segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

(23) DESTRUÍ TODAS AS FOTOS E TODOS OS ALBUNS - 5

PARTE V
(e última!)



Chegou a era da fotografia digital.

Segundo quem é suposto saber do assunto, as máquinas fotográficas digitais tornaram-se populares na década de 1990.

Em 1995 surge a primeira câmara digital a capturar imagens em movimento com som, além é claro, de imagens estáticas.

Em 1997 é colocada no mercado uma MP-EG1, que foi a primeira câmara digital a transferir para o computador vídeos no formato MPEG.

Neste mesmo ano, a Sony lançou a Cybershot.

Passámos então a premir desaustinadamente o botão de disparo das “compactas” e deixámos de frequentar com a assiduidade e os custos o balcão da loja especializada na revelação de rolos fotográficos. Uma despesa a menos...

Tirar quatro fotos ou quarenta é precisamente o mesmo: despesa idêntica.

Finalmente saltámos da (com a...) máquina para o computador, e cada um de nós transformou-se num técnico de fotografia para desespero dos profissionais da arte de fotografar.

Não só podemos revelar (imprimir…) as nossas próprias fotos (fica cartito!) como podemos escolher as que pretendemos ver em “suporte” papel .
Basta, como antigamente levá-las uma loja especializada mas agora comprimidas...

...numa “pen” ou num cartão de memória.

Transferidas as fotos para o computador podemos cortá-las, dar mais ou menos cor, definir a luminosidade, retirar imperfeições, juntar outras imagens enfim, tudo o que se quiser, ao sabor da imaginação de cada um.

Depois ainda podemos fazer apresentações com narração e fundo musical e gravá-las em CD’s ou DVD’s, passando a exibi-las no televisor ou LCD (ou Plasma…) na sala.

Antigamente, quando queríamos mostrar as fotos de qualquer evento aos nossos amigos, um deles sentava-se no sofá, colocava o álbum sobre as pernas e ia folheando-o, com mais um ou dois debruçado sobre o ombro e os que o ladeavam iam deitando uma olhadela.

Agora reúne-se na sala a família ou os amigos e apresentam-se as fotografias na TV (LCD ou Plasma) depois de se ligar um computador portátil ou um disco externo multimédia, ou a pen, ou um leitor de CD/DVD com as fotos devidamente classificadas à vontade do “editor”, em apresentações ou montadas em clip de vídeo, com narração e música. Quando se torna necessário, a tecla de pausa ou de “reverse” permite um olhar mais demorado à imagem. Se temos pressa, recorremos ao “fastforward”…

Foi assim que, descobertas todas as potencialidades do casamento máquina digital /computador resolvi dar uso (intensivo) ao meu “scanner” e, após alguns milhares de digitalizações,…



…coloquei o destruidor de papel a fazer horas extraordinárias…


… a mastigando todas as fotos e negativos. Depois agarrei-me ao computador, seleccionei-as, identifiquei-as para criar apresentações, escolhi uma músicas, uns separadores, criei um logótipo e gravei tudo em DVD´s mantendo os “masters” em disco externo.

O espaço (e o peso???) ocupado anteriormente pelos álbuns, ficou reduzido a uma dúzia de caixas de DVD’s e ao alcance de um clik quando as quero rever.
De vez em quando chateio uns amigos que me visitam, com uma sessão de fotos.

Haja paciência…









Na sequência destes escritos, que com este post chegam ao fim, irei criar uns álbuns no FaceBook (e no Picasa…) onde colocarei meia dúzias das fotos antigas que digitalizei.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

(22) DESTRUI TODAS AS FOTOS E OS ALBUNS - 4

PARTE I V
OS ALBUNS…



Em casa de meus pais existiam montes de fotos e álbuns.


Tudo veio mais tarde para a minha posse.

Os primeiros álbuns dos quais me lembro, obrigavam ao uso de cola.

Posteriormente apareceram os “cantos” que depois de lambidos no verso se fixavam no álbum e sujeitavam as fotos pelas suas extremidades.

Seguiram-se álbuns com folhas adesivas, de cartão, sobre as quais se colocavam as fotografias.

Mais recentemente os álbuns com folhas destacáveis onde as fotografias eram inseridas em carteiras de plástico transparente.


Eram variadíssimos os tamanhos disponíveis desde os utilizados para fotos tamanho postal até aos grandes formatos.

Álbuns com capas exclusivas para momentos “especiais”: para registar o casamento, para mais tarde recordar o bebé desde o seu nascimento até deixar de lado a chupeta. Um amigo meu andou a procurar um especialmente para registar os momentos do Divórcio. Não encontrou!


Mas, como todos sabem, os nossos primeiros Álbuns ainda serviram para albergar fotos.

Depois de uns tantos cheios, um último Álbum ficava ocupado até um terço, enquanto as fotos começavam a ganhar pó…,


… espalhadas por várias gavetas.



Foi assim em casa de meus pais foi assim na minha casa. Há por aí alguém diferente?
Não valem as excepções.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

(21) DESTRUI TODAS AS FOTOS E OS ALBUNS - 3


PARTE I I I

Fujica... Ceuta e outras paragens

Foi de Ceuta que trouxe...




uma Fujica “reflex” (35 mm)…


…com objectiva intermutável.
Adquiri ainda um conversor 3 X que acoplava na lente, especialmente dedicado para “caras”! Um “flash” electrónico, um tripé, um filtro neutro de protecção e um “tapa-sol” fecharam o “pacote”.

Foi uma bela de uma pechincha o preço total de todo o material, que nunca perdi de vista no acto da compra para evitar “trocas” aquando da embalagem…

Ceuta, na altura, era um destino procurado por quem queria comprar a preços muito aliciantes, novidades que ainda não tinham chegado a Portugal. Aquela cidadela ficava mais perto do que Andorra e tinha o aliciante da viagem no mar Mediterrâneo.


