quinta-feira, 28 de abril de 2011

(40) 1973 / 2011 - MEMÓRIAS DE UM BANCÁRIO/”MODELO PUBLICITÁRIO”

PREÂMBULO


Esta “evocação” surge na sequência de vários telefonemas de amigos que na passada semana me informaram – estava eu fora de Lisboa em local longe da civilização - que uma foto minha fora publicada na pág. 13 do Diário de Notícias, na edição de Domingo de Páscoa.

Antes porém, tenho de fazer duas referências ao texto publicado pela jornalista MARIA DE LURDES VALE que cumprimento, sendo a primeira para informar que o Balcão da Estrela tinha sido inaugurado, pelo menos em 1966. Assim, não “dei a cara” por um novo balcão, pois aquele já existia pelo menos há oito anos. A propósito da minha cara e segue como prometi a segunda referência ao seu artigo, para deixar expresso o meu agradecimento pelo simpático adjectivo com que me premiou mas que me desperta alguma melancolia, passados que são 37 anos desde que fui alvo da objectiva do fotógrafo. E ele era muito artista e certamente já utilizava o “photoshop”.
Já de seguida a digitalização do artigo em questão


(D.N. 24/4/2011)



Creio que em meados de 1973 o Banco Borges & Irmão lançou uma campanha publicitária tendo como alvo os seus balcões abertos ao público.
Como título, a frase forte para despertar a atenção era: BOM DIA… (…nome do Balcão)!
Um fotógrafo e um entrevistador percorreram as dependências do Banco, recolhendo imagens do Gerente de cada uma delas ou nalguns casos uma foto da totalidade do correspondente quadro de pessoal.
A entrevista efectuada ao Gerente do Balcão tinha como objectivo saber qual o seu principal “hobby”.
Aquele item iniciava a apresentação escrita no anúncio talvez para assegurar que o referido profissional era mesmo uma pessoa normal e que um qualquer cliente poderia nele encontrar a sua alma gémea.
De seguida, o texto entrava no âmbito profissional do responsável do Balcão, realçando a sua total disponibilidade e aptidões para o bom desempenho da actividade, culminando na promessa de ele encontrar a solução para qualquer problema que lhe fosse apresentado.
Depois era encenada uma foto, de frente, do dito responsável em pleno ato de conversar/negociar com um “cliente” que se sentava estrategicamente de costas para a objectiva. No lugar do “cliente” era colocado um colega trabalhador no Balcão.
Finalmente, o processo terminava com uma outra foto que serviria de fundo ao anúncio (de página inteira!) e que mostrava o responsável bancário em pleno gozo da sua preferida actividade particular com a qual seria suposto preencher as (poucas) horas vagas.
Tenho a lembrança, de entre outros, de dois colegas que “posaram”: um a admirar a sua coleção de moedas (numismática era a sua paixão) outro de taco da mão debruçando-se compenetrado sobre uma mesa de bilhar.
Recordo uma que mostrava apenas o exterior do Balcão antigo na “Estefânia” e outra cujo tema era a foto de toda a equipa que na altura trabalhava em “Benfica”.
O subscritor destas memórias aparecia de fatinho completo com colete, no “decor” do Jardim da Estrela, máquina de filmar em punho fingindo estar a utilizá-la e o anúncio foi publicado ao longo de Abril de 1974, sendo o último no semanário Expresso, mesmo em cima do dia 25.
Todos os anúncios foram publicados em tudo quanto era jornais diários (“Diário de Notícias”, “O Século”, “O Diário Popular” propriedade do BBI, o “Diário de Lisboa”, a República”, etc.), semanários (“Expresso”), revistas (lembram-se de “A Plateia” “O Século Ilustrado”, “A Flama”? e até nas “Selecções do Readers Digest”.
Em termos pessoais foram várias as reacções de que fui alvo por via daquela minha passagem pela área da “publicidade” à qual aderi de livre vontade. Ou seja, a “exposição” teve o seu preço.
Assim, fui alvo de inúmeros telefonemas de incógnitos(as) que propositadamente levavam ao exagero e em sentido demasiado lato o anúncio das minhas possibilidades. Gozando com a situação (comigo!) pretendiam que eu lhes resolvesse toda a espécie de problemas que diziam afligi-los(as) não aceitando uma negativa face ao prometido na publicidade. Ainda através de telefonemas anónimos do interior do próprio Banco e a seguir ao 25 de Abril tentaram, sem êxito, incomodar-me chamando-me de “lacaio do capital” por ter aderido de livre vontade à iniciativa em questão.


Nem um dos telefonemas foi feito de particular e todos os valentes “caixas de ressonância” recebiam o ordenado do mesmo patrão que pagava o meu.
Eu poderia ter-me negado à tarefa pois a negativa até teria sido aceite pois um dos meus colegas, a seu pedido, não foi fotografado e o Balcão respectivo foi retratado pelo exterior.
Mas o que é que queriam? Eu na altura era um vaidoso - a jornalista do DN no artigo referido no início deste escrito é certamente a última das minhas admiradoras – e portanto não perderia fosse porque razão, a oportunidade de divulgar o meu perfil por todo o Portugal e arredores.
A equipa que me fotografou posteriormente ofereceu-me dois “posters” que emoldurei, para recordar o “espetáculo” da interminável sessão fotográfica, a meio da manhã de um dia de sol, no Jardim da Estrela fingindo de cineasta com os “mirones” do costume à nossa volta.

NOTA: Não recebi qualquer “cachet”. Se fosse agora… exigia um superior ao da Merche!!!

PS: O D.N. também não me pagou e nem me pediu autorização. Terão pensado que eu já não andava por cá, tão “estressante” é a vida de Gerente bancário e tão pouco o seu tempo disponível para os “hobbies” !

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