quarta-feira, 13 de março de 2024

 20 de Setembro de  2019

Comandante António Sequeira.

Faz hoje um ano que partiste!
E hoje, como em muitos almoços às sextas, estiveste presente.
Aliás, quando entro naquele “nosso” restaurante entras sempre comigo.
É dia de bacalhau.
Recordo como demoravas na preparação do prato. O “rabinho” do fiel amigo, uma das tuas exigências gastronómicas, era tratado cirurgicamente… e jamais poderias ser acusado de negligência, nesta operação.
Os temperos do dito, com “todos”, eram espalhados sobre o grão, o ovo devidamente cortado em fatias. Depois de concluído todo o cerimonial, calmamente degustavas a iguaria.
O pastel de nata reservado à chegada ao restaurante, antecipava o café acompanhado pelo “Famous” com que sempre terminávamos as nossas refeições, com o indispensável brinde.
E brindámos inúmeras vezes em almoços e em jantares que terminaram com fados e outras canções.
Não consigo esquecer-te.
Quando nos reencontrarmos levarei uma “Famous” de 20 anos, , cantarei uns faditos (pois gostavas de ouvir… – condescendência de amigo… -) e brindaremos uma vez, duas vezes… três vezes… “ad aeternum”!

domingo, 27 de junho de 2021

(78) - ADEUS GABY

 


A GABY foi “adormecida”!

Ontem, 26 de Junho de 2021 pelas 12:00, a Gaby, que iria fazer 16 anos, foi adormecida após um período de rápida evolução de doença sem cura.

Delirando, enquanto aguardava que terminassem os tramites da marcação da cremação da Gaby, “inventei” uma forma de poder, um dia, recordar toda a minha vida, escrevendo-a.

Então, vou considerar que a vida (neste caso a minha) é constituída por Capítulos, como qualquer livro.

No “meu livro”, a última página, como é usual, será para apresentar os meus

AGRADECIMENTOS

… qualquer coisa como:

À Maria Vieira Neves e ao Mário Antunes Neves, meus pais, sem os quais não seria possível “escrever” este meu livro… nem fazer coisa alguma!

Às professoras da “4ª classe” que me ensinaram as primeiras letras.

Ao Ateneu Comercial de Lisboa, escola mista (alunos e alunas) onde demorei mais tempo do que devia  para completar os cinco anos do “Curso Geral do Comércio”.

Dagol, Socel, Despachante José Campos Loureiro, BBI (reformei-me antes de passar a ser BPI) dos quais recebi vários e diferentes ensinamentos que permitiram o desempenho de funções profissionais e o contacto com variados e incontáveis seres humanos que tiveram a maior importância para o meu desenvolvimento.

Aos “camaradas” que conheci desde que ingressei no exército português (fui chamado!) até voltar “à peluda” abarcando os 2 anos passados em Timor, onde continuei a crescer como homem, travando amizades e vivências que recordo com carinho.

Um abraço para todos os inúmeros amigos (olá… Confraria dos 60´s) que me aceitaram como sou e que, por falta de espaço – …e por ter de acabar esta primeira página… - não consigo revelar os seus nomes.

Finalmente reconhecer o trabalho, o empenho e a disponibilidade, a qualquer hora, da Clínica Veterinária das Mouras que acompanhou todo o trajecto da doença da Gaby tudo fazendo para que mantivesse alguma qualidade de vida na sua fase derradeira. Os meus renovados agradecimentos!

 - - - - - - - - - -

A partir de agora sendo o principal personagem do meu livro, vou escrever um capítulo que ficará, mais tarde como o último, na ordem cronológica, da minha passagem por este mundo, enquanto não sou chamado para outro… melhor?

Chamar-lhe-ei, simplesmente

 CAPÍTULO ….

GABY

 

Gaby, foi resgatada por João Pedro o filho mais novo da Manuela.