(“…Mais ou menos 10 anos antes tinha estado em Aden (Iemen) outro porto franco com as últimas novidades em todo o tipo de artigos electricos, som e imagem com preços de cair para o lado. Ali comprei uns binóculos Zeiss 7,5 e uma máquina de cozinha Bosch.
Nas lojas o comprador deveria ter cuidado redobrado para não ser enganado pois era “normal” o vendedor trocar os artigos comprados no acto de os embalar.

Vários amigos tiveram surpresas muito desagradáveis no regresso ao barco quando, ao mostrar as “pechinchas” que tinham adquirido constatavam terem “comprado” desde pilhas secas das grandes – para fazerem peso… esgotadas… claro! – ou pequenos rádios portáteis sem “miolo”.

Era sempre de recusar a ida ao "armazém" supostamente para substituirem o artigo experimentado por outro pois a hipótese de reclamação era impossível dadas as fortes medidas de segurança impostas pelas autoridades inglesas que não permitiam idas e vindas.
Poucos meses depois os “bifes” zarparam daquele território. Estávamos a um ano da deflagração da Guerra dos 6 dias.

Passadas algumas décadas em que a Fugica se fartou de trabalhar, jaz numa gaveta substituída pelo progresso, destronada pelas compactas digitais.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

(20) DESTRUI TODAS AS FOTOS E OS ALBUNS - 2


PARTE I I
Onde recordo “caixotes portáteis, a Zeiss, a Fugica, Timor.

A primeira máquina a entrar lá em casa também era… um “caixote”.
Uma Kodak.
Rectangular, utilizava-se bem encostada contra o estômago para a manter o mais imóvel possível evitando que a fotografia ficasse “tremida”.
Possuía duas pequenas lentes, os visores, um em cada uma de duas faces do caixote permitindo com a rotação do mesmo escolher como queríamos a foto:
ao “alto” (retrato -agora diz-se “portrait” )

ou de “lado” (panorama – agora diz-se landscape).



O rolo era colocado “às escuras”, encaixado e fixado num carreto de madeira onde se ia enrolando à medida que nele eram registas as fotos.
Muito mais tarde, a segunda máquina comprada por meu pai, foi uma Zeiss Ikon”…

Vinha protegida com um estojo de cabedal.

Abria-se descobrindo um fole que me fazia lembrar a máquina “à la minute”.
Só que o conjunto era leve, a máquina de reduzido tamanho e cheia de tecnologia...??!!
Tinha uma sapata para colocar um “flash” e temporizador.
As fotos saídas naquela máquina tinham o tamanho 6x6.
O flash funcionava...

….colocando-se uma lâmpada própria numa espécie de prato reflector.

Não era barato tirar fotos com flash. Cada foto… uma lâmpada!

O rolo, para 12 fotos, depois de retirado da máquina era entregue para ser revelado, numa loja da especialidade.

A Zeiss foi-me emprestada por meu pai e sofreu incontáveis maus tratos partilhando a minha vida atribulada durante todo o tempo de serviço militar, com uma passagem de dois anos em Timor.

Quando estive naquela ilha, a Ilha do Crocodilo “que o Sol nascendo vê primeiro”, enviava os rolos para serem revelados na "Metropole" depois de uma experiência dolorosa nas lojas chinessas cujos métotodos de revelação resultavam em fotos
amarelecidas ao fim de dois, três meses.
Já naquele tempo, a qualidade “chinoca”… era igual à de agora.
Na década de 70, já casado, resolvi comprar uma máquina fotográfica “a sério”.
A velhinha Zeiss continua na família, oferecida por meu pai à minha querida prima Marília.

domingo, 28 de novembro de 2010

(19) DESTRUI TODAS AS FOTOS E OS ALBUNS - 1

PARTE I

OS PRIMÓRDIOS...

Sou da época do fotógrafo “à la minuta”.
No Terreiro do Paço, perto do local onde nasci, “estacionavam” em permanência, 3 ou 4 artistas da fotografia.
A preto e branco.


“Magalas”e “marujos” com as suas namoradas, noivos, pais com as criancinhas, jovens e velhotes, posavam para a foto, com o D. José em fundo, garboso no seu cavalo - o tal que tem direita a perna esquerda…


Outros locais eram poiso habitual dos fotógrafos: junto aos monumentos que se espalham por Lisboa, nas praças, Rossio e Restauradores, em todos os jardins (incluindo o Zoológico) e ainda nas praias, principalmente as da “linha”.


A “máquina” era uma caixa quase quadrada com aproximadamente 50 centímetros de lado empoleirada num tripé. Na parte da frente um fole que corria numa calha, terminava na objectiva coberta por uma tampa metálica.

Na parte posterior estava colocado um pano negro com a forma de uma manga larga.


Em exposição, nas paredes laterais do “caixote” eram dadas a conhecer anteriores obras captadas pelo “artista”cuja qualidade, em sua opinião, lhes concedia mérito para estarem expostas ao público. Publicidade…


Quando passeava pelo Terreiro do Paço, acompanhado por meus pais, ficava longos minutos a observar todos os movimentos do fotógrafo, enquanto ele focava a máquina com a cabeça enfiada na caixa, através da manga negra.

Depois, o… “ólhó passarinho”, “não se mexam”…, “sorriam”, enquanto agitava um boneco para chamar a atenção dos mais novos.

Finalmente retirava a tampa da objectiva, mantinha-a afastada por breves segundos, recolocava-a e a foto estava “tirada”. A partir daquele momento processava o trabalho de “laboratório”. A “câmara escura” ali mesmo à mão, no interior da caixa e o líquido revelador dentro de uma garrafa a ser despejado num recipiente naquele espaço exíguo.


