRD9dU

domingo, 10 de julho de 2011

(50) ADEUS! ATÉ BREVE! MEMÓRIA A UM AMIGO

Há cerca de ano, correu a notícia do seu falecimento.



Após vários contactos soube que afinal não passara de um boato. Provável confusão entre nomes.
Anteontem atendi um telefonema de um comum amigo. Desta vez a notícia era verdadeira. Ele falecera. Vítima de cancro.
Se fosse um “famoso”, “vip” ou figura pública digna de parangonas, dir-se-ia que falecera de doença prolongada. Lamentavelmente não sei se foi muito ou pouco prolongada. Só me disseram que ele morrera.




Eu estava a trezentos quilómetros de Lisboa, com o regresso marcado para a manhã em que se iria efectuar o seu funeral. Compromissos não permitiriam estar presente na cerimónia.




Trabalhámos, em dois balcões do Banco. No Cais do Sodré e na Av. Columbano Bordalo Pinheiro. Ele como promotor comercial fez parte do quadro de pessoal daquelas duas Dependências bancárias onde “estive” Gerente.




Em linha recta, as nossas moradas distariam pouco mais de quinhentos metros.
Inúmeras vezes fizemos juntos o percurso casa/trabalho e vice-versa de carro ou de comboio. Confraternizámos em inúmeras reuniões familiares.
Morando perto do Casino Estoril, algumas vezes tentámos a sorte nas “slots”. Partilhámos segredos e paródias em saídas nocturnas, quer sós, quer com outros amigos.




Acompanhei o percurso escolar e académico de sua filha, estudiosa e inteligente que, rapidamente e sem uma perda alcançou a meta que sempre ambicionara: ser Juíza.




Fomos igualmente confidentes de toda a sorte de questões particulares. Estive presente enquanto aguardou, já com idade madura, preocupada e ansiosamente o nascimento do seu segundo filho: o Francisco.




Estupidamente e sem que possa, neste momento, lembrar e portanto entender da razão e do porquê, as nossas vidas desencontraram-se. Abruptamente as nossas relações terminaram. O diálogo que tanto prezámos transformou-se subitamente num silêncio incompreensível e inexplicável.




Irracionalmente deitámos para o lixo anos e anos de amizade que se poderia classificar como a de irmão para outro irmão.




Partiste sem que eu te tenha prestado a singela homenagem de estar presente na tua partida.




Aguarda, Fernando Santos, um dia destes estarei contigo e então abraçar-te-ei de novo. Iremos recordar a nossa amizade e esqueceremos todo o tempo em que egoisticamente nos ignorámos.



(Algarve - Rally Paper BIBIO's)





CÂNDIDO NEVES

terça-feira, 5 de julho de 2011

(49) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I I



PARTE I I
ALUGANDO A “VIATURA”

OS PNEUS NÃO SÃO ABRANGIDOS PELO SEGURO DE ALUGUER DE VIATURAS
AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)

Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade" .



Voltemos ao Hotel, para negociar o aluguer da viatura.


No hall, à direita, depois de franqueada a porta de entrada, detectei uma secretária meio escondida por um biombo de vidro opaco carregado de folhetos turisticos.


Sentei-me com o "meu" cubano. Aguardámos um pouco.


Fomos atendidos, pouco tempo depois, por um sujeito com bom aspecto. Estatura média, pela sua tez escura e formato de rosto pareceu-me ser de origem indiana. Vestia camisa branca, gravata, colete, calça e sapatos pretos.
Cumprimentou-me não dando pela presença do “guia”. Já tinha reparado, no Hotel onde estava alojado e sempre que entrava com o "guia" nalgum estabelecimento que ele não era bem aceite. Falavam-lhe "por cima da burra" olhando para mim e para a Manuela. Ainda me lembro do "caso" da farmácia para turistas. Talvez um dia conte...