Uma cadela “pondego anã”, com olhos de um negro profundo, implantados num focinho lindo, o pêlo quase dourado e um andar pausado e elegante (excepto quando corria, em brincadeira com outros patudos…) foram determinantes para que o João Pedro a adoptasse e a ela se afeiçoasse profundamente.

A pandemia forçou a passagem de ambos por nossa casa, consequência do confinamento.

Terminada a estadia do João Pedro e no momento da partida para o seu lar, a Manuela pediu-lhe que deixasse a Gaby connosco por um “tempinho”. E apesar de alguma resistência, que evitou revelar, não foi capaz de negar o pedido de sua mãe.

João Pedro mataria as saudades visitando-a amiudadas vezes e revendo-a quando por nós (todoas) visitado. E a Gaby naqueles momentos demostrava efusivamente que compartilhava o mesmo sentimento de alegria por estar com o “papá”!

Foi quase um ano e meio que com ela convivi. Uma cadela extremamente silenciosa conviveu sem quaisquer problemas, com os felpudos que aqui veio encontrar e que também a receberam com toda a tranquilidade.

Para a Manuela os longos passeios diários (no mínimo três) substituíram o Ginásio, enquanto eu passei a acompanhá-las algumas vezes, tentando, com o passeio, diminuir um pouco o diâmetro abdominal.

Foi com ansiedade, trabalho e tristeza, adivinhando o seu final, que encarámos os tratamentos a que foi sujeita, as análises, os comprimidos, as injecções, etc... O único dia em que não foi passear, como usual, foi anteontem.

Ontem, na presença da Manuela e do João Pedro a Gaby foi adormecida na Clínica Veterinária das Conchas..

A Manuela e o João Pedro estão sofrendo profundamente com a sua partida.

Eu, aparentemente mais frio (tenho de ser…), acompanho a Manuela tudo fazendo para a auxiliar no deu estado de inconformismo.

E estou triste, muito, muito triste!

GABY, adeus.

FIM deste Capítulo

*******

E agora? Quantos serão os capítulos do visionário livro (a escrever) sobre a minha vida?  Um sujeito que viva 40 anos poderá ter vivido o dobro de capítulos comparativamente com outro, como eu, que atinja o dobro da existência daquele.

A avançada idade e consequente erosão da memória poderão provocar injustiças, falhando algo que mereceria um capítulo. Mas o que se esquece… não existiu… será???

E implacavelmente, ser-me á impossível escrever o derradeiro capítulo, quando chegar o meu momento!

 

Nota. Escrito (nem sempre… ai a PDI…) de acordo com as normas anteriores ao Acordo Ortográfico.

 

 Boa Tarde

cNeves

 

 

domingo, 30 de abril de 2017

(77) - CONFRARIA dos 60s - No 17º Aniversário, recordação do 15º



A nossa Confraria celebrará os seus 17 anos de existência, no almoço de amanhã (27 de Abril)  ao qual eu não deixarei de estar presente, nem que "a vaca tussa"!!!
Será com muito prazer que o farei - salvo algo de grave me impeça – e  muito me agradaria se os confrades  comparecessem em massa.
Não consigo deixar de recordar o almoço em que atingimos o 15º ano de existência e bem assim os momentos de fado encerrando aquele convívio. 
Dias antes fora-me sugerido apresentar um “hino”, para ser entoado na altura de partir o bolo de aniversário, momento de brindar a uma vida longa para a nossa Confraria. 
Não me sentindo capacitado para "compor um “hino", lá consegui alinhar (mais ou menos) uns versos, que tentei adaptar a um  fado. 
Com a certeza da melodia ser bem conhecida por todos os presentes, facultei e distribui a todos, os “meus” versos devidamente impressos.
Para recordar segue o url do vídeo – relembrem a excelência do “coro”! -  e os versos, mal alinhavados, sobre o  fado “Zé Cacilheiro” a que chamei:


SOU UM DOS 60s
Letra do Confrade nº 8Cândido Neves
Música do Fado “Zé Cacilheiro”