Depois de revelada a foto era lavada em água dentro de um balde e aguardava a secar, presa por uma mola para roupa, pendurada numa corda esticada entre as pernas do tripé.




domingo, 21 de novembro de 2010

(18) MANUELA TAMBÉM ADERIU. JÁ DOOU O CADÁVER.




Minha mulher que quis acompanhar-me nesta cruzada pelo apoio à ciência médica,no final da passada semana, formalizou junto da Faculdade de Ciência Médicas a doação do cadáver.


cNeves

(17) AOS MEUS AMIGOS C/MAIS DE 50: PROTEJAM O NARIZ




Apresento a maneira mais eficaz de protegerem a pele tão delicada do vosso nariz.
Convem treinar em casa para quando chegar o Verão.
Cuidado com os malefícios do excesso de exposição ao Sol. Principalmente no nariz.

cNeves
Nota: JURO QUE NÃO SOU EU, APESAR DAS INCRÍVEIS SEMELHANÇAS. ALÉM DISSO NÃO GOSTO DE MAMAS COM SILICONE!!!
IMPÕE-SE ESTE ESCLARECIMENTO PARA VER SE ACABAM OS E-MAIL, DOS MEUS AMIGOS, COM BOCAS FOLEIRAS.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

(16) ALFAMA - MEU ARCO!MEU BERÇO!!




                                ARCO ESCURO (Alfama)


(Desenho lápis, minha autoria)



(Recordações 1941 /1969)


Entra-se pelo Arco Escuro. Pequena subida, no cimo da qual se volta à esquerda. 
É o Beco do Arco Escuro.

Encaram-se dois degraus. Depois de vencidos e percorridos mais dois metros, chega-se à porta do prédio com o número 7, encimada por um painel de azulejos com figuras religiosas.

Inscrita, a data de construção: 1764!!!

Para se atingir o terceiro andar tínhamos de percorrer três lanços de escada, compreendendo 5 patamares a saber: a partir do único patamar no primeiro andar, mais dois por cada andar, separados por dois degraus.
Degraus em madeira, estreitos e íngremes. Inclinação superior a 40%.
Do segundo ao terceiro andar estava colocado um oleado que se agarrava aos degraus, um a um, acompanhando-os na subida e estendendo-se nos respectivos patamares. Como brilhava aquele elemento decorativo, com os seus desenhos que imitavam os dos tapetes “a sério”, nos seus castanhos e vermelhos escuros com orla de barras paralelas…


A madeira tentava acompanhar aquele brilho, pela aplicação da célebre “Encerite” - nas partes laterais não cobertas pela passadeira de oleado - espalhada pelos habitantes daqueles dois andares que, em partes iguais, compartilhavam a despesa com a aquisição do “adereço” e do mesmo modo custeavam a sua manutenção.


Os corrimãos só foram aplicados já ia adiantada a década de 70. O proprietário do imóvel, galego, fora finalmente tocado pela idade já avançada da maioria dos residentes que vinham reivindicando aquele apoio para eles já indispensável, como forma de minorar a falta de equilíbrio e a pouca força nas pernas.
Para subir a escada, franqueava-se a porta de entrada do prédio. Agora com trinco eléctrico, antigamente escancarada e periclitante nos seus gonzos. Noutros tempos ostentava, pendurada numa dobradiça, uma mão de ferro cortada acima do pulso, que segurava entre os dedos uma bola do mesmo metal.



(Aldrava)


Quando se queria chamar a atenção de um morador, batia-se com a mão (de ferro) no batente, qual martelo, e com um determinado número de fortes batidas secas identificava-se o andar do destinatário.

Se habitava o lado direito, bastavam três simples batidas.


No caso de morar no lado esquerdo, após as batidas espaçadas seguiam-se outras, rápidas, em número não quantificado. Chamava-se “repenicar”.
Exemplo: terceiro esquerdo: … TAU.… TAU.… TAU… seguidas de umas quantas “repenicadas”... tau.tau.tau.tau!


Para a nossa casa não se “repenicava”. Logo… habitávamos o andar do lado direito!

(vistas da janela da escada no patamar do 3º andar) 
                                             *******
                             ************


ARCO ESCURO nas Minas do LOUSAL,


(Grândola) 2007 12 de Maio - 11:30


Entrámos numa loja.
Panos, colchas, guardanapos, toalhas de rosto, toalhas de mesa, alguma roupa para criança. Era a loja do artesanato têxtil mais para senhoras, que se demoraram apreciando os artigos expostos, enquanto eu rumava para a loja contígua. Aqui era a cerâmica que reinava. As peças regionais usuais do nosso artesanato, com maior incidência para a arte regional Alentejana.


Subitamente avisto numa prateleira bem alta, um prato de dimensões generosas decorado com um desenho que me pareceu familiar.
E não é que ali, no Lousal, num prato de loiça, estava retratado o “meu” Arco Escuro?


Lá estava: o Arco que, descido e torneado para a esquerda, dá acesso ao restaurante “Gaúcha”na Rua dos Bacalhoeiros.

Registadas ainda as roupas penduradas nos estendais nas janelas e uma porta de escada: “A MINHA PORTA”!




Talvez por esquecimento, o artista não pintara o 7.

ARCO ESCURO (Alfama)

No terceiro andar direito daquele prédio, número de polícia 7, há mais de 65 anos nascera aquele que viria a ser o Confrade número 8 da Confraria dos Sessentas.

Nele vivi 28 anos.
A partir de 1969 com a saída para uma nova vida, a subida daqueles degraus passaria a ser bem mais espaçada.
Utilizava o elevador… numa cidade diferente.

Ficou a saudade, a recordação da meninice, a descida veloz e barulhenta daquela escada que subi e desci diariamente vezes sem conta (e sem me cansar…).

