terça-feira, 31 de julho de 2012

(58) OS MOÇOS DE FRETES

MOÇOS DE FRETES

ANTIGAS PROFISSÕES DE LISBOA 
Chegaram hoje (mais uma vez) às minhas mãos várias fotos (34) de personagens de Antigas Profissões de Lisboa. 
E desta vez não posso deixar de publicar a dos Moços de Fretes. É que veio à minha memória dois dos meus familiares cuja profissão era precisamente a de Moços de Fretes. 
O primeiro da família, foi o meu avô paterno, de seu nome Serafim das Neves, que não tem a ver com o defesa-direito, com o mesmo nome,do Clube de Futebol os Belenenses na época das "Torres de Belém" (Capela, Castela, Feliciano...). O meu avô foi toda a sua vida Moço de Fretes. 
O segundo familiar com a mesma profissão foi meu tio David (já falecido) que terminou a sua vida activa como taxista. 
A "esquina" onde o meu avô fazia serviço era no cruzamento da Rua do Comércio com a Rua da Madalena, onde termina a Rua dos Bacalhoeiros. 
A de meu tio era na Rua dos Fanqueiros com a Rua da Conceição, mesmo em frente à loja da antigamente muito conhecida casa de malas Teodoro dos Santos cujo proprietário era conhecido pelo Teodoro das Malas e que fundou o Casino do Estoril.



sábado, 21 de julho de 2012

(57) MEDIA MARKT - AFINAL, EU É QUE SOU PARVO!!!!!!!



AFINAL, EU É QUE SOU PARVO!!!!!!! 

Assumo por inteiro ser o único culpado de ter obtido o certificado de parvo, passado pela Media Markt. Aprendi (por onde tenho eu andado...?) que na publicidade nem todos cumprem as promessas com que nos querem aliciar. Ainda por cima considero aquele anúncio deplorável. 
 Mas, "PRONTOS"! Quis dar uma de esperto (não é o mesmo que ser inteligente) e corri lampeiro até à Media Markt para fazer uma compra e ao mesmo tempo dar brilho ao meu ego. 
Tomando aquela postura de decidido e inultrapassável ser em vias de alcançar o patamar a que se candidatam todos clientes da MEDIA, entrei no espaço comercial que, segundo o anuncio, me colocaria alto na hierarquia dos bem-sucedidos gastadores de dinheiro. A publicidade (alguma!) tem o condão de desencadear aqueles delírios. 
Nas compras sou rápido pois normalmente já sei ao que vou. Portanto, rapidamente saí do estabelecimento com uma máquina de café expresso Krups, mod. XP 522 num enorme saco de plástico, publicitanto a MEDIA. Antes, pela transferência da propriedade do aparelho paguei a quantia de 189 euros, cumprimentando-me pela genialidade de ter seguido o conselho publicitado, escolhendo um local de compra que me distinguia do exército de PARVOS que não acreditam na publicidade da MEDIA MARKT. 
Tenho aqui que dar o merecido relevo à simpatia dos empregados com quem contactei. 
Porém, Mundo Cruel! 
A felicidade e estado de seguro encantamento só me envolveu durante três dias. Tantos quantos decorreram até, sem o ter feito propositadamente (tenho sempre medo de comparar preços depois de fazer qualquer compra) e estupefacto, até por se tratar do CORTE INGLÊS que é considerado um estabelecimento "carito", ali encontrei o mesmo modelo adquirido na Media Markt mas… por 179 euros! 
FIZ AS CONTAS! MENOS 10 EUROS!? 
Então eu tinha pago mais 10 euros naquela loja, lado a lado com a CATEDRAL, para não ser PARVO?? 
 Ia tendo um "fanico"! 
Procurei ansioso nas proximidades a existência de informação sobre "rebajas" especialmente direccionadas para maquinetas de café ou qualquer indicação, sei lá (?!) que informasse estar a Krups a desfazer-se de material defeituoso. 
Mas não! 
Tive de me conformar. 
Tinha pago mais na MEDIA MARKT!!! 
Nos tempos que correm dez euros já começam a movimentar as células cerebrais onde moram as nossas máquinas de calcular ultimamente a ferver para encontrarem a formula de como poupar uns euritos. 
Mas, enfim, o estrago não o poderemos considerar como um “estrago” catastrófico. 
Importante para mim foi o descobrir qual o preço a que está cotada, no mercado, a diferença entre UM PARVO E UM ESPERTO: 10 (DEZ) euros! Sempre a aprender! 
Cuidado! 
A CATEDRAL tem um ateu mentiroso, mesmo à porta! 
Cumprimentos

