segunda-feira, 26 de julho de 2010

(4) A CATEDRAL DE BELEM - CF "OS BELENENSES"


O meu querido e saudoso pai era um entusiástico adepto do futebol.
E era sócio de um clube de Lisboa.
De "Os Belenenses"!
Não era um clube qualquer. Era de um clube Português que tinha um ESTÁDIO!!!
Aliás, naquela época, era o único clube Português que possuía um “ESTÁDIO”!
Foi ele que mo disse quando, pela sua mão, tinha eu menos de 8 anos, e já sócio do Clube, me levou até às Salésias.



E explicou: um ESTÁDIO era um recinto desportivo onde, para além do futebol, se poderia ainda praticar outras competições ao ar livre.
E apontava para a pista de atletismo que circundava o terreno de jogo. Não tendo sido ainda descoberto o “tartan”, o piso da dita pista era em cinza.
Por detrás de uma das balizas estava colocada a vala de água, que dificulta as corridas de obstáculos. A “caixa” para o salto em altura e as pistas de ataque ao salto em comprimento e triplo, como usual, estavam colocadas frente à bancada central!!!

Outro motivo de orgulho para a colectividade de Belém, era a bancada “coberta” que acompanhava a linha lateral no lado Sul. Única no País, resguardava os camarotes, os degraus da bancada Central, os lugares para a imprensa desportiva e ainda alguns sócios que pagavam o luxo (1).
Finalmente a “cereja” no topo daquelas maravilhas.
O terreno de jogo era "(ar)relvado”!!!
Os outros clubes, conforme se pode ver em fotos da época, jogavam em terrenos "pelados", sem bancada coberta e sem pista de atletismo. Não observavam as condições mínimas para o estatuto de… “ESTÁDIOS”. Eram “campos de futebol”!
Um deles, onde jogava um dos grandes (“sediado” em Lisboa!) possuía uma luxuosa bancada em madeira. Na gíria era conhecido pela “Estância de Madeiras” - a Catedral do "Caruncho"...
E se no estádio das Salésias, a sua Bancada em ferro e o verde do relvado lhe davam “toque” de “campo inglês” aos outros, as parecenças “british” quedavam-se pela proximidade dos espectadores, a cerca de meio metro das linhas de campo, quase ao colo dos jogadores, espremidos contra as guardas metálicas que circundavam o terreno de jogo.
Foi naquela “catedral azul” que aprendi as primeiras palavras em língua inglesa.
A pronúncia, na altura, até era muito razoável, para um povo “ignaro”, mergulhado na escuridão do analfabetismo filho adoptivo da ditadura. “Referee, liner, corner, half (com H mudo, sem "aspirações"...), back, stopper, keeper, mister, team, off-side (pronunciava-se ofsaite) e ainda o actual "penalty", eram palavras do mais puro vocabulário inglês a que se juntavam muitas outras que perdi com a minha memória, das quais vou referir para terminar, uma outra: “FÁU….” - … mais tarde descobri que se tratava do “aportuguesamento” da palavra ”fault”.

Foi também nas Salésias que por vezes observei, pela primeira vez um treino de "rugby", no "pelado do "campo de treinos" que ficava situado em plano inferior, nas traseiras e à esquerda da bancada Central,
Quero dizer: sou do tempo das "Torres de Belém", dos "5 violinos", do Moreira (SLB), do Pipi (Rogério do SLB) do Vasco de Os Belenenses, dos jogos de "reservas" ao Sábado à tarde e dos Juniores e/ou "Iniciados" aos Domingos de manhã. Do saudoso (para mim!) tempo do horário de Verão, 17 horas. E de Inverno, que antecipava o começo dos jogos para as 16 horas.
Foi também nas Salésias que vi pela primeira vez jogar rugby, no "pelado" do campo de treinos, que ficava situado em plano inferior nas traseiras e à esquerda da bancada Central. Não achei piada! 
Já centrado nos meus 30 anos "despertei" para aquele desporto graças aos comentários televisivos do Cordeiro do Vale, comentador na década de 70 dos torneios das 5 Nações. Agora não perco as transmissões dos diversos trofeus daquela modalidade.  

(1) - O meu pai (e eu!) víamos os jogos do “Campeonato” em pé, por detrás da baliza, no topo nascente. Anos mais tarde seria ali montada uma pequena bancada assente em armação tubular.
Foi nela que vi o Martins do SCP – na altura avançado-centro, hoje seria “ponta-de-lança” - marcar o golo, mesmo antes do apito final, que retirou ao Clube de Futebol “Os Belenenses”, a conquista do campeonato, naquele que foi o último jogo na época 1954/55.





sábado, 24 de julho de 2010

(3) MEMÓRIAS DE UM BANCÁRIO I I

CAUTELAS E CALDOS DE GALINHA...



