terça-feira, 19 de julho de 2011

(51) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I I I

O PRIMEIRO PNEU A FURAR




AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)





Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade"




Ainda não eram 9 horas já me encontrava ao volante do pequeno Subaru pronto a iniciar uma viagem que ficaria para sempre na minha memória.
A partida foi junto ao Hotel Ambos Mundos, Havana Velha.
Ao meu lado, a Nela. O nosso guia encaixou-se na traseira (era quase da minha altura, teria um metro e oitenta), sentado na ponta do banco, braços apoiados nas costas dos bancos da frente, espreitando entre as nossas cabeças.






Já no autocarro durante o percurso do Aeroporto para o nosso Hotel, eu tivera a oportunidade de reparar no mau estado do pavimento das estradas e das ruas da Capital Cubana.



Agora, ao volante, obrigado a uma permanente gincana, tomava contacto directo com a realidade de um péssimo piso. Lá fui tentado ingloriamente, na maior parte das vezes, evitar autênticas crateras semeadas ao longo do percurso.
Saindo da cidade, entrei na “auto-estrada” (?).
Para quem conduz nas estradas Portuguesas é suposto já não ser surpreendido com o que lhe possa aparecer pela frente. Porém, transitar numa auto-estrada cubana foi para mim uma experiência única e de perfeito delírio.



Ciclistas circulavam alegremente em contra mão.



Automóveis invertiam a marcha aproveitando as inúmeras “entradas” onde as pedras tinham desaparecido do separador central, tipo passeio.



Debaixo de viadutos, magotes de pessoas protegiam-se do sol, aguardando a paragem de um veículo que lhes desse uma boleia. Vi duas ou três camionetas de caixa aberta estacionar em várias daquelas “paragens”. Dali seguiam viagem com carga e uma lotação esgotada de passageiros que, em equilíbrio instável, lá se agarravam uns aos outros, ocupando todos os centímetros disponíveis.
Já dentro da cidade eu presenciara cenas idênticas.





Era (é!!!) assim que a população beneficia do apoio social sob a forma do transporte gratuito, uma das bandeiras do governo. A idade, o estado de conservação da maioria daqueles veículos de carga, e ainda o as esburacadas ruas e estradas, não permitiam velocidades acima de uns “saltitantes” 50 kms/ hora o que talvez explique não ter encontrado um ou mais corpos espalmados no solo.
Retornando à estrada.
Passara pouco mais de uma hora desde que partira de Havana, quando o volante decidiu guinar para a direita, ao mesmo tempo que detectámos um barulho de ligeira derrapagem.
- Pneu furado - dissemos a uma voz.
O nosso amigo chamou-lhe “pinchazo”! Mas furo é furo, em qualquer idioma. Claro que me lembrei logo do que ouvira sobre o “racionamento de pneus”, aquando do aluguer da viatura. Não gostei!
Mas estamos de férias! Em Cuba! Vamos numa de desportiva! Saímos do carro e sem surpresa lá vimos o pneu vazio e espalmado.



O “Paco”, nome fictício, apressou-se a proceder às manobras usuais para a troca de pneu. Foi rápido e eficiente: ganhou um dólar, pequena fortuna num País onde um cirurgião ganhava 28 dolares… mês!!!
Antes de arrancar (o carrito “pegou” sempre à primeira) ficou logo combinado que a primeira e próxima paragem seria para mandar remendar o furo. Avisei que, se não fosse possível fazê-lo nos próximos 10 kms.,voltaríamos de imediato para trás, em direcção a Havana.
- Que “no”!!! “Hay un taller” já ali à esquina… - descansou-me…pouco…, o “Paco”.
E mandou-me seguir em frente.



Após meia dúzia de quilómetros saíamos da auto-estrada para uma estreita via de alcatrão e passámos por debaixo da auto-estrada. A paisagem tornou-se bastante árida e a estrada virou terra batida.
Felizmente durou pouco a poeirada.
Virei à esquerda, cumprindo com as indicações do guia e fiquei de boca aberta.






“Então é assim”!!! À sombra de um telheiro de um imóvel térreo, vários sujeitos tratavam de umas bicicletas enquanto outros permaneciam sentados. Eu já tinha visto cenário semelhante em “road movies” com aqueles postos perdidos numa qualquer estrada do interior, à entrada de um deserto tipo Vale da Morte.
Apenas a música, sempre presente em Cuba, quebrava o silêncio no local. Dava para desconfiar. De certeza que o “homem do taller” não estava presente.