Obriguei-o a prestar atenção ao meu “cubano” dando a entender que era com ele que teria de fazer as despesas da conversa. As outras despesas seriam comigo!
O funcionário, deve ter concluído que eu não entendia o espanhol da ilha, e preferindo ignorar a minha vontade, dirigiu-se-me num Inglês/castelhano/caribeño. Respondi-lhe no meu melhor Inglês (tenho uma certa vaidade na minha pronuncia) e devolvi a palavra ao meu “amigo”. Finalmente o senhor importante viu-se obrigado a dialogar com o guia promovido a meu “secretário”. Eu fiquei calma e atentamente à escuta.
Depois de demorado diálogo e após o meu consentimento, ficou estabelecido o preço do aluguer por um dia (não o de 24 horas…) com a tal manhã seguinte “à borla”, vitória alcançada pelo meu “assessor” que assim concretizava a sua promessa de me poupar umas massas.
Porém, antes de assinar o contrato vi-me obrigado a interpelar o “vendedor” acerca de algo que me parecera ouvir e que não me soara lá muito bem, Qualquer coisa acerca de uma alínea “especial” inserida nas condições gerais da apólice de seguro e que impedia à cobertura total da viatura.

E eu entendera bem, pois confirmou que o seguro do veículo não abrangia os pneus!!! Surpresa, pois para mim os pneus faziam parte integrante do veículo.
Mas não! Aliás até se apressou a aconselhar que eu recolhesse o carro numa garagem para “pernoitar”, pois deixá-lo ao relento seria habilitar-me a vê-lo na manhã seguinte em cima de cepos ou nem isso... Ladrões?
Achei estranho.
Nos dois dias que levava em Havana “La Vieja”nunca me sentira inseguro. Pelo contrário era palpável a sensação de segurança. Aliás, cada esquina… um polícia. Normalmente em conversa com umas señoritas em poses bem “explicitas”, de todos os géneros e feitios sem faltarem as incontornáveis gorditas com apertadíssimos calções de Lycra vermelha ou amarela e decotes mais que generosos.
O semblante dos agentes da autoridade em permanente diálogo com as señoritas variava entre o carrancudo mais ou menos agressivo e a sonora gargalhada.




(esta señorita" espreitava os movimentos de turistas na porta da Bodegita)

Voltando aos pneus. A explicação era simples! Na Ilha não existiam pneus de reserva! Os “neumáticos” importados são prioritariamente destinados aos carros do Governo, aos do Exército e para as delegações de Estados estrangeiros. ~


Naquela altura eu devia ter desconfiado. Mas o senhor do aluguer apressou-se a dizer que o carro que eu levaria no dia seguinte logo pela manhã estava (tinha sido) calçado há pouco, até tinha pneu sobressalente e eram todos eles praticamente novos.

Bem! O melhor é não pensar mais. Vamos lá pagar a conta!
Não aceitavam cartões que tivessem em destaque a palavra América, como os da American Express ou do Banco da América. Estranhamente, aceitavam em todo o lado notas de dólar que constatei ser a “moeda corrente” em toda a Ilha. Não vi uma única moeda cubana.
Entreguei o VISA que, esfregado manualmente na máquina, lá foi debitado pelo valor do aluguer e do seguro.

Para terminar e para podermos confirmar o “bom” estado dos pneus levou-nos até junto da viatura estacionada numa viela frente ao Hotel.

Era um pequeno SUBARU VIVIO Gli vermelho.


(Anomalias? Ah!!!)

Fiquei "um pouco" surpreso. Verdade que eu avisara o meu amigo que não estava muito (nada!) disposto a gastar uma fortuna com o aluguer. Nada de carros de gama alta! Alto sou eu!!!


Claro que, quando paguei e ouvi que ia alugar um Subaru fiquei surpreendido pela conta cujo valor achei razoável, dentro das expectativas e sem abalo para o meu orçamento. Claro que não estava à espera de um Impreza. Eu nem sabia da existência do modelo VIVIO... Mas... "aquilo"? Na traseira, um buraco no local onde estivera em tempos longínquos a fechadura da porta da bagageira. A pintura já vira melhores dias. Um ou outro buraco, poiso inicial de acessórios entretanto “desaparecidos” e umas pequenas manchas, que denunciavam que a ferrugem iniciara há muito a sua corrosiva missão, completavam a decoração. Que saudade do meu Twingo com tejadilho de abrir…


Bem... mas já era tarde e eu não tinha disposição para ir aturar o sujeito de fato preto. Não era aventura que nós queríamos?