Eu já era entradote
Quando outro amigo velhote
Teve uma ideia atrevida
De erguer uma Confraria
Com a boa intenção
De manter a amizade em dia

Matutei e gostei dela
E já lá vão 15 anos
Que fiquei preso a ela
E é com muita vaidade
Que vejo aqui os manos
Nesta bela irmandade

Sou um dos 60s
E creiam que me dá gozo
Mensalmente ter o gosto´
De convosco me juntar
E conservando
O Tempo vai-se passando
Ai… e no fim de almoçar
Aqui prometo voltar

Todos fomos companheiros
Colegas amigos porreiros
E assim continuamos
O BBI já lá vai
Mas de nós nunca sai
Pois foi ele que nos juntou

No almoço à quinta-feira
Ao entrar na nossa sala
É sempre com emoção
Que vejo, não estou sonhado
Que os laços da amizade
Nos continuam juntando

Sou um dos 60s
E creiam que me dá gozo
Mensalmente ter o gosto´
De convosco me juntar
E conservando
O Tempo vai-se passando
Ai… e no fim de almoçar
Aqui prometo voltar

RECORDAR É VIVER
Confrade

Cândido Neves

NOTA: Texto enviado por e-mail a todos os Confrades, na véspera do almoço/convívio.

(Em tempo: O Confrade Amândido Marin, no final do almoço de comemoração do 17º, sacou da algibeira, impressos, os versos que "obrigou" serem cantados "à capela"...)

Boa Tarde
cNeves

(76) A propósito de um comentário FACEBOOK


...NA SUA PÁGINA NO FACEBOOK
Américo De Sousa Felício
...NA SUA PÁGINA NO FACEBOOK
9/4 às 11:49 · 
olá bom dia!!!estou eu a pensar, que o fado anda a cair no abismo,já á tempos que venho a reparar, que todos querem cantar o fado, ontem vi um artista que de fadista nada tinha a cantar um dito fado com um papel e a ler o que ia cantando, alguma vez isto era permitido, claro como lia o poema faltava ao compasso, e tbm uma senhora que nem vou dizer o nome, a declamar com um livro á frente, por amor da da Santa aprendam e depois façam o trabalho, para mim o fado não se aprende nasce com a gente, mas como toda a gente bete palminhas eles ficam extusiantes, como dizia o outro ..á fado que tás virado da cabeça para os pés, nunca vi tanto penico a berrar como agora , tenham um bom domingo e bem hajam


...NA MINHA PÁGINA NO FACEBOOK

12/4 às 21:17· 


Boa tarde amigo.
Hoje, ao rever uma gravação de um dos fados que cantei no Restaurante De Cá e De Lá - que o meu amigo tão bem conhece - notei que, de vez em quando, desvio o olhar para “conferir” a letra do “Bairro Alto”. Logo, na sua opinião, que muito respeito, pertencerei ao Grupo dos PENICOS.
Quanto muito, porque não estou a socorrer-me de um simples papel, mas sim de um (a) “tablet”, e para não me sentir demasiado “apenicado”, será que poderei considerar-me, de “PENICO mas… “PENICO INFORMÁTICO ou INFORMATIZADO”?
Na verade também comecei por colocar as letras em papéis numa estante: Mas evoluí(!?). Agora nem mesmo como PENICO uso o papel! Por azar, nem as novas tecnologias impedem falhas nos “tempos” e nos “compassos”? Ou serão ao contrário?
Entretanto, vieram-me à memória as noites de fado em que me desloquei a locais onde o Sr. Américo cantava, para ter o prazer de o ouvir, apreciando os seus dote de fadista e a sua bela voz.
E também não esqueço - agradecendo uma vez mais - os convites que me dirigiu naquelas e noutras ocasiões (e eu aceitei! claro!) dando-me a oportunidade de colaborar em momentos de fado.
Às vezes eu trocava a letra, lembra-se?  Pois… não levava papel.
Eu, não sou fadista, não sou profissional, nem pretendo sê-lo. Sou apenas um idoso com mais de 75 anos que por vezes tenta cantar umas canções e até uns fados, como certamente se recordará nas noites em que tive a honra de o fazer a seu lado. Nasci em Alfama e naquele bairro vivi 28 anos, o que lamentavelmente não me fez “ser fadista” .Vá-se lá saber porquê…
Só em Novembro de 2013 alguém teimou que eu tinha condições e voz para cantar o fado. E eu aceitei o desafio e quis experimentar.
Claro que minha memória já não era o que fora… Na década de 60 (época jurássica!) cantei outro género musical e como raramente ouvia fados, não conhecia uma letra inteira. Mas aceitei o desafio embora desconfiado se teria de usar canadianas.