Lembro-me de um dia ser levado ao colo de meu pai, que desceu a três e três aqueles degraus rumo ao Hospital da Estefânia por via de um prego que engoli, imitando os operários que, em obras no prédio em frente ao "nosso" os seguravam na boca antes de os martelarem nos andaimes.


Vem ainda à memória, a dificuldade de dois bombeiros de pequena estatura que, segurando uma maca, me levaram quase inconsciente até aquele íngreme terceiro andar, quando tive de regressar temporariamente a casa dos meus pais, na década de 80, após ter sido vítima de brutal atropelamento.


Porém, foram mais as vezes que aquela escada foi a via da descida para a rua onde me esperaria algo de positivo como me permitiu a subida apressada para celebrar com meus pais uma boa nova.


Minas do LOUSAL, (Grândola) 2007 12 de Maio 12:00

Saí da Loja de Artesanato.
Debaixo do braço transporto um pedaço de Alfama.

O meu bairro! O meu berço! Não poderia resistir à compra do prato. Alfama no Lousal!?


Certamente que no meio das outras peças mais apelativas acabaria esquecida, poeirenta e transladada para outro local, quiçá retirada para um escuro armazém.

Desculpas… 
Afinal, o Arco Escuro é meu!!!

cNEVES


Texto (revisto) publicado no “Jornal “ O CONFRADE nº 16 – AGOSTO 2007



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

(15) JOSE MARIA FALA COM "BIS"... AVÓ NELA!


A Bis... Avó Nela está radiante com os seus netinhos, o José Maria e a Constança - por ordem cronológica de nascimento.
Eu resolvi oferecer-lhe(s) um pequeno video, gravado "à socapa", num momento ternurento em que ela e o "Zé" Maria entabulavam a primeira "conversa a sério" aquando de um sessão de apoio assim tipo... "grandmo'sitter".
Beijocas e abraços para todos: avós, netos, pais. enfim... a toda a família, do
cNeves


domingo, 7 de novembro de 2010

(13) DOEI O MEU CADÁVER Á CIÊNCIA MÉDICA

(Faculdade de Ciências Médicas - Lisboa)

Desde que me compenetrei que um dia tinha de morrer (pensamentos ausentes até para aí os meus 50 anos, quando finalmente comecei a tomar consciência do desaparecimento de entes queridos e não só) fui alimentando a ideia de contribuir para algo que servisse a sociedade, coisa que à primeira vista me pareceu demasiado pretensiosa para um cidadão obscuro como eu.
Não plantei uma árvore (desculpa: sou Lisboeta…),

não escrevi um livro (estes escritos no blog não contam) e...

não tenho um filho. Perdão: até tenho dois… que são filhos de minha mulher…
Acresce que quando morrer não deixarei quaisquer bens como herança.

Pergunto-me. Que andei cá a fazer? Não deixo rasto? Necessário se torna dizer que seria capaz, se tal fosse possível, de “reviver” a minha vida tal qual como tem sido até agora.

Não tenho razões de queixa. Assumo totalmente e sem arrependimento ou frustração todas as opções que tomei.

Depois de ter tido a oportunidade de ler algumas notícias, seguido debates e tomar conhecimento de alertas sobre a dificuldade com que se bate a Medicina com a falta de disponibilidade de cadáveres humanos para estudo e pesquisa, conclui ter encontrado uma forma de ser útil à sociedade.

Assim, em 20 de Setembro contactei telefonicamente o Departamento de Anatomia da Faculdade de Ciências Médicas na Universidade Nova de Lisboa e no primeiro dia de Outubro ficou concretizada a doação do meu cadáver.
Parece-me que sempre poderei servir a humanidade (desculpem-me a imodéstia!).
Finalmente deixo a minha “herança”.
Quem sabe, possa ainda contribuir com algo que beneficie os bisnetos de minha mulher...
cNeves

PS: E deixem-me imaginar ser manuseado por umas estudantes médicas, giríssimas, uns borrachinhos debruçadas sobre o meu corpo de… bisturi mas mãos…?

cNeves

EM TEMPO:
No Brasil também se luta com dificuldades na obtenção de cadáveres.
Sobre o assunto acima li hoje, na Net, intervenções de dois professores de Anatomia, presentes num encontro da especialidade, na cidade de Natal - Brasil, cujos excertos me permito reproduzir.
“…O assunto foi destaque, mostrando a dificuldade das instituições de ensino em encontrar um cadáver para fins de pesquisa..
André Davim; o professor de Anatomia da UFRN ressaltou a formação humana de qualquer pessoa, como primordial para a decisão acerca da concessão do cadáver. “Se você tem uma boa formação como pessoa, está mais estruturado para tomar decisões rápidas, principalmente sobre assuntos delicados”.
A formação psicológica também foi compartilhada pelo professor José Eduardo, filósofo, que foi buscar na questão cultural a justificativa para a doação de cadáveres. “A visão que temos, uma sacralização do corpo, não tem mais razão de ser. Quando tudo passa a ser fenômeno, o eu desaparece porque se confunde com o corpo. Eu não acredito que o corpo humano possa servir para alguma coisa depois de morto que não seja a medicina. Mas, pra mim, doar o cadáver pra estudo acadêmico é uma forma de continuar vivo”, afirma…”

sábado, 6 de novembro de 2010

(12) O TEMPO PASSA E SUBITAMENTE… RELEMBRO TIMOR



Apenas aos 28 anos me foi possível adquirir um automóvel.
Anteriormente possuíra dois veículos (!?).


Foi em Timor, quando em Dili esgotei o último dos dois anos que ocuparam a minha vida como militar naquela ilha.