"Conferi" os pneus. O rasto e as paredes laterais, aparentavam bom estado - incluindo o sobressalente – de acordo com o que nos tinha sido dito pelo funcionário da Agência do qual entretanto nos despedimos.


Eu segui a pé até ao Hotel Plaza, ao encontro de minha mulher.


(Hotel Plaza)


O nosso esperto guia foi para sua casa, com a promessa de nos encontrarmos na manhã seguinte, de novo junto ao Hotel Ambos Mundos, para tomarmos posse do meio de transporte e iniciarmos uma tranquila passeata pelos arredores da bela Havana!

Quando eu e minha mulher tivemos a ideia de ir a Cuba (já todo o mundo lá foi, porque não nós também?) prometemos que iríamos à aventura.
Apenas marcámos os Hotéis (alojamento e pequeno almoço) e tentaríamos meter o nariz onde o turista “vulgar” não fareja. Conseguimos. Nem nos passou pela cabeça as notícias frequentes sobre turistas assaltados, roubados ou alvo de outras situações bem graves algumas com resultados fatídicos.

Queríamos gozar a estadia o mais possível e fugir à rotina das viagens programadas. Estávamos bem dispostos, com saúde, vontade de viver e casados (de papel passado!) há oito dias.
Que se lixe!!! Morra quem se negue!


A seguir:
PARTE I I I
– O Primeiro furo (a 150Kms de Havana, perto de Soroa)


segunda-feira, 4 de julho de 2011

(48) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I

AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)

PARTE I
A ideia: alugar uma viatura


Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade" .



O nosso “guia privado” era jovem. Casado, com uma filha, fora figurante num filme cubano, frequentava um curso de psicologia, não tinha carta de condução e era guia “free-lancer” para ganhar uns dólarzitos. Tipo “Geração à Rasca”, mas daquela procura trabalho esgravatando e correndo alguns riscos, conforme me apercebi à medida que o fui conhecendo. Um dia talvez conte como o conhecemos. Foi uma lição de vida .

Eu acabara de lhe transmitir o propósito de alugar um dos “chassos” norte americanos, com motorista, para uma viagem pelos arredores da Cidade. Ou seja, uma das inúmeras “banheiras”que se vêm pela ilha (exceptuando na zona de Varadero!!!) e que se deslocam à velocidade de um caracol.


Aproveitaria para visitar, a 12 Kms. de Havana na vila de São Francisco, a “casa do Ernest Hemingway” transformada em Museu Estatal assim a modos como o turista que passando por Roma quer (tem de !!!) ver o Papa.


(Pormenor da casa de Hemingway)


Em resposta à pergunta, informei que sim. Possuíamos carta para conduzir (achou estranho minha mulher ser “encartada”). Imediatamente me propôs que eu alugasse uma viatura sem condutor.
Para o “nosso” simpático cubano, era muito mais interessante irmos os três com ele a traçar a rota.
Nada de estranhos. Segundo ele, poupar-se-ia o custo da refeição do motorista.
Assegurou que a despesa total andaria “ela por ela” acrescendo ainda a vantagem, não passível de contabilizar - sempre em dólares USA… - de ficarmos livres para andarmos por onde nos desse “en las ganas”.
Sendo de opinião que o melhor período para visitar o “Museu” seria da parte da manhã, prometeu encarregar-se de dar “a volta” à empresa de aluguer, para que ficássemos com a viatura até final da manhã do dia seguinte ao do aluguer, sem qualquer ónus pela extensão do contrato.
E lá nos guiou até ao “Hotel Ambos Mundos” em cujo átrio estava instalada uma empresa de aluguer de automóveis.