NOTA: Registei a observação de um dos comentários sobre o seu escrito, referindo facto de artistas consagrados por vezes, se socorrerem das “estantes” Mas deve ser apenas para seguirem a “pauta musical”… a “partitura”!  Digo eu… Já viram que para aquele efeito até o Pavarotti, o Carreras e o Plácido Domingo têm á sua frente (cada um deles) uma estante numa das suas interpretações de “Amapola”?


Boa tarde
cNeves


(75) “THE CLAIM” e COIMBRA MENINA E MOÇA


https://youtu.be/kzoQBq5IuGw  (Balada de Coimbra - 



Para fugir às longas horas de asfixia do “pontapé na bola”, percorri aos soluços alguns canais na TV – perdão... fiz zapping…- e ao passar pelo canal AMC deparei com um filme com o título “Ameaça do Passado”, no original será “THE CLAIM”, como fiquei a saber em posterior busca na “Net”. 
Qualquer coisa (para além das belezas que são Milla Jovovich e Nastassja Kinski!!!) me obrigou a visionar o filme, pedaço a pedaço. 
Quando alcancei os 30 minutos de exibição (irei visioná-lo na íntegra mais tarde) vi-me obrigado a retroceder, para confirmar o que me parecera ter ouvido. 
Confirmei! Milla Jovovich, cantava - eventualmente dobrada (playback?) - a balada de Coimbra “COIMBRA MENINA e MOÇA”. 
Ainda não vi o filme na sua totalidade, o que irei fazer, pois de acordo com o genérico ainda fará parte da banda sonora do filme outra balada, a que (eles) dão o nome de “SE VELHA”.
A acção do filme decorre na Sierra Nevada, California (Kingdom Come) ano 1867.
Causou-me uma certa estranheza que, em 1867, aquelas baladas de Coimbra, ainda sem terem “nascido”, já fizessem parte do repertório duma cantora, ainda que os pais da personagem sejam mencionados como naturais de Coimbra e ela se chame Lúcia. A confirmar depois de ver o filme na sua totalidade.
No genérico final (?) somos informados que Américo Durão “&” António Menano escreveram (written by…) a balada, “SÉ VELHA”, original ADEUS SÉ VELHA” OU BALADA DA SÉ VELHA(?) .
Fausto Frazão, Arnérico (Américo?) Pinto e Edmundo Bettencourt terão sido responsáveis pela escrita (written) da Balada “MENINA E MOÇA”, original COIMBRA MENINA E MOÇA. 
Ah! Aqueles indicados e os seus verdadeiros autores nasceram de certeza depois de 1867.



https://youtu.be/kzoQBq5IuGw   
Guitarra portuguesa: José Maria Oliveira, Orlando Almeida
Viola de fado: António Duarte, Pedro Antunes
Grupo de Fado de Coimbra "Ecos de Coimbra"
Letra: Fausto Frazão / Música: Edmundo Bettencourt
Local: Largo da Sé, Faro
(2014-08-14)




Boa tarde.

sábado, 14 de janeiro de 2017

(74) A Propósito do encerramento do "ELEFANTE BRANCO"


RIP
ELEFANTE BRANCO

Local onde os meninos maus…
…de famílias boas…
… se encontravam com meninas … boas…
…, de famílias más (!?)”.