Aquele “Balcão” era o máximo.
Não sei se é verdadeira a “estória” que vos passo a contar.Naquele tempo, já lá vão perto de 40 anos não existiam na TV as “tertúlias-cor-de-rosa” com as tias em horário matinal a descobrirem (?) as carecas dos colunáveis. Assim, também não existem registos que possam arqueologicamente atestar da sua veracidade. 
Mas, fonte bem informada relatou-nos… e jurou que…
O personagem central (X) do argumento, era conhecido pelos seus dotes de galã conquistador.  A sua  fama (e proveito…)  ultrapassara as fronteiras, pois algures, em terras (adoptadas) de “Saramago”, suspirava uma apaixonada "hermana" que, apenas uma vez por ano, se deslocava ao nosso (e dele também…) torrão natal.
Trabalhador (palavra!!!...) bancário exercia a actividade num balcão sito na zona ribeirinha de Lisboa. O Gerente, em funções no “balcão”, conseguira criar desde que ali chegara, uma saudável cumplicidade com todos os seus colaboradores.
Foi assim que o nosso amigo (X) não escamoteando a razão do pedido, lhe solicitou  dispensa para a parte da tarde do dia em que a referida “guapa”chegava, do país vizinho. 
O desempenho das suas tarefas já estava assegurado por solícito colega que se prontificara solidariamente a sobrecarregar as dele, na expectativa de futura retribuição." Et pluribus unum!" 
Reuniam-se, assim, as condições para o nosso herói (X) poder proporcionar à sua salerosa amiga o reconhecido bom acolhimento-luso. Enfim, uma recepção condigna com digressão guiada até à linha do Estoril, após, presumimos,um romântico almoço. 
A seguir, o programa, incluía uns momentos "zen", disfrutando de uma bela vista sobre a baia de Cascais desde a varanda de um apartamento que "alguém", prestável, colocara à disposição do nosso homem. Naquele tempo as invejas ainda não tinham inquinado as relações entre machos latino/portugas. "Et pluribus unum"... outra vez!
Faltava a anuência do Gerente que, dada a sinceridade do peticionário, a certeza do bom andamento do serviço e compreendendo que as relações luso-espanholas deviam ser acarinhadas, anuiu ao pedido, numa altura em que (ainda) éramos os maiores do Mundo, no hóquei em patins, para desespero de "nuestros hermanos". 
Assim, o "chefe" solicitou ao nervoso X , o preenchimento (em duplicado…) do impresso “oficial”. Lembram-se??? Modelo 5, creio eu…
Surpreendido, desagradado, foi com algum esforço e má-vontade que X preencheu o dito formulário, ali mesmo sobre a secretária da Gerência, pressionado pela perspectiva de uma tarde que finalmente chegara, após um ano de espera. 
Assuntos particulares obviamente, foi o motivo invocado para o pedido de dispensa.
Consta que,  enquanto se deslocava para a saída ao encontro da tarde soalheira que previa acalorada, apesar do imediato futuro romântico lhe sorrir,  à saída do Gabinete, o semblante do nosso amigo espelhava alguma decepção pela imposição do "Chefe"  em tornar “oficial” a dispensa.
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No dia seguinte, X entra cedo e dirige-se de imediato ao Gabinete do Gerente onde se senta com ar meio aéreo. Do tipo… como se explica termos perdido em futebol com o Kuwait...?
E passou a relatar as razões justificativas para aquele estranho comportamento ao princípio da manhã. 
Sensato e precavido, fizera previamente uma ronda com o dono do apartamento para se familiarizar com a porta, as luzes, cortinados e estores, janelas, TV, autoclismo, etc. etc., enfim com todos os acessórios do espaço que iria “habitar”… em curta permanência.
Lamentavelmente esquecera-se de reunir a informação sobre o funcionamento do esquentador peça fundamental que lhe permitiria a higiene oral (!) após a almoçarada. 
Completamente "às escuras", tentou ligar o aparelho. Chegou um fósforo ao “piloto”, aguardou…, aguardou… e...  provocou uma explosão que lhe chamuscou a melena, sobrancelhas, barba e bigode.  Assim, ganhara sem sorteio, um tom amarelo/acastanhado nas zonas capilares referidas, que lhe alteravam a fisionomia e que o Gerente, apesar de lhe ter notado à entrada, algo de diferente, de imediato não identificara.