(Hotel Ambos Mundos)



O Hotel em questão (o favorito do “Ernest”) situa-se na famosa “Calle Obispo” onde se encontra a célebre “La Bodegita del Medio”,




(La Bodegita Del Medio)


(La Bodegita Del Medio - frequentadores animados cantando)


uma das tascas mais conhecidas em todo o mundo na qual, claro, o omnipresente “Ernest” (que parece rivalizar com o “Che”) virou inumeráveis copos de “mojito”. Testemunham o facto, várias fotos espalhadas pelas paredes daquele estabelecimento, onde é impossível encontrar uma nesga de espaço disponível, já que todas elas se acham saturadas de muitos milhares de autógrafos inscritos a lápis, caneta, à navalha. É só ver o aspecto já aqui em baixo.


A seguir:
PARTE I I - O ALUGUER DA VIATURA
(OS PNEUS NÃO SÃO ABRANGIDOS PELO SEGURO DE ALUGUER DE VIATURAS...)




MEUS VIDEOS NO YOUTUBE:
Hotel Ambos Mundos - terraço) http://youtube.com/watch?v=jEpSTG6wHYA


(La Bodegita Del Medio) http://www.youtube.com/watch?v=IQyNI5zqA1E






sexta-feira, 10 de junho de 2011

(47) DESPORTO AO AR LIVRE

Iniciei o meu dia com uma corrida à torreira do Sol. Só parei à porta do campo de Golfe da Aroeira (pronuncia-se GÓL…FE!) debaixo da refrescante sombra de frondosa árvore. Este primeiro exercício diário foi extenuante. Fiquei vermelho como um tomate e ainda que ligeira, uma transpiração humedecia a minha testa resultado da contínua exposição ao Sol durante mais de vinte quilómetros.Sou um amante da natureza. Gosto de sentir o ar e o Sol desde que não estejam mais de 24 graus centígrados. Adoro o ar livre e portanto fizera o percurso… conduzindo com o tejadilho completamente aberto! Nunca o fecho seja Verão ou Inverno, a não ser que chova. Luxos de Twingo! Outra paixão que toda a vida me tem aquecido o corpo e o espírito, é o desporto ao ar livre.

E assim não podia terminar o dia sem cumprir com o meu espartano regime praticando a democrática e socialmente abrangente “SUECA”, que na estação estival vê substancialmente aumentado o número de praticantes, estimado em muitos milhares, sentados em mesas espalhadas por miradouros, praças, jardins, tascas de porta aberta para a rua, etc. ... Durante cerca de duas horas foram centenas de movimentos com os braços, com as mãos, os dedos, deslocações ritmadas do tronco para a frente e para trás, mas sempre corretamente sentado, região lombar bem apoiada, os joelhos 2 centímetros mais altos que o quadril - o que não foi fácil pois não tinha qualquer apoio para os pés.

Mas o desporto exige sacrifício para se alcançar os benefícios no físico que o mesmo proporciona.

No entanto… acho que para a próxima exigirei um banquinho!


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico
Segue o vídeo correspondente, com som:

(46) CALDEIRADA NA AROEIRA

Este post foi publicado, com o número 4, no blog de


no passado dia 4 de Junho com o título


"UMA CALDEIRADA CELESTIAL EM AMBIENTE PARADISIACO"


Algures na bela e reservada Aroeira, no meio de uma vegetação luxuriante, “Os Garfo de Ouro” foram recebidos de forma soberba pelo "garfo" Jack Rebelo, que abriu de par em par a porta de sua casa acolhendo uma dúzia de amigos.
Sob um chapéu que nos cobria do Sol, foram-nos servidos aperitivos diversos, de onde sobressaía uma excepcional massa de atum com alho, cebola, tabasco, maionese e eu sei lá que mais - especialidade do Jack - tudo acompanhado por um excelente vinho branco, fresco, à temperatura ideal para combater o calor que se fazia sentir.

Todos olhavam para a piscina mas nenhum se atreveu a mostrar a brancura das carnes, que a época de praia e o trabalho pró bronze só agora se inicia a sério.
O Carlos Antunes cirandava ente o local dos aperitivos e a cozinha de apoio, em atenta e cuidadosa observação da “caldeirada”, o prato de substância, por cuja confecção se constituíra responsável.