Recordei aquela definição, que em tempos ouvi de um humorista brasileiro, logo que tive conhecimento, pela comunicação social, redes sociais, newsletters, etc., do encerramento do Elefante Branco.

Não que os frequentadores do ”TROMBINHAS”  como era conhecido em linguagem secreta – fossem só “meninos”… e maus!
Não!!! A maioria dos frequentadores eram empresários grisalhos, homens com carteira recheada e dispostos a passaram uma noite em gloriosa festança. Muitos deles, visitantes ocasionais - de férias ou em “negócios” - jamais passariam por Lisboa sem “marcar o ponto”. Quando regressavam às suas terras, o “Elefante” seria o assunto que durante semanas os tornariam figuras principais em reuniões (só para homens!!!) em que os amigos ouviam em silêncio respeitoso as extraordinárias noites passadas no “Trombinhas”.
Não se recordando, ficaria por contar a “sorte” de ter partilhado a alegria de todas as meninas que o “entretinham” na mesa, que também por coincidência, “faziam anos” naquela magnifica noite.
Sentindo a felicidade das (várias) aniversariantes ele mandaria vir mais uma garrafa de Champagne”, por cada um dos “Parabéns a Você” -(…nesta data querida…)” enquanto elas, nos intervalos dos “beijinhos” agradecidos, disfarçadamente bebiam água tónica por flutes,!

Claro que alguns “Meninos” também frequentavam a “casa”. Mas a maioria, altruísta, só surgia após o encerramento, madrugada alta, com suas viaturas desportivas. Surgiam …e arrancavam. Com os pneus a fumegar, “recolhiam” as meninas, fazendo o favor de lhes dar boleia. Elas, simpaticamente, retribuíam aquele gesto de cortesia, enchendo-lhes os depósitos dos Porsche, dos BM e doutras viaturas de gama alta.
Enfim, mais um estabelecimento a fechar portas para desgosto de todos os “profissionais” noctívagos lisboetas que obrigatoriamente, pelo menos uma vez por semana, tinham de visitar o “Elefante Branco”, híper-famoso pelo ambiente elegante e requintado onde se encontrariam as mais belas moçoilas, sem paralelo nos seus variadíssimos concorrentes, como. “A Cave”, o “Hipopótamo”, o “Tamila”, a “Cova da Onça”, o ”Night & Day”, etc..

Para finalizar aqui fica um dos momentos que naquele “espaço” presenciei.

Numa mesa, um sujeito bem vestido, frente a uma garrafa de whisky 20 anos, tinha a companhia de três meninas que bebiam um líquido transparente, em copo alto, cheio de pedras de gelo.
Subitamente surgindo do “lusco-fusco” da sala, um dos presentes dirige-se à mesa do alegre folgazão. Parou, olhou para a mesa, virou-se para os fundos da sala, e com voz alta (deu para todo o mundo ouvir!) chama, pelo nome, um dos responsáveis da “casa” e de imediato pergunta se ele tem a certeza de vir a receber o valor da despesa da mesa, que aponta. Justifica a sua pergunta por saber que o gastador estar inibido do uso de cheques, como também tinha deixado protestar uma livrança.
Deve ter sido uma das raríssimas vezes que aquela sala foi tomada por um silêncio sepulcral.
Quem largou “a bomba” - que resultou na liquidação da dívida (livrança) no primeiro dia útil seguinte - foi um gerente bancário conhecido por não perder uma oportunidade… quando ela se lhe oferecia.

BOA TARDE

PS : Fui… e sou… desde sempre, cliente de outro “Elefante”: O “Azul”!



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

(73) Ciao Nelson... até à próxima...