 PS: Já telefonei aos meus amigos confessando que afinal a compra que tinha feito e de que tanto me auto elogiara tinha sido um “flop” . SEJA PARVO COMO EU! EXPERIMENTE A MEDIA MARKT!


BOA TARDE


quinta-feira, 3 de maio de 2012

(56) O CHAFARIZ DO LARGO DA ACHADA

AGRADECIDO A "LISBOA QUASE ESQUECIDA"



Lisboa quase esquecida Um amigo de longa data resolveu incluir-me num Grupo de Amigos que no FaceBook abriram uma “janela”, a que deram o nome de “Lisboa Quase Esquecida”. 
Lisboeta, nascido em Alfama, agradeci-lhe a ideia e sobretudo o convite. E estou cada vez mais grato pois as imagens que têm sido publicadas são, na sua grande parte, pedaços da minha memória, fazendo-me recordar a infância e juventude calcorreando as ruas desta linda cidade que também foi meu berço. Aperceber-me da quantidade de pessoas que têm visitado aquela página e ler os comentários que acompanham as fotos tem-me deliciado e obrigou-me a reflectir sobre o que esta cidade foi e o que é. E sobretudo… que nela vivi, desde sempre, já lá vão mais de 70 anos. Aquela onde dei os meus primeiros passos, depois de passear ao colo dos meus familiares. Nunca tive carrinho de bebé e na altura, mais esperto do que sou hoje, atrasei o “andar” já que era menos cansativo beneficiar de boleia. 
Como todos os que se entretêm com esta coisa da Net, tenho recebido ao longo dos últimos anos, várias apresentações em Power Point com fotos de Lisboa antiga, às quais não dei a importância que agora me foi desperta pelos amigos que arrancaram com a “Lisboa Quase Esquecida”. 
É um consolo saber que ainda existem “amigos” cujos comentários confirmam a existência de lisboetas, naturais ou não, que me falam de Lisboa antiga. Que também cá andaram e, mais importante, ainda cá andam(os)! 
Resolvi, a partir de determinada altura dar o meu modesto contributo, vasculhando no meu baú algumas fotos que pareceram poder serem apreciadas. Assim, já enviei umas tantas e fiz alguns comentários - às minhas e principalmente às de outros amigos - que muito me sensibilizou terem sido alvo da leitura e até de alguns… “likes”. 
Ao pesquisar mais umas fotos para a “Lisboa Quase Esquecida” encontrei uma, de um chafariz, que publiquei no FB e que também por aqui, no blogue, ficará. 
Chafarizes existiam em Lisboa. Vários e até numerosos. Alguns, autênticos monumentos localizados em zonas de visibilidade e outros modestos, espalhados por bairros com a mesma condição. 
Um deles, a que me quero referir – o tal que está no retrato – localizava-se no Largo da Achada, a meio da Rua da Achada, no interior do Bairro de S. Cristovão. Já tinha passado pela foto em Outubro de 1999 misturada com outras, de tal modo que então me passou desapercebida. 
A entrada na 3ª idade é ingrata. Falha-nos algumas coisas, o corpo e a memória já não são o que eram. No meu caso, para além dos normais “achaques” de velho, notei que o “passado longínquo” (Alzheimer?) me vem cada vez mais à memória e até me deu para sobre ele (e não só) “escrever” (?) abrindo um Blogue há um par de anos.
Finalmente! O chafariz do Largo da Achada faz-me lembrar o meu avô paterno, moço de fretes, com “escritório” na esquina da Rua dos Bacalhoeiros/Rua da Madalena/Rua do Comércio. É que ele morava numa “Casa da Malta”, num 4º andar de um prédio, exactamente a 20metros daquele Chafariz. Teve como companheiro de “camarata” meu jovem pai, chamado da aldeia Beirã onde nasceu. 
Um dia destes, neste Blogue, irei contar umas coisas que agora me vieram à lembrança sobre moço-de-fretes, Casas da Malta, etc.. Lá está! O meu “síndrome memória-velhice- pós 3ª idade”. 
Boa tarde!