Na hora do almoço surgiu um enorme tacho escondendo uma caldeirada superiormente confeccionada pelo "garfo" Carlos Antunes. No final, aquele insuspeito cozinheiro foi amplamente saudado, comprovados que foram os seus dotes culinários que o revelaram como autêntico “chef gourmet”: o guia Michelin anda distraído…

Como sobremesa degustámos queijos variados, fruta, doces, gelado e para finalizar em beleza a 1ª parte do capítulo gastronómico, café e um (vários!) “Irish”!
Durante e após os digestivos a conversa manteve-se animada até ao inicio da jornada cultural, que se desenrolou em duas mesas posicionadas no largo relvado, refrescado pela sombra das frondosas árvores.

Foi então a altura de se discutir assuntos tão importantes como a “incrível” passagem do “ÁS” que consegue safar-se, incólume em segunda “puxada”, do azar da “manilha” seca, da falta de “trunfos” na mão, da vigilância sobre eventual e inocente “renúncia”, da capacidade de memorizar as “cartas” jogadas. Ou ainda da recontagem no final de cada jogo não vá o “adversário” ter errado a somar os “tentos” revertendo o valor excedentário sem querer… a seu favor, das dúvidas sobre se começar a ”dar” por baixo obriga a distribuir as cartas pela esquerda etc., etc.. As “nuances” são imensas e a sessão de “carteado” terminou perto das 19 horas.




Já com o cérebro esvaído e o estômago pronto para a “sossega”, eis que o Carlos Antunes ultrapassando tudo o que de bom já provara com a deliciosa caldeira, nos presenteou com o caldo da mesma, numa “massada” de comer e chorar por mais. Um autêntico e profundo “orgasmo”! E sabemos bem quão distanciados os circunstantes têm andado de sublimes prazeres pois cada vez… se come pior. Mais palmas para o “chef” que só não foi atirado ao ar, qual Mourinho das caldeiradas, por motivos óbvios. Estávamos todos com peso a mais… e força a menos. E peixe não puxa carroça!

Já se aproximavam as 21 horas quando nos despedimos dos nossos anfitriões que tão bem nos acolheram naquele magnífico e luxuriante espaço onde permanecemos umas horas como se fossemos ou únicos habitantes à face da terra. Nós, e a gata...




...pretinha...,




o galgo...




... Speedy,...



...uma outra gatinha e os sons da passarada que por cima das nossas cabeças, voava de árvore em árvore.
Por alguns momentos estivemos próximos do paraíso.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

(45) O CULPADO FOI O DR. MIGUEL CADILHE

No tempo em que o Dr. Miguel Cadilhe era Presidente da Administração do Banco Borges & Irmão, foi oferecida aos trabalhadores a possibilidade de adquirir material informático para uso pessoal, até ao limite de cinquenta mil escudos montante que seria disponibilizado a fundo perdido com a simples apresentação de fatura/recibo referente à aquisição do material em questão.
Tinha começado, havia pouco, a era da informática (a sério) nos balcões da Banca.
Eu possuía na altura um ZP Spectrum 4, …


(O meu primeiro “computador”…)



…no qual ia fazendo umas animações muito “naif”, com formas geométricas e textos que gravava como “separadores” e “genéricos” para os meus filmes caseiros registados em cassetes Betamax, …






(Minha primeira câmara de vídeo SONY TRINICON P 3.000 – 1979)




…prestes a serem “expulsas” do mercado ultrapassadas pela visão comercial da experiente JVC com suas cassetes vídeo VHS.
Assim, aos meus 54 anos, passei a ser escravo do “bichinho” do teclado e do monitor do computador, o qual tenho mantido e “engordado”até aos dias de hoje.
Logo que soube da possibilidade de possuir um computador a sério com uma ajuda financeira a custo zero, não hesitei.
Na altura ser-me-ia fácil obter de um comerciante amigo uma fatura “comprovando” a compra de material informático ainda que, na realidade levasse para casa… sei lá… um vídeo-gravador, uma câmara de vídeo, uma máquina fotográfica reflex, umas jantes especiais ou um outro qualquer artigo, beneficiando do apoio financeiro do Banco.