Azar! 
Naquela altura não existiam os modernos esquentadores “inteligentes”…  e a alguns  utilizadores escasseava aquela qualidade!
Nem de encomenda poderia surgir o momento ideal para o "Superior" do X  lhe "explicar" a razão de lhe ter solicitado o preenchimento do tal modelo de pedido de dispensa que tanto amofinara o subscritor.
A intenção fora tão só, perante a entidade patronal, terem (o Gerente e o X) uma “cobertura” legal à dispensa, para o caso de suceder algo que impedisse o regresso ao trabalho do dispensado. O que, por coincidência, até esteve perto de acontecer  por (re)acção de um insuspeito esquentador.
O duplicado do "incomodativo" impresso ficou arquivado, em pasta, no Balcão. 
O original, enfiado num sobrescrito de serviço, foi de imediato endereçado à Secção de Pessoal *,à frente do chamuscado Don Juan - a tesoura disfarçara grande parte do estrago.


PS:* Corre(u) o boato que o dito sobrescrito se extraviou. Parece (?) que nunca chegou à Secção de Pessoal…



OOPS!!!


(2) MEMÓRIAS DE UM BANCÁRIO I




O CINDERELO (versão romanceada!)

1978 
Aproximava-se o grande dia! Aliás, mais correctamente… a “grande noite”.
Durante dias, todos notavam o aumento exponencial da tensão que assolava o colega - na altura, já lá vão quase 40 anos, o “stress”* ainda não era expressão usada com frequência. Creio, que seriam apenas os do jet-set* (outra expressão que entretanto se banalizou neste nosso burgo de novos-ricos??!!) os utilizadores daquela importação linguística.
Mas voltamos ao nosso amigo.
A todo o momento anunciava, repetia até à exaustão - denunciando a sua impaciência e até algum receio - o aproximar do encontro com os futuros sogros. Seria o passo que desencadearia o processo nupcial. Ele ia pedir a mão da sua amada. Não que o evento tivesse lugar no século XVIII. Mas ele recuara… Desconfiávamos
, aqueles que de perto com ele privavam, que a cerimónia teria sido por ele solicitada e quem sabe até por ele exigida.
Como acto de contrição? Como operação de lavagem da consciência demasiado pesada?Temos a acrescentar, a isso nos obriga a verdade histórica e para enquadramento das nossas suspeitas, que o colega em causa (ainda hoje se notam alguns vagos vestígios…) era um homem bem apessoado. Barba que não comprometia, pouco progressista por sempre bem aparada. A sua actividade desportiva dava-lhe um andar elástico. Movia-se com elegância e agilidade, fruto das corridas com que frequentemente devolvia longos "passing shots"* e traiçoeiros "volleys"*
Vestuário (à civil) sóbrio, moderno. 
Bom conversador, graça espontânea e oportuna, possuidor de boa voz que acompanhava com uma viola que tão bem sabia dedilhar. 
Na viagem diária atravessando o Tejo, quando o tempo permitia viajar no “convés”, o Sol ia colorindo-lhe a tez com uma tonalidade só possível a um afortunado frequentador de luxuosas e longínquas paragens soalheiras ou, no mínimo, de solário em "SPA"* (outra modernice...). Esta explosiva mistura despertava terríveis invejas, ao mesmo tempo que permitia alcançar inúmeros êxitos junto do sexo feminino, com os estragos inerentes. Nelas... e não só!
Saído de um casamento, havia já algum tempo, ei-lo pronto a contrair novo matrimónio.
Finalmente chegara a mulher que o iria fazer “arrumar as botas”. Aliás, passara a usar sapatos especiais, bi-coloridos, de acordo com a sua nova actividade desportiva (?!) de "golfista". O
 tempo dos “courts"* já era passado. Para se poupar transportava os seus “clubs”* num charmoso carrinho, com motor, pelos verdejantes “greens"* deste país.
Mas, antes do nó, era sua vontade fazer o pedido formal da mão da sua amada.
Na tarde do dia aprazado, solicitou ao “chefe” um especial alargamento no horário de entrada, após o almoço, com o fim de adquirir as últimas peças do enxoval a estrear e de acordo com a cerimónia. A solenidade do momento a isso obrigava. 
Quando regressou, afogueado (lembram-se que pedira para chegar mais tarde?) carregava alguns embrulhos dos quais, orgulhoso do seu bom gosto, destacava uma caixa que continha uns sapatos novos com os quais iria pisar, com “pinta” e elegância, o solo paterno da casa do mais que certo cedente da sua filha.
Na hora de saír foi amplamente incentivado, apaparicado e efusivamente acarinhado, pelos colegas que se mostraram solidários, embora invejosos, especialmente, dos sapatos que tanto os impressionara.
Todos foram até à porta do Balcão despedir-se, cúmplices naquela hora com o sentir do nosso colega, olhos marejados de lágrimas (pudera…!) , acenando, desejando-lhe o maior êxito transmitindo-lhe votos para que os sapatos não o magoassem, enquanto ele se afastava com os embrulhos do enxoval onde pontificava a caixa com os “andantes” debaixo dos seus ansiosos e apaixonados braços.

