sábado, 23 de novembro de 2013

(62) - JOÃO PEDRO RECORDA BERRINHOS

O João Pedro, um dos filhos da mulher que, qual mãe, tratou do Berrinhos, pediu a publicação, de uma mensagem de homenagem que, afinal, prestou não só ao nosso querido bichano falecido, mas também à sua própria mãe.

O texto já se encontra no “Post” do Blogue do bichano, 
com o título “O ULTIMO POST – ADEUS BERRINHOS”.

Pedindo que o JP me perdoe a liberdade, não posso deixar de reproduzir, neste meu Blogue,as suas palavras escritas. 
E para ele, João Pedro, endereço-lhe acompanhando o seu escrito, duas imagens:
Uma foto,
e um pequeníssimo vídeo 
(link no texto em bichinho ), registos que agora retirei de um filme gravado em VHS.
Certamente que se lembrará da data: 27 de Março de 1999.  


 E aqui fica, com a minha amizade e todo o respeito, o seu texto:


 “… coisas que são (achamos nós) o epicentro da nossa vida até sermos confrontados com aquilo que considero ser o mais importante: o fim derradeiro. Seja nosso, de amigos, de família, ou de um bichinho que nos acompanhou a todos durante uma boa parte da nossa vida…

Emocionalmente, por ser um piegas por me apegar tanto às pessoas, aos bichinhos e até às coisas, chorei muito quando a SOFIA (mãe da minha Gaby e Samu) “partiu” (chorei compulsivamente noite fora, na altura, com a Gabriela ao colo), e passado tanto tempo, no silêncio da noite (já com as bebés a dormir), vejo este “post” que não chamo de “sentido” mas de puro “amor” e não me contive…
Chorei, fortemente e de forma muito sentida pelo bichinho que, apesar de nunca ter gostado de mim, mesmo com as dentadas que me deu na cara, garganta, pernas e de ter de ir para a escola, em dias de calor, de mangas compridas com vergonha das arranhadelas que tinha que nos braços…

Aquela vez em que espetou a unha na minha garganta mas que a mãe tirou… as vezes que me levantava a pata quando nos cruzávamos no corredor…

Mas o que me deixa maior dor, agradecimento, seja um gatinho (mais que a uma pessoa), foi algo que nunca lhe vou poder retribuir e só nós sabemos…
Em 2007, quando eu estava na cama, em paragem cardio-respiratoria, sozinho, e vocês chegaram a casa, o Berrinhos foi chamar a mãe à cozinha e a levou até mim. Foi quando a mãe viu o estado em que eu estava…Passadas 24h, o médico disse que, 5 minutos depois, não teria sobrevivido, pois estava em paragem cardíaca…
Durante anos brincámos em como o Berrinhos me tinha salvo a vida. 
Talvez sim, talvez não. 
Para nós, que estivemos lá e já passámos por muito mais, EU sei que sim! 
Disse-lhe: “vai chamar a dona”, com as dores que só eu sei tive no peito (e mais tarde novamente no hospital), e foi mesmo, qual cão, qual bichinho mais treinado…
Acompanhei com carinho os “posts” do Blog que orgulhosamente “subscreveu” nos último meses…
E por fim, apenas consegui dizer que, utilizando as palavras que o Cândido usou durante anos… “saiu-lhe a Sorte Grande”. 
Só pelos donos que o acolherem e que o trataram. 
Se todos os animais tivessem a casa, instalações, amor e tratamento que o Berrinhos teve, a esperança média de vida dos gatos aumentava significativamente…
Hoje só me ocorreu “se viveu tantos anos, foi apenas e só fruto do amor e carinho que teve sempre na “sua” casa…”. Não tenho dúvidas.
Termino este e-mail com as lágrimas a correrem-me pela cara, com um amor genuíno que partilho neste momento, passado aquilo (secundário) que me ocupa todos os dias e noites na cabeça – trabalho – e que na verdade um dia sabemos que é secundário.
O que precisarem…
Liguem-me.
Um beijinho de muito amor e respeito por tudo o que deram a este bichinho e viveu e partiu feliz. E a quem (continuo a acreditar) devo a vida…
    
P.S. – A Foto dele a repousar na vossa cama com os “manos” à volta é aquela que vou guardar dele. Como o “Pai” Berrinhos” que foi o primeiro nessa casa, que recebeu a Maria com desconfiança, mas que depois foi sempre o “anfitrião” dessa gataria toda…
Força…” 

JOÃO PEDRO CAMACHO