quarta-feira, 18 de abril de 2012

(55) HIGIENE “TUGA” - Local específico: sanitários



Num Centro Comercial algures em Lisboa. 
Quase meio-dia. 
Acabei de aliviar a bexiga ou seja... “mictei”. Ou ainda “tirei a água do joelho” ou “coloquei o chapéu de chuva a escorrer” expressões marialvas, supostamente graciosas… 
Já lavei as mãos. 
 A propósito de higiene: eu até lavo as mãos antes de… Tenho muita consideração por um órgão que, apesar de presentemente já não ter a importância de antigamente, não posso descartar totalmente. É assim como um tipo de respeitosa homenagem. 
Olho à minha volta, enquanto seco as mãos naqueles aparelhos extremamente ruidosos e que às vezes até debitam ar quente. É preciso muita pachorra e tempo livre para se sair com as mãos secas. 
 Em posição, junto aos urinóis, dois indivíduos vão tratando de satisfazer as suas necessidades fisiológicas enquanto outros dois se afastam, correndo o fecho “éclair” da braguilha. 
Um deles, de meia-idade, finge passar as mãos por água e pelo seca-mãos. Sai rápidamente para o exterior, acionando o puxador da porta, que fica húmido. 
Um segundo ex-aflito, já aliviado, aproxima-se. 
Aparentando ter cerca de vinte anos, vestia uma camisa vermelha ostentando um logotipo no bolso. Não consegui descortinar o seu significado. Num local daqueles, fixar um parceiro mais de vinte segundos é muito perigoso pois a olhadela pode ser mal interpretada. 
Bem… o jovem aproxima-se do comprido lavatório, mira-se no espelho, espreita ambas as faces com toques narcisistas, passa os dedos pelo cabelo esticando para o alto a crista saturada de gel (Gel Fluído, Absolute Wet - Brilho Extremo…) ignora a torneira com temporizador e dirige-se para a saída. 
Sigo-lhe os passos e esgueiro-me aproveitando a porta por ele aberta.
Fico parado um instante decidindo o rumo a tomar e duvido da minha visão quando topo o rapazinho de vermelho a dirigir-se para uma hamburgueria, agachar-se para passar através de um buraco para dentro do balcão, levantar-se, cumprimentar um colega e começar a atender um cliente. 
Arquivei o nome da hamburgueria (não que eu me perca com aquele tipo de pitéu) que tem no seu quadro de pessoal, pelo menos, um funcionário que não prima pelo asseio. Ou seja, um porco! 
Comida, ali? “Jamé”! 
Não sei se poderia exigir o livro de reclamações, não tendo "feito despesa". 
Retirei-me a pensar na ASAE e nas armadilhas a que nos espreitam em tudo quanto é lado.

 * Sempre estanhei o facto de, para distinguir os sexos (opção cada vez mais difícil) que devem transpor cada uma das portas dos sanitários, uma delas, se identifica com a letra: H que quer “dizer” Homens e a outra tem um S que quererá “dizer” Senhoras. Porque não pespegar nesta última a letra M de Mulheres? E por que não, em alternativa, uma sinalizada com Srs. e outra com Srªs.. Fica a sugestão. Apesar de nem sempre serem verdadeiros homens (?) os que utilizam a porta H e também não são sempre Senhoras (?) as que entram pelo S.  