No primeiro ano o meu paradeiro foi em Los Palos, na ponta Leste, onde não se justificava ter transporte próprio. Não havia para onde ir… Paradoxalmente foi naquela vila que aprendi a “andar de mota” ainda antes de saber “andar” de bicicleta. Foi ao guiador de uma
BSA de 250 cc que me fartei de empurrar pois só assim era possível regressar à Messe, com a bateria descarregada que não alimentava o motor por mais de um quarto-de-hora.

Foi em Dili, capital daquela, na altura, Província Ultramarina, que comprei em primeiro lugar uma clássica bicicleta “pasteleira” que aguentou comigo seis meses.
Nos segundos seis meses, que seriam os últimos da missão de “soberania”que ali me levara, passeio-os (passeei..) com uma Suzuki de 50 cc, que já possuía motor de arranque, o que “evitava dar ao “pedal”. Um luxo, tendo em atenção que estávamos em finais de 1963, lá em “cascos de rolha”.

Estas memórias foram despertadas pelo recebimento nesta semana de um “Diploma” enviado pelo ACP (Automóvel Clube de Portugal) homenageando-me no 40º aniversário como sócio daquele Clube.
Pois é.
Fiz as contas.
Comprei o carro em finais de 1968 e no ano seguinte preenchi a proposta para sócio do ACP. Tinha então 29 anos. Ora, bem! Há poucos dias fiz 69!
Sendo assim, perante os meus amigos, que na sua grande maioria, já lá vão uns tempos, ultrapassaram os 40 anos de sócios, uma dúvida me assalta...
Comprei o carro tarde de mais… ou ainda sou um jovem?

cNeves

NOTA: A ”moto” foi comprada “a-meias” com outro colega da tropa (Furriel Miliciano, lisboeta, morador ali para as bandas do Poço do Bispo) que eu nunca tinha visto mais gordo!
Nem ele a mim… !!!
Chegou a Timor em meados de 1963, foi colocado em Dili na mesma unidade onde eu prestava serviço (Destacamento de Material).
Um dia destes ainda vou escrever no meu blog sobre esta espécie de “mènage á trois”.

Eu, ele e a “nossa” Suzuki.


domingo, 17 de outubro de 2010

(11) ANOS 50. IDA À PRAIA DA TORRE (Oeiras).

Os anos passam. E passam depressa. Nunca nos apercebemos da rapidez com que gastamos a vida. É assim como um daqueles dias, bem passado, que chega ao fim num instante. Ainda há pouco nos levantámos e já se esgotou.

Os dias “horribilis” são muito chatos. Chatos e compridos. Mas também passam. Gostaríamos que passassem mais rápido. Pelo menos com a rapidez dos tais dias bem passados.

Quer uns quer outros deixam a sua marca e serão recordados muitas vezes na pequena viagem que é a nossa vida. Nunca os esquecemos. Principalmente os menos bons.

É isso! Vamos tentar recordar especialmente os bons momentos e aos maus não lhes vamos dar relevo, começando lhes chamar… menos bons.

E hoje recordo um dia que foi sempre bom. Quando, com o meu grupo, viajávamos a caminho de um dia na praia da Torre – Oeiras.


cNeves 10/2010

NOTA: VISIONAR O VIDEO EM "MODO DE TELA CHEIA".

domingo, 19 de setembro de 2010

(10) A "BÍBLIA" QUASE ME CONVENCEU!! TERÁ "VIRADO"?


Não sou benfiquista!Ponto!
Mas tenho muita simpatia tanto pelo clube da águia como pelos restantes - enquanto instituições que têm (podem ter!) papel importante na divulgação e prática da actividade lúdica - independentemente dos animais a ela associados. Falo nos dos emblemas... claro!
Mas o pontapé-na-bola tuga não me desperta a mínima paixão.
A electricidade está cara e considero um desperdício gastar euros a ver os miseráveis espectáculos que os jogadores, árbitros e "claques" vão apresentando nos campos deste País, em partidas (…e é cá cada partida que nos pregam) bem condimentadas, até à indigestão, à priori e à posteriori com declarações na maior parte das vezes rasteiras, mal educadas e provocatórias de treinadores, dirigentes, comentadores, jornalistas, enfim a "fauna" que se vai governando com o (no) "sistema".
Porém, como sempre achei que devo andar minimamente informado, vou vendo imagens e ouvindo comentários nos noticiários televisivos, "zapp... ando" por (incríveis) "forúns" com "paineleiros" demasiado lúcidos só para o lado que lhes interessa ou lhes é conveniente.
E vou lendo alguns jornais… "generalistas".
Excluídos estão os "desportivos".
A excepção teve lugar esta semana quando, por motivo de doença, num consultório, passei os olhos pelo diário "A Bola" (também…só à "borla"!) e fiquei siderado com o que lá vinha escrito.
Então não é que o jornal atrás referido, pelos artigos de dois jornalistas, expressava ideias, conceitos e opiniões que me pareceram demasiado discordantes, ao considerarem excessivos:
  • o tonitruante queixume dos mais altos responsáveis do pontapé-na-bola encarnado atingindo as arbitragens
  • as prometidas ameaças avassaladoras, “tsunamicas”.

Achei estranho o Senhor LFV não ter pedido um auto-de-fé ou "grelhado" em directo o diário conhecido, malevolamente e sem razão, pela “Bíblia benfiquista".