Bruxo!!! Aí, mais uma vez, o “Paco” se disponibilizou para resolver o problema. Eu entretanto saíra do carro.
Antes de estacionar reparara que, debaixo de uma árvore existente perto da “oficina”, aí a uns 20 metros, estava parado um Oldsmobile amarelo. Dois tipos permaneciam debruçados sob o “capot” levantado. Um deles exibia uma indumentária coberta de óleo.
Consegui, sem incomodar os presentes, meter a cabeça naquele espaço imenso que aloja um motor de carro americano… do antigamente. Cabia lá o meu Twingo…
E foi então que tive mais uma surpresa naquele dia. O motor (?) era assim do tamanho de um aspirador doméstico.
- Buenas… - avancei - Pero que motor más chiquitito… será que es cumpridor??? (Aqui lembrei-me da anedota já com barbas).
Após breve conversa fiquei a saber que os motores originais, a gasolina, gastando mais de 20 litros aos “cem”, tinham sido substituídos por pequenos motores a gasóleo. Deu para entender porque razão eu tinha dado um “bailarico” às banheiras que ultrapassara na auto-estrada. Aqueles “pesos-pesados”, com pintura retocada à trincha e cheios de cromados “picados”, espelhos, antenas, galhardetes no interior e tampões com “aplicações” nas jantes, não passavam dos sessenta… nem a descer.
Voltando ao furo...



Não me deu uma coisinha má, apenas por acaso, quando o “Paco” chega junto a mim, ainda com o pneu furado na mão e me diz que não há hipótese de ser arranjado na hora e que o melhor (que remédio!) … - é deixá-lo e vir recolhê-lo mais tarde.
- E para passar o tempo … - acrescentou - devíamos aproveitar, e dar uma saltada a Soroa. Fica a pouco mais de 5 kms - afirma ele pertencendo descansar-me.
- De certeza que seria muito azar se sucedesse qualquer percalço - (tradução livre) – acrescentou.



Em tempo: Soroa não constava do plano de viagem como a primeira paragem da volta turística, mas sim Piñar del Rio, cidade localizada a Oeste de Havana. Conhecida por possuir a maior plantação de tabaco da Ilha, é ainda uma estância turística que possui um belo Hotel com piscina a condizer.
Por motivos óbvios todo o itinerário teve de ser alterado. Acabámos por almoçar em Viñares .Um dia contarei a aventura que foi a minha estadia aquela última cidade, do cozinheiro que conheci na “musgueira lá do sítio”, do almoço na pousada, do táxi clandestino, da “rica” cubana que no seu domicílio nos vendeu charutos depois de termos “fintado” a polícia , enfim… recordações inesquecíveis. Arrepiantes para alguns.



E o ”Paco” continuava entusiasmadíssimo (?!).
- Damos una vuelta para ustedes verem as paisajes, e volveremos para levantar o “neumático” !
Eu ia passando-me dos carretos:
- Mas… como!? “Paco!!! – atirei eu quase aos berros - Queres convencer-me a sair daqui, sem “neumático” sobressalente, sujeito a novo pinchazo? Numa tierra com problemas para se encontrar neumáticos!? És “loco”? Yo, no lo soy!!!
- Por Dios – interrompeu o cubano - que mala suerte!!! Vamo-nos… sin miedos...

C´os diabos… com tamanha devoção e fé em Dios, eu, sem o apoio de minha mulher que ria da atitude desenrascada do puto cubano, atirei com os medos para trás das costas e depois do pneu depositado à porta do “taller” fizemo-nos à estrada!
Que se lixe!



Não era aventura que eu queria?
Qual inconsciência…?!



Prá frente é que é o caminho!





Próxima etapa: o 2º furo

NOTA: Esta série de relatos, de "cariz rodoviário," tem apenas como tema as peripécias ligadas aos furos dos pneus. Outras situações, que talvez eu não tenha coragem para repetir, serão objecto de futuros “capítulos” que penso publicar aqui neste meu blog.








CUBA HOTEL AMBOS MUNDOS http://www.youtube.com/watch?v=jEpSTG6wKYA
CUBA LA BODEGITA DEL MEDIO http://www.youtube.com/watch?v=IQyNl5zqA1E
CUBA TRANSPORTES GRATUITOS http://www.youtube.com/watch?v=m_-ASeAYNWI
CUBA 1ª MUDANÇA DE PNEU http://www.youtube.com/watch?v=t33HT4QFjqc
CUBA ESTAÇÃO DE SERVIÇO http://www.youtube.com/watch?v=C2U0asRD9dU

domingo, 10 de julho de 2011

(50) ADEUS! ATÉ BREVE! MEMÓRIA A UM AMIGO

Há cerca de ano, correu a notícia do seu falecimento.