Saúde e não esqueçam.
Sorriam... sempre!!!

domingo, 18 de março de 2012

(54)DO BALCÃO DO BBI ESTRELA PARA… C. SODRÉ (de 1973 a 1981)




“Pergaminho” oferta de Nelson Neto,
um dos elementos da da Comissão Organizadora do Convívio do "Club dos 22"(vulgo “DUQUES DA TERCEIRA” ) no dia
3 de Dezembro de 1982

Pormenor do “Pergaminho”





Capa das ementas



Em dado momento, quando estive como responsável principal da “Dependência” da Estrela do Banco BBI - quatro anos desde Outubro de 1973 - resolvi falar com o colega António Figueiredo (AF) para lhe tansmiti o desejo de se promover um convívio fora das horas de serviço, que abrangesse a totalidade do quadro de pessoal.
Alguns de nós convivíamos, com alguma assiduidade após o período laboral, num restaurante/tasca próximo do local de trabalho. A minha intenção era promover um encontro em que fosse possível a presença de todos, sem excepção.
Na opinião de AF a concretização da ideia poderia passar por se propor um jantar na quadra de Natal.
Ficou então decidido, entre nós dois, elaborarmos uns estatutos para posterior apresentação junto do resto dos colegas para analisarem, agendando-se então uma data para sua discussão.
Assim, ele e eu próprio (pouco…) lá transpusemos para o papel umas ideias, a que demos o nome pomposo de estatutos. O resto resume-se: os estatutos (normas?) foram aprovados e de acordo com os mesmos, durante 3 anos lá nos encontrámos pela época Natalícia. Depois do jantar íamos conviver para qualquer outro lado. Tendo em atenção que na altura trabalhavam no Balcão duas senhoras, os locais da continuação do convívio eram cuidadosamente escolhidos.


A conta para recolha das “quotas” foi aberta como “COOPERATIVA GASTRONÓMICO VINICOLA DA ESTRELA. Na altura, a abertura de contas de depósito não estavam sujeitas às apertadas normas e condições actuais. Presentemente seria impossível constituir aquela conta.


Os referidos “estatutos” acompanharam-me quando em 1977 me apresentei na Dependência do C. Sodré (mais tarde passaram a denominar-se Balcões..) para onde fui designado como responsável principal.


No novo local de trabalho, foi com o saudoso Sicilliani Nogueira (SN) que contactei no sentido de seguirmos o exemplo do convívio que tão bem correra na Estrela.


O SN achou um bela ideia e desde logo começou a estudar os estatutos que eu lhe entreguei e procedeu às alterações que entendeu estarem mais de acordo com a realidade de um Balcão que tinha quase o dobro de funcionários do que aquele de onde eu tinha vindo.


(Estatutos que regulamentavam a actividade dos “Duques da Terceira/Clube dos 22 “Nota: Mais tarde, chegámos a 24)




Durante os quatro anos em que permaneci no C. do Sodré em todos os Natais foram organizados convívios. Antes do jantar, em cada ano, tínhamos sempre algo de diferente onde passarmos alguns momentos, como “ aperitivo”.
Lembro-me de termos convivido no Solar do Vinho do Porto, de uma visita a um cargueiro atracado no Cais da Matinha, de uma visita ao Teatro de S. Carlos com audição de um peça lírica (piano e tenor), e ainda de uma volta por Lisboa, em elétrico para turistas, com os organizadores do convívio vestidos a rigor. Ele como aguadeiro e ela como varina, servindo bebidas enquanto passeávamos.

Num ano o jantar teve lugar no Casino Estoril, noutro no célebre 31 da Armada. De outros locais, não tenho quaisquer registo escrito pois apenas possuo os que acompanham este texto.
Para terminar, depois do jantar, passávamos por uma casa de fados ou por qualquer bar com música ao vivo.




(Ementa do jantar de convívio em 4 de Dezembro de 1981)

E lá fomos, pelo Natal, todos, durante alguns anos, passar umas belas noites de amizade.
Mesmo depois de eu ter saído da C. Sodré (
1981, para abrir uma Dependência na Columbano Bordalo Pinheiro) os jantares continuaram e de acordo com os “estatutos” eu continuei a estar presente – pagando as quotas… de acordo com os estatutos…
Presentemente, para os actuais bancários, a trabalharem em Balcões com um quadro de 3 ou 4 funcionários, estas histórias devem parecer ficção científica… Eles nem têm condições de almoçar nos dias úteis.




"O "plantel" da Dependência do C. Sodré








2012 03mar18