quarta-feira, 3 de agosto de 2011

(52) – 3 (TRÊS) PNEUS FURADOS EM 6 HORAS – PARTE IV

O SEGUNDO "FURO"


Em Soroa, detivemo-nos mais de uma hora, depois de deixar o pneu a reparar na oficina, à distância de uma légua.

Desfrutámos a paisagem luxuriante daquela bela região. Embrenhámo-nos naquela exuberante e diversificada vegetação, passeando por veredas entre regos de água cristalina, descansámos junto à célebre cascata, etc..




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Enfim... tudo o que poderá ser visto (recomendo!) em fotos ou vídeos nos inúmeros sites na Internet - bendita e maravilhosa invenção – que nos possibilita não perder tempo ocupando a memória dos cartões das máquinas fotográficas com fotos mais ou menos desfocadas e desenquadradas.

Ou ainda em vídeos cheios de ruído ambiente,- que estragam o dito…, muitas imagens dos pés em andamento - por esquecimento do botão de “record” em “ON” –, vertiginosos relances resultantes da rapidez na movimentação errático/frenética da câmara em travelling ou planos mais ou menos horizontais, “zooms” aplicados a esmo, etc., etc..

O resultado final visionamo-lo (penoso sacrifício), quando os nossos amigos viajados não perdem a oportunidade de nos mostrar – umas fotos e vídeos que “tirámos”… – logo que nos apanham em visita a suas casas, por acaso e triste azar, em cima da chegada da “última” ida ao estrangeiro… ou cá dentro.

É possível melhorar a obra-prima, ligando o PC e “sacando” na InterNet, umas fotos “bué” com as quais podemos embelezar os nossos álbuns.

Ou ainda, aproveitando a evolução tecnológico/informática, enfiar tudo num disco externo de “media” e massacrar os visitantes embasbacados, recitando os elogios do costume face às imagens e sons saltando do “LCD” ou do “Plasma” na sala.

Convém acrescentar ao material recolhido na Net, uma meia dúzia fotos ou pequenos vídeos particulares com o “pessoal”, em pose, frente às maravilhas dos vários “sítios”por onde andámos, para confirmar termos ido ao “estrangeiro”.

Para que o “dono” da máquina também prove que esteve presente, é prática corrente solicitar a um “passante” o favor de carregar no botãozinho de “disparar”. O que se há-de fazer? - aquela coisa do temporizador continua a ser “muito complicado”...
Convém que o convite seja feito preferencialmente a alguém que também tenha pendurada ao pescoço uma maquineta. Talvez não nos corte a cabeça ou as pernas.
Mas… maravilha! Sempre podemos, in loco, verificar no visor LCD a eventual falta de habilidade do desconhecido. Se estiver muita claridade, haverá algum problema em conseguir visionar o trabalho. Não se pode ter tudo.

Como última recomendação, sugiro alguma cautela na escolha do “putativo” fotógrafo.

Convêm precavermo-nos contra aqueles que se apaixonam perdidamente por máquinas e que, por amor, possam desaparecer, correndo, com a nossa debaixo do braço. Com alguma sorte, à noite, num qualquer local de diversão, poderemos ser surpreendidos com a proposta de compra, a preço de saldo, de um máquina que parece mesmo igualzinha àquela que nos roubaram ainda há pouco… Coincidências…?

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Terminado o “desvio”, voltemos a Soroa.

Antes de partir, descansámos um pouco num restaurante/bar/discoteca quase ao ar-livre, apenas coberto por um enorme telheiro de colmo.

Num espaço bem arejado, envolto no perfume inebriante da flora que o rodeia (que imagem poética…), um conjunto musical estava ensaiando o seu “Play-list”. Os clientes, acompanhando corporalmente o ritmo cubano contagiante, não chegavam a meia-dúzia, e o relógio batia o meio-dia.

O ambiente e uma cerveja fresca, bebida com prazer, ao balcão, convidavam-me a ficar por ali eternamente.


O único entrave, que teimava em tentar dar cabo do momento, era a lembrança do Subaru, sem pneu sobressalente e a sempre provável expectativa de vir a ficar pendurado, com novo “furo”, antes de recuperar aquele que ficara a reparar. Situação que o “Paco” teimosamente não aceitava como previsível.