Hoje, o Nelson partiu da vida terrena, mas nela continuará presente, no coração e na memória de familiares e amigos.
Conheci-o no Banco Borges & Irmão, ainda antes de trabalharmos juntos, durante quatro anos, no Balcão do C. Sodré. Sem dúvida aquele local de trabalho que mais me marcou - e passei por 11 (onze!) alguns por curtos períodos e noutros até fui repetente…
Nelson foi, no referido Balcão, um dos elementos com influência no bom ambiente de trabalho que então reinou. 
Piada fácil, exímio contador de anedotas, sempre com “apartes” cheios de ironia.
Cantava e bem, acompanhando-se à viola que sabia tocar como poucos. Eu sei que o ouvi!
Durante anos foi um assíduo frequentador, praticante e entusiasta, das “quadras de ténis”.
Depois e logo que deixou o ténis, entrou em força nos “green”, arrastando consigo colegas que o seguiram e que lhe devem o conhecimento e a prática daquela modalidade.
Era (é) membro da Confraria dos 60s, desde a primeira hora, colaborando nos trabalhos da criação da mesma, tornando-se o Confrade número 1, como ditou o sorteio para atribuição da ordem dos 10 confrades fundadores. 
Colaborou quer como elemento da estrutura da Confraria, quer fora dela, na preparação de eventos, como por exemplo o inesquecível dia passado nas Minas do Lousal.
Durante a doença que o minou falámos umas poucas vezes. Nos diálogos que estabelecemos, sempre demonstrou uma enorme força de vontade e querer na luta que travava perante circunstâncias que finalmente, hoje, o venceram.
Balança (quase Escorpião) aniversariante no mesmo mês - Outubro - em que eu próprio tenho vindo a adicionar mais um ano - desta vez, lamentavelmente, não trocaremos os anuais telefonemas de parabéns.

À família enlutada os meus sinceros pêsames

Recordo os bons momentos que vivemos - recordá-los-ei sempre - para além da relação profissional.
E não posso deixar de sorrir, ao lembrar-me do modo irónico como que aceitou a “estória” que passarei a reproduzir e que foi publicada num dos números do jornal da Confraria,  “O CONFRADE”, na Rubrica SOTÃO DO CONFRADE - e também no meu Blogue.
É um episódio sem personagem identificado – até hoje - e que, então, só foi publicado após prévia autorização do Nelson. Que certamente lá, onde estiver, não deixará de sorrir.
Ciao, Nelson! Até Breve!

Do teu amigo, Cândido Neves
04/09/2016

SOTÃO DO CONFRADE
CINDERELA  (versão romanceada!)