Após vários contactos soube que afinal não passara de um boato. Provável confusão entre nomes.
Anteontem atendi um telefonema de um comum amigo. Desta vez a notícia era verdadeira. Ele falecera. Vítima de cancro.
Se fosse um “famoso”, “vip” ou figura pública digna de parangonas, dir-se-ia que falecera de doença prolongada. Lamentavelmente não sei se foi muito ou pouco prolongada. Só me disseram que ele morrera.




Eu estava a trezentos quilómetros de Lisboa, com o regresso marcado para a manhã em que se iria efectuar o seu funeral. Compromissos não permitiriam estar presente na cerimónia.




Trabalhámos, em dois balcões do Banco. No Cais do Sodré e na Av. Columbano Bordalo Pinheiro. Ele como promotor comercial fez parte do quadro de pessoal daquelas duas Dependências bancárias onde “estive” Gerente.




Em linha recta, as nossas moradas distariam pouco mais de quinhentos metros.
Inúmeras vezes fizemos juntos o percurso casa/trabalho e vice-versa de carro ou de comboio. Confraternizámos em inúmeras reuniões familiares.
Morando perto do Casino Estoril, algumas vezes tentámos a sorte nas “slots”. Partilhámos segredos e paródias em saídas nocturnas, quer sós, quer com outros amigos.




Acompanhei o percurso escolar e académico de sua filha, estudiosa e inteligente que, rapidamente e sem uma perda alcançou a meta que sempre ambicionara: ser Juíza.




Fomos igualmente confidentes de toda a sorte de questões particulares. Estive presente enquanto aguardou, já com idade madura, preocupada e ansiosamente o nascimento do seu segundo filho: o Francisco.




Estupidamente e sem que possa, neste momento, lembrar e portanto entender da razão e do porquê, as nossas vidas desencontraram-se. Abruptamente as nossas relações terminaram. O diálogo que tanto prezámos transformou-se subitamente num silêncio incompreensível e inexplicável.




Irracionalmente deitámos para o lixo anos e anos de amizade que se poderia classificar como a de irmão para outro irmão.




Partiste sem que eu te tenha prestado a singela homenagem de estar presente na tua partida.




Aguarda, Fernando Santos, um dia destes estarei contigo e então abraçar-te-ei de novo. Iremos recordar a nossa amizade e esqueceremos todo o tempo em que egoisticamente nos ignorámos.



(Algarve - Rally Paper BIBIO's)





CÂNDIDO NEVES

terça-feira, 5 de julho de 2011

(49) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I I



PARTE I I
ALUGANDO A “VIATURA”

OS PNEUS NÃO SÃO ABRANGIDOS PELO SEGURO DE ALUGUER DE VIATURAS
AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)

Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade" .



Voltemos ao Hotel, para negociar o aluguer da viatura.


No hall, à direita, depois de franqueada a porta de entrada, detectei uma secretária meio escondida por um biombo de vidro opaco carregado de folhetos turisticos.


Sentei-me com o "meu" cubano. Aguardámos um pouco.


Fomos atendidos, pouco tempo depois, por um sujeito com bom aspecto. Estatura média, pela sua tez escura e formato de rosto pareceu-me ser de origem indiana. Vestia camisa branca, gravata, colete, calça e sapatos pretos.
Cumprimentou-me não dando pela presença do “guia”. Já tinha reparado, no Hotel onde estava alojado e sempre que entrava com o "guia" nalgum estabelecimento que ele não era bem aceite. Falavam-lhe "por cima da burra" olhando para mim e para a Manuela. Ainda me lembro do "caso" da farmácia para turistas. Talvez um dia conte...