Esta volta ao passado foi despoletada quando redescobri um orçamento para compra de um computador, com kit multimédia (?!) um monitor e uma impressora.





E o que me chamou a atenção e levou a escrever estas linhas foi a comparação entre os preços e as Fichas Técnicas da máquina e periféricos indispensáveis naquele ano de 1995, e a panóplia de preços e inúmeras possibilidades de escolha que o mercado presentemente nos oferece.
Por exemplo: pelo preço da impressora mais barata há década e meia e tendo em conta apenas o correspondente em euros, podemos comprar hoje três (3) unidades. Por 248 mil escudos tínhamos então acesso a: memória RAM de 8 MB(!!), cache 256 KB (!!!) e um disco de 540 MB(!!!!). Cópia do orçamento, já a seguir:



Hoje, compramos um portátil por 900 euros (180.000$00!) com processador Intel Core i7 (última geração disponível em qualquer loja perto de nós), cache 6 MB, com 4 GB de memória RAM (4.1920 MB!!!!), disco de 500 GB (512.000MB!!!) ecrã de 15,6” e … com o kit multimédia incluído, excetuando as colunas que se compram por 30 euros… suficientes para o comum dos utilizadores.

O orçamento referido é (era!) um entre os milhares de papéis e fotografias enfiados em pastas, arquivadores, gavetas e álbuns que, graças ao computador, ao scanner, aos discos externos, a muita paciência – e ao destruidor de papeis - já estarão a caminho da reciclagem para alívio dos meus armários, estantes, etc..


O apoio financeiro e aquele orçamento marcaram o início da informática a sério cá em casa.
Não estou arrependido por ter aproveitado a oferta, comprando o computador com o tal “Kit” multimédia (!!), o monitor e impressora mais barata.

Foram-se os cinquenta contos e ainda mais algum do meu mealheiro.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico


BOM DIA

sexta-feira, 20 de maio de 2011

(44) CONFESSO!!! ONTEM COMPREI "A BOLA"



Quando ontem vi o jornal A Bola com a capa quase inteiramente preenchida das cores azul e branco, as lágrimas correram-me pela face. Quanto sacrifício! Quanta coragem!
Para aquele diário de informação (?!) desportiva também conhecido como a Bíblia Vermelha, e o “segundo canal” do SLB, em papel, aquele dia tornar-se-ia memorável pelas piores razões. A crise - passageira… aí umas vinte e quatro horas – iria atingi-lo de forma arrasadora. Quase tanto quanto a crise global. Nada adianto sobre esta última que nos toca - e de que maneira - para não chorar ainda mais.

Claro que, no dia seguinte, o volume de vendas voltará a atingir o seu volume normal, talvez com as notícias de negociações de novas contratações para o clube da segunda circular que ultimamente, à semelhança do trânsito naquela via, registou engarrafamento nos pontos conquistados e uma lentidão e tropeções exasperantes no seu percurso competitivo do pontapé na bola, certamente por acção retardadora dos numerosos radares azuis que encontrou no seu caminho nesta época de 2010/2011, prevista inicialmente como plena de esmagadoras conquistas nacionais e europeias.

A minha surpresa pelo grafismo daquela capa foi acompanhada pela certeza que as tradicionais reacções alérgicas à tinta azul nos seus habituais leitores(?) lampiões resultariam na drástica diminuição de exemplares vendidos com a consequente brutal quebra da receita. Para saciar o fundamentalismo vermelho e consequentemente para que o volume de vendas mantenha o seu elevado níve, o jornal é "obrigado" a publicar 365 capas pintadas de vermelho nos 365 dias que tem um ano… dos mais curtos!
Estranha postura de um diário de tendência acentuada para a “esquerda” hipotecando com uma óptica capitalista uma informação que deveria ser plural e isenta.