Tenho de terminar já, pois a SportTV está a iniciar a transmissão de um jogo de futebol (!!!) da Liga Inglesa e a seguir virá um jogo também de futebol (!!!) da Espanhola. Aqui é que se vão os meus "euros" para a EDP, pois adoro futebol!!!
Logo ao princípio da tarde, ou ao começo da noite, parece que irá ter lugar um "derby". Mas nem com a armadilha do anglicismo me convencem a assistir!



cNeves

terça-feira, 14 de setembro de 2010

(9) MEMÓRIAS DE UM ... “OUTRO”... BANCÁRIO I


O “dono” deste Blog era um dos colaboradores (Chefe de Redacção… hehehehe) de um “Jornal” .
De circulação muito restrita, editado mensalmente, era distribuído em mão ou por CTT aos seus interessados leitores. Mais tarde passou a ser editado em PPS e enviado através da Net para os “cotas mais avançados” capazes de aceder àquela modernice - com som e tudo, o que valeu rasgados elogios ao subscritor deste Blog.
A maior tiragem de sempre (50 exemplares) foi alcançada apenas uma vez… Ver Guiness Book of Records”.
No interior do referido “jornal” , impresso em HP caseira que em determinado número alcançou o (outro!) recorde de 8 páginas em tamanho A 5 (!), existia uma secção reservada a “Recordações”.

Para o recheio da “secção literária” eram insistentemente convidados os referidos cinquenta – chamemos-lhes assinantes / leitores a fazer chegar à redacção do “mensário” as histórias das suas vidas profissionais.
Todos eles eram reformados bancários - a maioria felizmente ainda o está...!
A Redacção do “jornal” criou elevadíssimas expectativas face ao que parecia ser um manancial de histórias que certamente recheavam uma média de 30 anos de profissão, por cada um dos possíveis “historiadores”.
Que histórias não teriam para contar tantos trabalhadores que lidaram uns directamente com o público, outros nos Serviços Internos, alguns até com funções chefia.
Episódios com colegas, com chefes, dentro das instalações, fora delas. Chatices, coisas com piada, enfim, algo assim tipo “Flagrantes da Vida Real” ou até, porque não... “Piadas de Caserna”.
A “estrutura” responsável do “jornal” esperava enorme adesão e quiçá um estrondoso êxito editorial. Já pensava até em coligir todas as “histórias” em livro e fazer concorrência à Fátima Lopes, à Júlia Pinheiro, à Carolina Salgado, etc..
Balde de água fria, desencanto! Menos de 5 (cinco!) durante dois anos responderam à chamada. Alguns apenas com um escrito.
Dois textos publicados no “jornal” já aqui foram “postados”. E hoje será mais um. Mas desta vez a autoria não é do Bloguista!
Resolvi homenagear o colega e amigo que colaborou e mais contribui (3 textos, três!) para o “Sotão de Recordações”. Que, resta referir, apesar de tudo… foi um êxito! Assim, neste post, mais abaixo, irei publicar uma história do Jorge Lobato.
E faço-o porque acho a história deliciosa, bem escrita, com um final de filme mudo/cómico, e sem o risco de ver esta minha atitude classificada como uma forma de destacar um colega a quem me ligam fortes laços de amizade, como todos sabem, pois oportunamente, no sítio próprio, agradeci a “todos” aqueles que colaboraram com a equipa do “Jornal O Confrade”.

PM (Post Morten): Desde final do mês de Junho passado, a “folha dos confrades” enterrada há uns meses, passou a ter como companhia o defunto 24 Horas.



O SOTÃO DO CONFRADE
“Quem Te Avisa Nem Sempre Teu Amigo É”
de Jorge Lobato


Na Av. dos EU tínhamos uma colega que era uma fumadora inveterada, os seus dedos da mão direita, com especial incidência para os dedos médio e indicador, por força do vício, tinham aquela cor amarela - acastanhada típica do uso continuado e sistemático do cigarrito. Quando não estava a atender clientes o cigarro morava de forma contínua entre os seus dedos, pois acendia uns com os outros, aspirando sofregamente o fumo que deles se desprendia, saboreando aquelas baforadas como processo único de prazer.
O seu vício e dependência eram tão evidentes que um famoso jogador do Sporting, nosso cliente (dados os anos passados porque não referir o seu nome: Yazalde), quando tinha que aceder ao cofre, que tinha alugado, presenteava esta nossa colega com um enorme e apetecível charuto cubano.
Esta querida colega morava com os pais na Av. Rio de Janeiro e fazia a pé o caminho entre a sua casa e trabalho passando na Av. do Brasil junto ao muro do hospital Júlio de Matos.
Um belo dia depois do trabalho e de não sei quantos maços de tabaco ia, a nossa colega, calcorreando calmamente a calçada junto ao muro do hospital, sorvendo deliciada e abstraída mais um cigarro na sua marcha de regresso a casa quando é interpelada por um doente daqueles que fardavam de cotim, com um ar um pouco vago e aspecto desleixado, para melhor entenderem : um maluco. Teve desta forma que interromper o seu acto de prazer para dar atenção ao doente pensando que, como tantas vezes sucedia, este iria pedir-lhe um cigarro ou vinte e cinco tostões. Os vinte e cinco tostões ainda vá que não vá, mas o cigarrito confidente de tantos pensamentos, companheiro de alegrias e solidão constituiria quase uma afronta.
Depois destas conjecturas e para espanto da nossa colega o alienado não lhe pediu dinheiro, nem cigarros, pois limitou-se a informa-la que no final do muro do hospital estava um maluco que presenteava os transeuntes descuidados com uma valente e sonora bofetada.
Aliviada de não lhe terem pedido para abdicar de um fiel companheiro agradeceu reconhecida e continuou a sua marcha saboreando e inalando longamente o fumo do seu cigarro.
Nunca mais se lembrou da recomendação que lhe foi feita pelo que, quando estava a chegar ao fim do muro, levou, segundo a própria, a maior estalada da sua vida.
Passada a estupefacção e controlada a dor verificou que o autor do gesto tão condenável era o mesmo maluco que a tinha avisado.
Mais tarde viemos a saber que o doente tinha uma patologia de dupla personalidade.
A nossa colega continuou a fazer, como sempre, o mesmo caminho diário, acendendo e saboreando os seus cigarros mas nunca mais junto ao muro do hospital.
J Lobato