Obriguei-o a prestar atenção ao meu “cubano” dando a entender que era com ele que teria de fazer as despesas da conversa. As outras despesas seriam comigo!
O funcionário, deve ter concluído que eu não entendia o espanhol da ilha, e preferindo ignorar a minha vontade, dirigiu-se-me num Inglês/castelhano/caribeño. Respondi-lhe no meu melhor Inglês (tenho uma certa vaidade na minha pronuncia) e devolvi a palavra ao meu “amigo”. Finalmente o senhor importante viu-se obrigado a dialogar com o guia promovido a meu “secretário”. Eu fiquei calma e atentamente à escuta.
Depois de demorado diálogo e após o meu consentimento, ficou estabelecido o preço do aluguer por um dia (não o de 24 horas…) com a tal manhã seguinte “à borla”, vitória alcançada pelo meu “assessor” que assim concretizava a sua promessa de me poupar umas massas.
Porém, antes de assinar o contrato vi-me obrigado a interpelar o “vendedor” acerca de algo que me parecera ouvir e que não me soara lá muito bem, Qualquer coisa acerca de uma alínea “especial” inserida nas condições gerais da apólice de seguro e que impedia à cobertura total da viatura.

E eu entendera bem, pois confirmou que o seguro do veículo não abrangia os pneus!!! Surpresa, pois para mim os pneus faziam parte integrante do veículo.
Mas não! Aliás até se apressou a aconselhar que eu recolhesse o carro numa garagem para “pernoitar”, pois deixá-lo ao relento seria habilitar-me a vê-lo na manhã seguinte em cima de cepos ou nem isso... Ladrões?
Achei estranho.
Nos dois dias que levava em Havana “La Vieja”nunca me sentira inseguro. Pelo contrário era palpável a sensação de segurança. Aliás, cada esquina… um polícia. Normalmente em conversa com umas señoritas em poses bem “explicitas”, de todos os géneros e feitios sem faltarem as incontornáveis gorditas com apertadíssimos calções de Lycra vermelha ou amarela e decotes mais que generosos.
O semblante dos agentes da autoridade em permanente diálogo com as señoritas variava entre o carrancudo mais ou menos agressivo e a sonora gargalhada.




(esta señorita" espreitava os movimentos de turistas na porta da Bodegita)

Voltando aos pneus. A explicação era simples! Na Ilha não existiam pneus de reserva! Os “neumáticos” importados são prioritariamente destinados aos carros do Governo, aos do Exército e para as delegações de Estados estrangeiros. ~


Naquela altura eu devia ter desconfiado. Mas o senhor do aluguer apressou-se a dizer que o carro que eu levaria no dia seguinte logo pela manhã estava (tinha sido) calçado há pouco, até tinha pneu sobressalente e eram todos eles praticamente novos.

Bem! O melhor é não pensar mais. Vamos lá pagar a conta!
Não aceitavam cartões que tivessem em destaque a palavra América, como os da American Express ou do Banco da América. Estranhamente, aceitavam em todo o lado notas de dólar que constatei ser a “moeda corrente” em toda a Ilha. Não vi uma única moeda cubana.
Entreguei o VISA que, esfregado manualmente na máquina, lá foi debitado pelo valor do aluguer e do seguro.

Para terminar e para podermos confirmar o “bom” estado dos pneus levou-nos até junto da viatura estacionada numa viela frente ao Hotel.

Era um pequeno SUBARU VIVIO Gli vermelho.


(Anomalias? Ah!!!)

Fiquei "um pouco" surpreso. Verdade que eu avisara o meu amigo que não estava muito (nada!) disposto a gastar uma fortuna com o aluguer. Nada de carros de gama alta! Alto sou eu!!!


Claro que, quando paguei e ouvi que ia alugar um Subaru fiquei surpreendido pela conta cujo valor achei razoável, dentro das expectativas e sem abalo para o meu orçamento. Claro que não estava à espera de um Impreza. Eu nem sabia da existência do modelo VIVIO... Mas... "aquilo"? Na traseira, um buraco no local onde estivera em tempos longínquos a fechadura da porta da bagageira. A pintura já vira melhores dias. Um ou outro buraco, poiso inicial de acessórios entretanto “desaparecidos” e umas pequenas manchas, que denunciavam que a ferrugem iniciara há muito a sua corrosiva missão, completavam a decoração. Que saudade do meu Twingo com tejadilho de abrir…


Bem... mas já era tarde e eu não tinha disposição para ir aturar o sujeito de fato preto. Não era aventura que nós queríamos?

"Conferi" os pneus. O rasto e as paredes laterais, aparentavam bom estado - incluindo o sobressalente – de acordo com o que nos tinha sido dito pelo funcionário da Agência do qual entretanto nos despedimos.


Eu segui a pé até ao Hotel Plaza, ao encontro de minha mulher.