A noção dos elevadíssimos prejuízos económico/financeiros que certamente atingiriam aquele órgão de informação (?!) despertou o meu espírito solidário. E assim, aproveitando ainda para diminuir o peso das “sobras” – quantas árvores derrubadas sem proveito - resolvi quebrar a minha promessa de não comprar jornais ditos desportivos (?) e especialmente a “A BOLA”, e despendi oitenta e cinco cêntimos, do euro, na aquisição daquele diário.

Claro que vou emoldurar o único exemplar de A BOLA que, por motivos nobres ditados pelo meu coração de manteiga, entrou em minha modesta casa. Não pela vitória do clube nortenho mas como recordação do dia especial em que A BOLA se vestiu de azul, atitude heróica e que merece relevo também pelo difícil que deve ter sido engolir (mais) um tamanho “sapo” .

Boa tarde!

PS: Mesmo que Bola para a semana tenha uma recaída, caso o clube do Norte ganhe a Taça de Portugal, não voltarei a quebrar a promessa que acabei de confessar ter quebrado por razões puramente altruístas.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

(43) EU ESQUECIDO ME CONFESSO!

ASSUNTO: "POST"41 - CONFRARIA ENTRA NO SEU 11º ANO DE EXISTÊNCIA (30/4/2011)

O meu amigo e confrade Gomes enviou um comentário, que publiquei de imediato, alertando-me para um lapso que cometi no texto do “post 41”, ao esquecer-me de um importante convívio da Confraria dos 60s, em 24 de Maio de 2001.




E a sua chamada de atenção fez-me detectar outro lapso idêntico.
Para além da resposta que publiquei em sede própria, sinto ser minha obrigação dar ao facto idêntica exposição pública à do post original pelo que passo a transcrever o meu comentário ao texto do Gomes.
Amigo Gomes
Não consigo atingir a perfeição. Paciência… sou um tipo normal! Dou a mão à palmatória.
Pensei muito, fiz um tremendo esforço para me lembrar de todos os convívios. Até aqueles dois em que não estive presente me vieram à memória.
Ainda por cima,não referi aquele que teve um significado muito especial para a Confraria. Foi nele que os confrades inscritos foram "oficialmente" considerados como tal.
Na Picanceira de Cima (não do Mar) um nosso colega, amigo e confrade colocou a sua casa, à semelhança de outros em outras ocasiões, à disposição da Confraria e recebeu-nos principescamente tendo sido atribuída uma classificação altíssima pela organização do almoço que sozinho tomou a seu cargo.
E já agora que estou a falar no Oeste, vem-me à memória mais uma omissão: a do convívio que teve lugar na Assenta, em casa de um outro confrade que, com a sua família, nos acolheu e proporcionou mais um dia de espectacular de sã camaradagem. Penitencio-me pelo duplo e ingrato esquecimento.
Espero que me perdoem. Sabem... a idade...

(42) ESTIVE NUM PARAÍSO NA BEIRA INTERIOR SUL



Temos um País que nos surpreende pela beleza dos inúmeros recantos mais ou menos escondidos onde ainda se pode encontrar aquele silêncio que atordoa um citadino.
Uma paz e tranquilidade apenas quebradas, na justa medida, pelo marulhar das águas, da brisa escorregando pelo arvoredo e pelos chocalhos do gado pastando em liberdade.



Foi num local destes que passei 4 dias em limpeza dos sentidos. Regalei a vista, arejei os pulmões com ar puro, descansei os ouvidos, andei descalço na terra senti os odores da Natureza e até para cumular tanta coisa bela, tive a companhia de dois animais. Uma cadela e um gato – o Mimo - para suprir a falta dos meus, lá na Capital, a quase 300 kms. de distância.



E não é que estou em dívida com o Facebook? É verdade! Foi através dele que minha mulher encontrou uma amiga da qual há mais de uma dúzia de anos tinha perdido o contato.



Foi ela que nos proporcionou momentos maravilhosos, ao convidar-nos para passarmos com ela uns dias na sua casa de férias, aproveitando os feriados da última Pascoa. Sempre que a sua vida profissional o permite, lá vai ela correndo para aquele seu refúgio.
Natureza compartilhada com amigos é um “cocktail” inebriante.