Um agradecimento pessoal e amigo aos meus companheiros de Redacção
João Merca
Rosário Gomes
CÃNDIDO NEVES


sábado, 11 de setembro de 2010

(8) MEMÓRIAS DE UM BANCÁRIO I I I

O MISTÉRIO DA MANGA PERFURADA (1976)


A MH andava radiante.
Tinha finalmente adquirido o seu novo, belo e caríssimo casaco de cabedal, após receber o subsídio de Natal com o qual concluiu um doloroso trajecto de meses de poupança forçada.
Mas algo estava a adiar o completo estado de graça.
Era ouvi-la, durante o dia revoltada pela Natureza adversa , num Inverno que estava a ser um dos mais quentes das últimas décadas.
A partir (da ameaça!!!) dos primeiros frios, vaidosa, entrava no local de trabalho exibindo com piruetas de manequim o seu casaco de cabedal.
Para ela, as manhãs arrastavam-se penosamente (na altura o horário de trabalho diário dos bancários compreendia descanso de 2 horas para almoço que ela aproveitava para dar "ar" ao seu orgulho) e as tardes nunca mais terminavam para que ela voltasse a sentir-se irresistível.
Rapariga extrovertida, simpática, palminho de cara, divertida, as suas referências propositadamente exageradas sobre a nova, vistosa (e valiosa) peça de vestuário, eram alvo de comentários jocosos dos seus camaradas aos quais respondia com tiradas prontas, adequadas e cheias de humor.
Eis senão quando, num fim de tarde, à hora de saída (na altura 18 horas) todo o Balcão é sacudido com um estridente grito que, da boca de MH ecoa na cave onde se situavam os armários/roupeiros individuais.
Com toda a espécie de impropérios, palavrões , rubra de cólera, depois de saltar os degraus que separava a cave da área de trabalho no rés do chão, ela exigia a presença do (ou dos) responsáveis pela presença da manga do seu rico casaco entalada entre duas tábuas, das quais, testemunharam todos os presentes, sobressaíam uma série de pregos.
Esbracejando com o casaco pelo ar, dava origem a uma espécie de arco-íris com o feérico cintilar das cabeças brilhantes de meia dúzia de pregos num dos lados e do outro o brilho dos correspondentes bicos afilados.
Mesmo depois de desfeita a “magia” demorou um pouco a cair "na real".
Não foi nada fácil acalmá-la. Os seus olhos teimavam em ver a manga trespassada.
Claro que ninguém seria capaz de ter feito tal estrago ao casaco, o que no mínimo teria sido uma maldade de um monstruoso mau gosto e uma inaceitável atitude. Brincadeira tem hora....
De todos os elementos do Balcão apenas dois estavam de posse do segredo, sendo um deles obviamente o autor.
O que se passara?
O ZP , em casa, congeminara tudo. E pôs mãos à obra.
Arranjou duas tábuas.
Primeiro pregou-as .
Depois separou-as e serrou os pregos.
Numa das tábuas recolocou cabeças dos pregos e na outra as correspondentes pontas. Depois das tábuas “preparadas” levou-as para o Banco.
Às escondidas da proprietária da vestimente, retirou o casaco do armário e na área central das tábuas não abrangida pelos “pregos falsos”, colocou a manga do casaco.
Depois pregou verdadeiramente uma tábua à outra,para que ficassem unidas, mas nas zonas fora do alcance da manga.
A ilusão era perfeita.
Quando a MH retirou casaco do cabide onde estava dependurado viu uma manga atravessada por uma série de pregos.

A MH nunca mais trouxe o casaco para o local do trabalho. Passou a usá-lo exclusivamente aos fins-de-semana…
Sub-título – O Artista Carpinteiro

cNeves



sábado, 4 de setembro de 2010

(7) BETTENCOURT (SCP) EVITA EVENTUAIS INCENDIOS


Betencourt não acedeu ao pedido de Paulo Sérgio, negando assim a aquisição de um pinheiro para o clube de Alvalade.
O pedido estava comprometido logo de início dada a dúvida do técnico sobre o tipo de pinheiro que pretendia: manso….? bravo…?

Afinal, a decisão do presidente leonino em não aderir ao pedido do treinador leonino baseou-se, segundo nos declarou, na necessidade de evitar o aumento exponencial de matéria combustível no eixo viário mais importante da Capital, dada a existência, mais abaixo, na 2ª circular, de um alto e estático - e parece que já sem préstimo - eucalipto plantado na baliza do “glorioso”.
- Tanta massa ígnea numa área tão pequena - referiu Bettencort ao nosso repórter - poderia ter resultados catastróficos, numa altura em que os incêndios estão em todos os noticiários. Não quero que até nesta área os “media” me venham lixar a cabeça!

Dias Ferreira presente nada disse, pois exigia que para o fazer lhe pagássemos como se estivesse na SIC à segunda-feira.
Paulo Sérgio ainda tentou afastar a previsão catastrófica do seu (e não só!) Presidente, chamando-lhe a atenção, citamos:
“…o perigo de fogo está praticamente afastado pois os energúmenos (segundo Jesus!) que desde há algumas semanas têm tentado incendiar o referido eucalipto recuaram nas suas intenções. Aquela espécie vegetal foi abundantemente regada pelas lágrimasde júbilo do treinador Jesus (água benta?) após a defesa do deficiente remate no penalty (des)marcado pelo jogador do clube da terra das “larrranjas”…”.
Consta que nem o facto do eucalipto ter vindo a ser abençoado por Jesus, ainda antes da sua plantação, demoveu o Presidente dos Leões" que acrescentou:
- A presença de um pinheiro no relvado, junto às balizas, seria demasiado chamativo para os muitos cães abandonados na zona do Lumiar, constituindo um factor de o aumento de ferrugem nos postes das balizas".
Sobre este quase escaldante assunto, ouvimos o “portista” Moutinho.
Difícil de encontrar descobrimo-lo, em profunda reflexão num genuflexório da capela do Estádio do Dragão.

