20 de Setembro de 2019
Comandante António Sequeira.
É o meu blogue...
20 de Setembro de 2019
Comandante António Sequeira.
A
GABY foi “adormecida”!
Ontem, 26 de Junho de 2021 pelas 12:00, a Gaby, que iria fazer 16
anos, foi adormecida após um período de rápida evolução de doença sem cura.
Delirando, enquanto aguardava que terminassem os tramites da marcação da cremação da Gaby, “inventei” uma forma de poder, um dia, recordar toda a minha vida, escrevendo-a.
Então, vou considerar que a vida (neste caso a minha) é constituída
por Capítulos, como qualquer livro.
No “meu livro”, a última página, como é usual, será para apresentar
os meus
AGRADECIMENTOS
… qualquer coisa como:
À Maria Vieira Neves e ao Mário Antunes Neves, meus pais, sem os quais
não seria possível “escrever” este meu livro… nem fazer coisa alguma!
Às professoras da “4ª classe” que me ensinaram as primeiras letras.
Ao Ateneu Comercial de Lisboa, escola mista (alunos e alunas) onde
demorei mais tempo do que devia para
completar os cinco anos do “Curso Geral do Comércio”.
Dagol, Socel, Despachante José Campos Loureiro, BBI (reformei-me
antes de passar a ser BPI) dos quais recebi vários e diferentes ensinamentos
que permitiram o desempenho de funções profissionais e o contacto com variados
e incontáveis seres humanos que tiveram a maior importância para o meu
desenvolvimento.
Aos “camaradas” que conheci desde que ingressei no exército
português (fui chamado!) até voltar “à peluda” abarcando os 2 anos passados em
Timor, onde continuei a crescer como homem, travando amizades e vivências que
recordo com carinho.
Um abraço para todos os inúmeros amigos (olá… Confraria dos 60´s) que
me aceitaram como sou e que, por falta de espaço – …e por ter de acabar esta
primeira página… - não consigo revelar os seus nomes.
Finalmente reconhecer o trabalho, o empenho e a disponibilidade, a
qualquer hora, da Clínica Veterinária das Mouras que acompanhou todo o trajecto
da doença da Gaby tudo fazendo para que mantivesse alguma qualidade de vida na
sua fase derradeira. Os meus renovados agradecimentos!
A partir de agora sendo o principal personagem do meu livro, vou escrever um capítulo que ficará, mais tarde como o último, na ordem cronológica, da minha passagem por este mundo, enquanto não sou chamado para outro… melhor?
Chamar-lhe-ei, simplesmente
GABY
Gaby, foi resgatada por João Pedro o filho mais novo da Manuela.
Uma cadela “pondego anã”, com olhos de um negro profundo,
implantados num focinho lindo, o pêlo quase dourado e um andar pausado e
elegante (excepto quando corria, em brincadeira com outros patudos…) foram
determinantes para que o João Pedro a adoptasse e a ela se afeiçoasse
profundamente.
A pandemia forçou a passagem de ambos por nossa casa, consequência
do confinamento.
Terminada a estadia do João Pedro e no momento da partida para o
seu lar, a Manuela pediu-lhe que deixasse a Gaby connosco por um “tempinho”. E apesar
de alguma resistência, que evitou revelar, não foi capaz de negar o pedido de
sua mãe.
João Pedro mataria as saudades visitando-a amiudadas vezes e
revendo-a quando por nós (todoas) visitado. E a Gaby naqueles momentos
demostrava efusivamente que compartilhava o mesmo sentimento de alegria por
estar com o “papá”!
Foi quase um ano e meio que com ela convivi. Uma cadela
extremamente silenciosa conviveu sem quaisquer problemas, com os felpudos que
aqui veio encontrar e que também a receberam com toda a tranquilidade.
Para a Manuela os longos passeios diários (no mínimo três)
substituíram o Ginásio, enquanto eu passei a acompanhá-las algumas vezes,
tentando, com o passeio, diminuir um pouco o diâmetro abdominal.
Foi com ansiedade, trabalho e tristeza, adivinhando o seu final,
que encarámos os tratamentos a que foi sujeita, as análises, os comprimidos, as
injecções, etc... O único dia em que não foi passear, como usual, foi anteontem.
Ontem, na presença da Manuela e do João Pedro a Gaby foi adormecida
na Clínica Veterinária das Conchas..
A Manuela e o João Pedro estão sofrendo profundamente com a sua
partida.
Eu, aparentemente mais frio (tenho de ser…), acompanho a Manuela
tudo fazendo para a auxiliar no deu estado de inconformismo.
E estou triste, muito, muito triste!
GABY, adeus.
FIM deste Capítulo
*******
E agora? Quantos serão os capítulos do visionário livro (a
escrever) sobre a minha vida? Um sujeito
que viva 40 anos poderá ter vivido o dobro de capítulos comparativamente com
outro, como eu, que atinja o dobro da existência daquele.
A avançada idade e consequente erosão da memória poderão provocar
injustiças, falhando algo que mereceria um capítulo. Mas o que se esquece… não
existiu… será???
E implacavelmente, ser-me á impossível escrever o derradeiro
capítulo, quando chegar o meu momento!
Nota. Escrito (nem sempre… ai a PDI…) de acordo com as normas
anteriores ao Acordo Ortográfico.