Aproximava-se o grande dia! Aliás, mais correctamente… a “grande noite”.
Durante dias, todos os colegas notavam o aumento exponencial da tensão que o assolava. Na altura, já lá vão uns bons e largos anos, o “stress” ainda não era expressão usada com frequência. Creio, até, que, apenas os do jet-set (outra conjunção que só muito recentemente se banalizou neste nosso burgo de novos-ricos) seriam únicos utilizadores daquela importação linguística.
Mas voltamos ao nosso amigo. A todo o momento anunciava, repetia até à exaustão denunciando a sua impaciência e até algum receio, o encontro, com os futuros sogros, que se aproximava.
Seria o passo que desencadearia o processo nupcial. Ele iria pedir a mão da sua amada. Não que o evento tivesse lugar no século XVIII.
Sempre pensámos, aqueles que de perto privaram com ele, que a cerimónia teria sido por ele solicitada e quem sabe até por ele exigida.
Temos de acrescentar, a isso nos obriga a verdade histórica e para enquadramento das nossas suspeitas, que o colega em causa (ainda hoje se notam alguns vestígios…) era um homem bem apessoado. Barba que não comprometia, pouco progressista por sempre bem aparada. A sua actividade desportiva dava-lhe um andar elástico. Movia-se com elegância e agilidade, fruto da corrida com que frequentemente devolvia longos passing shots e traiçoeiros volleys.
Vestuário (à civil) sóbrio, moderno, bom conversador, graça espontânea e oportuna, possuidor de boa voz que acompanhava com uma viola que tão bem sabia dedilhar. A própria viagem diária para o Banco (e do Banco para casa), quando o tempo permitia viajar no “convés”, coloria-lhe a tez de uma cor só possível a um afortunado frequentador de luxuosas e longínquas paragens soalheiras ou, no mínimo, de solário em SPA* (outra invenção modernaça). Esta explosiva mistura despertava terríveis invejas, ao mesmo tempo que permitia alcançar inúmeros êxitos junto do sexo feminino, com os estragos inerentes.
Saído, havia já algum tempo, de um casamento, ei-lo pronto a contrair novo matrimónio. Finalmente chegara a mulher que o iria fazer “arrumar as botas” - agora usa sapatos especiais, bi-coloridos, de acordo com a sua nova actividade desportiva (?!).
Antes, porém, iria, queria (!), fazer o pedido formal da mão da sua amada.
Na tarde do dia aprazado, solicitou ao “chefe” um especial alargamento no horário de entrada após o almoço, com o fim de fazer as últimas compras pois o momento solene implicava a aquisição de vestuário a “estrear”.
Quando regressou, afogueado (lembram-se que chegara mais tarde?) carregava alguns embrulhos dos quais, orgulhoso do seu bom gosto, destacava uma caixa que continha uns sapatos novos com os quais iria pisar solenemente o solo paterno, da casa do mais que certo cedente da sua noiva.
Na hora da saída foi amplamente incentivado, acarinhado, cumprimentado, pelos colegas que se mostraram solidários, embora invejosos, especialmente, dos sapatos que tanto os impressionara.
De tal modo que, momentos antes, permanecendo a caixa com os ditos no armário do seu orgulhoso proprietário, tinham resolvido retirá-los e substitui-los pelos “chanatos” da senhora da limpeza.
Todos os colegas, cúmplices naquela hora com o sentir do nosso colega, olhos marejados de lágrimas (pudera…!) foram até à porta do Balcão despedir-se, acenando, desejando-lhe o maior êxito transmitindo-lhe votos para que os sapatos não o magoassem, enquanto ele se afastava com os embrulhos do enxoval onde pontificava a caixa, embrulho artisticamente refeito, debaixo dos seus ansiosos e apaixonados braços.

NOTA DO AUTOR: O que se passou no dia seguinte de manhã, quando o “noivo” entrou no Balcão, não se reveste de qualquer interesse. Ele encaixou, com muita dignidade, “a maldade” dos colegas: Expressou, no entanto o seu lamento por não poder usar as “chanatas”, dado terem um tamanho inferior ao que ele usava. Enfim… naquele tempo ainda havia fair-play.

Em tempo: Alguns "amigos" consideraram a publicação deste texto, como... "mais uma à Neves" ... não o aceitando muito bem. Passados alguns dias recebi da viúva, Helena, o e-mail que passo a transcrever:

"...De: Helena Palma Neto
Enviada: sexta-feira, 16 de Setembro de 2016 12:38
Para: Candido Neves
Assunto: Re: CIAO... NELSON!

Obrigada Neves, por estas suas palavras.
O Nelson teria gostado muito,e rido ao recordar as "patifarias" que faziam naquela altura. Também para ele, o Balcão do Cais do Sodré era o único  que recordava com saudade, bem como alguns dos colegas. Até eu lá passei alguns bons momentos, quando ainda tinham duas horas para almoço, e se reuniam lá em baixo até o Banco voltar a abrir.
 Bons tempos. Ainda bem que os vivemos, só assim os podemos recordar.
Desculpe só agora agradecer, mas não me é fácil abrir o mail do meu marido.
Um abraço, e mais uma vez obrigada.
Helena Palma Neto

Nota: O meu texto foi por mim enviado através de e-mail a toda a "Confraria" e como não tinha ainda retirado o endereço do Nelson, a Helena teve conhecimento do mesmo resultando daí a sua reacção que agora tomo a liberdade de "postar".