Em "off", confidenciou-nos:

-Qual é a admiração? O “sporten” tem um presidente que não grama as árvores.
Não cuida delas e depois ainda se queixa que os frutos são de má qualidade.
Os senhores sabem do que falo!
Vejam o que acontece às maçãs lá em Alvaláxia. Apodrecem!!!
Que se há-de fazer? Ele prefere ir comprar fruta ao Lidl que fica ali à mão de semear, mesmo por debaixo da bancada nascente! Feitios…
A SAD encarnada, o “porta-voz” do Esseleebeee e a “TV Benfica” não responderam às questões que lhes colocámos sobre o assunto. De fonte digna de crédito (não do BPN nem do BPP!!!) foi-nos dito que estão todos em Madrid a tratar de negóci(atas)os com o Atlético de Madrid .
Sabemos que a águia Vitória se recusa a usar o eucalipto de estirpe espanhola nem que apenas como poleiro!
Também Cinha não respondeu as 495 SMS que enviámos para os seus 69 telelemóveis.

ÚLTIMA HORA: Bettencourt ruído pelos remorsos, amenizando o desgosto do Paulo Sérgio, apresentou ontem ao clube um “talo” de pouco mais de metro e meio.
Não é uma arvore, não é um arbusto. É um tal de Tales! Ah! E precisará de ser regado com muita água pois segundo as sua próprias palavras (in site SCP) "… o principal objectivo da minha vinda para o Sporting passa por dar inicio à minha carreira no futebol É a realização de um sonho…”

Os “sportens” ficam à espera que ele acorde… e se transforme no pinheiro que o treinador Paulo tanto anseia.


In CNEVES 03/09/2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

(6) AGOSTO 2010

23:30

FINAL DE UM DIA DE AGOSTO 



Estou sentado à varanda do quarto, numa noite amena.
O vento que soprara “moderado” durante o dia, desapareceu com o Sol fazendo-lhe companhia, escondendo-se ambos para lá da linha do horizonte.
Nas mãos tenho um jornal e um copo de whisky com gelo, como remédio para me esquecer as notícias e permitir uma soneca bem dormida.

Incêndios! 

O aumento no número de mortes na estrada. 
Mais um que desapareceu no mar à beira da praia. 
Outra notícia “quente” - que promete muito gasto de tinta sobre uma assassinada nos arredores  da “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro - veio substituir outra telenovela trágica que envolve um tal de “rei dos gnomos”.
Assaltos, tiros, apreensões de droga, violência doméstica, agressões a polícias enfim… um fartote.
Os crimes de colarinho branco estão em viagem para as "off-shores", ao encontro do Tio Patinhas. 

Entretanto a classe política, nomeadamente os chefões, está maioritariamente de férias nas praias do Algarve. Apenas uns diazitos para disfarçar. Afinal também se misturam com os tugas. Pouco...
Passos Coelho não fala na Revisão da Constituição e "afia" a guilhotina do aumento de impostos preparando-se para faltar que à promessa feita na campanha eleitoral. Lamentavelmente sente-se atormentado pela germânica Angela que o não deixa descansar na sesta diária.
José Sócrates dormita numa espreguiçadeira,num "bateaux-mouche", após o almoço a bordo, com um livro de filosofia no regaço, olhando para as margens do Sena, com saudades... do Tejo. 
Jerónimo de Sousa prepara-se para a próxima "rentrée" certamente numa "dacha" algures a Leste,quiçá ocupando o mesmo quarto do antigo (eterno!) Secretário-Geral do PCP. Entretém-se, a repetir a audição das (eternas)  "cassetes" que jamais se esquece de levar na bagagem.
Chico Louçã, debicando "caviar", enverga elegante polo Ralf Loren, espiando de binóculos as areias algarvias, em busca do "inimigo", a bordo do seu barco, com o pensamento a fugir para a Ana Drago. Dizem que foi  nesta "silly season" que lhe passou pela cabeça abandonar o BE dentro de 2 a 3 anos. Vamos a ver!
Paulinho não está (espanto!) a aproveitar as feiras que se multiplicam neste País, animadas pelo som das concertinas que matam as saudades aos emigrantes em pleno gozo nas suas "vacanças". Vai jogando mentalmente à "Batalha Naval". Os seus submarinos acabam de "ir BEM fundo"... aos nossos bolsos... nada que o preocupe. 

Ou seja, no que toca à política, nada se passa. O regresso à realidade (e que dura ela vai ser…) aguarda a chegada de Setembro.


Atrás de mim avisto, ao longe, as luzes da vila turística mais próxima debruçada sobre o Atlântico.



À minha esquerda estende-se o mar e a escuridão de uma noite ainda sem luar.
O único som, enfraquecido pela distância, é o das ondas fracas de uma maré quase a atingir o máximo da baixa-mar, lá na praia, a pique, a cerca de 70 metros.
É uma sensação de vertigem a que se sente naquela varanda: como que nos transporta num imaginário balão, suspenso sobre o mar.






À minha frente, as luzes da piscina, agora deserta, quebram o negrume da noite combinando o azul escuro e o branco, com o amarelo reflectindo-se nas paredes.



01:15
Novo dia.

Arrumo o jornal.
Pego no copo já vazio, há muito.

Fecho a luz da varanda e entro no quarto.
A cama aguarda-me e eu estou pronto para descansar, desejando que sonhos com cheiro a papel de jornal não venham causar insónias.
Tenho de estar em boa forma porque daqui a meia dúzia de horas o sol reaparecerá e o trabalhar para o bronze dá cá um desgaste…
Ou seja, aqui, como no Algarve, também não se passa nada, a não ser os meus impostos sempre em movimento.

BOA NOITE