E assim, bebida a “bejeca”, dei ordem de marcha para retorno ao “taller”.

Na oficina paguei, puxando pelos dólares USA, e depois do pneu reparado ter sido colocado na bagageira, partimos ao encontro do almoço.

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Bem…! Talvez venha a ser tema de umas futuras crónicas sobre a viagem a Cuba a publicar aqui no meu Blog - se a paciência me permitir – , as voltas e reviravoltas que demos à procura de um cozinheiro, que o “Paco” nos apresentou, depois de, por mero acaso, o termos localizado numa estrada de terceira, que dava acesso à casa onde o “cheff” vivia.


A casa em questão é uma barraca de madeira nos arredores de Viñares, num bairro tipo Musgueira nos seus tempos “áureos”, e onde supostamente iríamos deliciar-nos - e Paco nunca me deu razões para não acreditar nele - com um almoço de marisco. Que se gorou! Tudo aquilo e ainda o almoço espectacular em Viñares, numa espécie de restaurante/pousada, exclusivo para membros do governo e turistas, com os eternos músicos a tocar para nós.

Talvez me decida a pôr por escrito mais estas minhas aventuras em terras de Fidel.

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À saída de Vinãres, o Paco lançou novo repto: o de seguirmos mais para Oeste em direcção a… não me lembro que terra…, nem as maravilhas que nos esperavam lá…, também não me recordo onde… porque, subitamente o seu discurso de guia turístico foi interrompido… pelo estampido do rebentamento de um pneu!!!
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Uau!!!!!!
- Habemos novo “pinchazo”!!!
Agora sim! Acabara!

Nem quis saber de recorrer a outro taller para mandar remendar o furo. Porque, até para um leigo como eu a diagnosticar furos daquele tipo, era notório que o pneu tinha dado o seu último estoiro, pois, em vez de um daqueles furos a que estamos habituados, apresentava um extenso rasgão. Remendo? Nem pensar…
Não seria nem aquele, nem qualquer outro “Paco”, que me demoveria de fazer inversão de marcha retornando de imediato a Havana, cuja distância, a mais de 200 kms., me parecia mais longínqua, complicada e quiçá impossível de cobrir, que uma ida e volta a Júpiter.

Finalmente o “Paco” não tinha argumentos. Mais! Até concordou suprimirmos a ida no dia seguinte de manhã, à casa-museu do Ernest Hemingway.

- Por supuesto que tienes razón! condescendeu o Paco Vamos-nos y rápido para Havana.
- Rápido??? -
Retorqui - Vamo-nos é devagarito e rezando!

Estranhamente, a minha Nela mantinha o ar de quem desfrutava de uma viagem em Jet Lear, qual CR7 repimpado em jacto de luxo, apreciando as cadeiras estofadas a pele!

Aliás, o bom humor e o modo meio acriançado como ela sempre encarou todas as contrariedades, foi determinante para que o ambiente nunca se tivesse deteriorado e a minha tensão se mantivesse em níveis saudáveis, acabando até por conseguir que eu, nós (!!!) tirássemos o melhor partido de todas as situações por mais estranhas que fossem.

Desmontado, o finado pneu foi, atirado por mim, para o porta-bagagens, com a correspondente jante. Eu estava prestes a alcançar a perfeição naquele movimento de arremesso.


Alegremo-nos!

A partir daquele momento já estávamos livres, de novas substituições de pneus.
E arrancámos, desta vez em situação tão limite que nos deu para gozar com o que nos tinha sucedido.

Seguíamos rumo a Havana, cantando a Guantanamera mas… “baixinho”…, para não perdermos o já nosso conhecido som de “pinhazo” que, desta vez, já encarávamos como certo, mais quilómetro… menos quilómetro...
O destino estava traçado.

Não há duas (dois!) sem três!

A 5ª parte e certamente a última, desta saga “pneumática”, segue dentro de… uns dias. Estou a aguardar inspiração.
Será a vez do 3º e último furo.

E da estranha reunião final com a agência de aluguer...

... e do táxi que, afinal não era…






(08/2011)