Foi com elevado “suspense”* e disfarçando com ar de meninos de coro que os colegas, no dia seguinte, aguardavam ansiosos a chegada do “noivo”.


Compreende-se! Uns simpáticos colegas e "amigos" (?) na véspera, tinham ido ao seu cacifo na cave e retiraram da respectiva caixa os novíssimos sapatos comprados naquele dia e substituíram-nos pelos “chanatos” da senhora da limpeza, deixando o embrulho como se nunca tivesse sido violado.
Porém, ele encaixou, com muita dignidade, “a maldade” dos colegas .
Apenas se lamentou de não ter podido usar as “chanatas”, dado serem um número abaixo do que aquele que usa.

Enfim… naquele tempo ainda havia
"fair-play"*.

NOTA DO AUTOR:(*)todas as expressões importadas, tentam dar ao texto o necessário toque técnico, cultural e ou modernaço).

BOA TARDE

(1) EU FRACO "ESCRITOR" ME CONFESSO!

Não sei no que é que isto vai dar!
Abri este Blog há uns anos.
Andei entretido com outros.
Um meu (mais propriamente do meu gatão Berrinhos
link no título) e outro para um grupo de amigos, meus colegas de profissão com quem me junto, há mais de 10 anos, todos os meses. O tempo tem sido escasso pelas razões apontadas e portanto o meu blog tem ficado para trás.

Um blog!? Para quê? Porquê?
A minha vida não é tão rica de acontecimentos que se venha a revelar objecto de curiosidade. Não frequento eventos onde se reúnem a nata dos “famosos”.

Não pertence ao “jet-set”.
Não sou ídolo de qualquer desporto.
Não passo férias em iates e as minhas idas ao SPA resumem-se às visitas diárias ao meu “poliban”, e os projectores que me permitem (já com alguma dificuldade…) ver aquilo que lavo, não contribuem para o meu bronze.
Não sou escritor. Porém gosto de me entreter a teclar.
No entanto, não aprecio teclar nos “chats”. Acho “chato” falar com os dedos quando posso falar com o órgão próprio para o efeito e (também) de “borla”…
No entanto, para não parecer “careta” e como se costuma dizer... quando não os podes vencer… junta-te a eles,frequento (apenas)o FaceBook apesar de “estar” no Twitter, no Hi5, no NetLog, no LinKedin... etc. – é verdade ainda há mais!
Sou mais de Skype e (ou) Messenger mas só para quem mostra a cara! Ou então faz parte dos meus conhecidos.
Do meu ponto de vista, no Blog, falo – vou falar - comigo.
Embora o acesso seja livre, apenas o divulgarei junto de amigos.
Porque eu tenho amigos com quem me encontro. Com quem “falo” de verdade. E naturalmente que, fazendo parte da minha vida, irão fazer parte do meu blog.
Têm pois todo o direito, se quiserem, de saber o que sobre eles escrevo.
O Blog é para mim. Não estará dependente da recepção de comentários exteriores.
O Blog é mais uma forma de eu colocar a massa cinzenta a funcionar.
Não tenho arte (nem conhecimentos quer próprios quer com terceiros) para escrever um livro. E tenho a certeza que tinha muito para contar. Como qualquer pessoa.
Confessando-me escritor frustrado... fico-me pelo Blog.
Enfim: uns entretêm-se com o Sudoku, outros navegam nos vários sites sociais, outros vêm pornochanchada, outros ainda jogam através da Net o gamão e o poker ou afinam a pontaria a matar uma série de “bonecos”.
Eu vou abrir o meu Blog. E voltando às primeiras linhas, enquanto retempero forças após o abandono de outras tarefas “bloguistas” vou, nos primeiros “posts” recordar uns escritos que “publiquei” (??!!) aqui há uns tempos num jornal (??!!) mensal.
Aliás, com a minha idade, estando a palmilhar a última etapa da minha vida, o que tenho mais são... recordações...

Cândido Neves