(Hotel Plaza)


O nosso esperto guia foi para sua casa, com a promessa de nos encontrarmos na manhã seguinte, de novo junto ao Hotel Ambos Mundos, para tomarmos posse do meio de transporte e iniciarmos uma tranquila passeata pelos arredores da bela Havana!

Quando eu e minha mulher tivemos a ideia de ir a Cuba (já todo o mundo lá foi, porque não nós também?) prometemos que iríamos à aventura.
Apenas marcámos os Hotéis (alojamento e pequeno almoço) e tentaríamos meter o nariz onde o turista “vulgar” não fareja. Conseguimos. Nem nos passou pela cabeça as notícias frequentes sobre turistas assaltados, roubados ou alvo de outras situações bem graves algumas com resultados fatídicos.

Queríamos gozar a estadia o mais possível e fugir à rotina das viagens programadas. Estávamos bem dispostos, com saúde, vontade de viver e casados (de papel passado!) há oito dias.
Que se lixe!!! Morra quem se negue!


A seguir:
PARTE I I I
– O Primeiro furo (a 150Kms de Havana, perto de Soroa)


segunda-feira, 4 de julho de 2011

(48) 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS- PARTE I

AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)

PARTE I
A ideia: alugar uma viatura


Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade" .



O nosso “guia privado” era jovem. Casado, com uma filha, fora figurante num filme cubano, frequentava um curso de psicologia, não tinha carta de condução e era guia “free-lancer” para ganhar uns dólarzitos. Tipo “Geração à Rasca”, mas daquela procura trabalho esgravatando e correndo alguns riscos, conforme me apercebi à medida que o fui conhecendo. Um dia talvez conte como o conhecemos. Foi uma lição de vida .

Eu acabara de lhe transmitir o propósito de alugar um dos “chassos” norte americanos, com motorista, para uma viagem pelos arredores da Cidade. Ou seja, uma das inúmeras “banheiras”que se vêm pela ilha (exceptuando na zona de Varadero!!!) e que se deslocam à velocidade de um caracol.


Aproveitaria para visitar, a 12 Kms. de Havana na vila de São Francisco, a “casa do Ernest Hemingway” transformada em Museu Estatal assim a modos como o turista que passando por Roma quer (tem de !!!) ver o Papa.


(Pormenor da casa de Hemingway)


Em resposta à pergunta, informei que sim. Possuíamos carta para conduzir (achou estranho minha mulher ser “encartada”). Imediatamente me propôs que eu alugasse uma viatura sem condutor.
Para o “nosso” simpático cubano, era muito mais interessante irmos os três com ele a traçar a rota.
Nada de estranhos. Segundo ele, poupar-se-ia o custo da refeição do motorista.
Assegurou que a despesa total andaria “ela por ela” acrescendo ainda a vantagem, não passível de contabilizar - sempre em dólares USA… - de ficarmos livres para andarmos por onde nos desse “en las ganas”.
Sendo de opinião que o melhor período para visitar o “Museu” seria da parte da manhã, prometeu encarregar-se de dar “a volta” à empresa de aluguer, para que ficássemos com a viatura até final da manhã do dia seguinte ao do aluguer, sem qualquer ónus pela extensão do contrato.
E lá nos guiou até ao “Hotel Ambos Mundos” em cujo átrio estava instalada uma empresa de aluguer de automóveis.



(Hotel Ambos Mundos)



O Hotel em questão (o favorito do “Ernest”) situa-se na famosa “Calle Obispo” onde se encontra a célebre “La Bodegita del Medio”,




(La Bodegita Del Medio)


(La Bodegita Del Medio - frequentadores animados cantando)


uma das tascas mais conhecidas em todo o mundo na qual, claro, o omnipresente “Ernest” (que parece rivalizar com o “Che”) virou inumeráveis copos de “mojito”. Testemunham o facto, várias fotos espalhadas pelas paredes daquele estabelecimento, onde é impossível encontrar uma nesga de espaço disponível, já que todas elas se acham saturadas de muitos milhares de autógrafos inscritos a lápis, caneta, à navalha. É só ver o aspecto já aqui em baixo.


A seguir:
PARTE I I - O ALUGUER DA VIATURA
(OS PNEUS NÃO SÃO ABRANGIDOS PELO SEGURO DE ALUGUER DE VIATURAS...)




MEUS VIDEOS NO YOUTUBE:
Hotel Ambos Mundos - terraço) http://youtube.com/watch?v=jEpSTG6wHYA


(La Bodegita Del Medio) http://www.youtube.com/watch?v=IQyNI5zqA1E