ALUGANDO A “VIATURA”
OS PNEUS NÃO SÃO ABRANGIDOS PELO SEGURO DE ALUGUER DE VIATURAS
AVENTURAS EM HAVANA (Abril 1999)
Nota: Os vídeos publicados, bem como as fotos deles retiradas, apresentam imagens de má qualidade pelo facto de se tratar de terceiras cópias e ainda pelos originais, passados para cassetes VHS (ainda não filmados em suporte digital), já acusarem mais de 12 anos de "idade" .
Fomos atendidos, pouco tempo depois, por um sujeito com bom aspecto. Estatura média, pela sua tez escura e formato de rosto pareceu-me ser de origem indiana. Vestia camisa branca, gravata, colete, calça e sapatos pretos.
Cumprimentou-me não dando pela presença do “guia”. Já tinha reparado, no Hotel onde estava alojado e sempre que entrava com o "guia" nalgum estabelecimento que ele não era bem aceite. Falavam-lhe "por cima da burra" olhando para mim e para a Manuela. Ainda me lembro do "caso" da farmácia para turistas. Talvez um dia conte...
O funcionário, deve ter concluído que eu não entendia o espanhol da ilha, e preferindo ignorar a minha vontade, dirigiu-se-me num Inglês/castelhano/caribeño. Respondi-lhe no meu melhor Inglês (tenho uma certa vaidade na minha pronuncia) e devolvi a palavra ao meu “amigo”. Finalmente o senhor importante viu-se obrigado a dialogar com o guia promovido a meu “secretário”. Eu fiquei calma e atentamente à escuta.
Depois de demorado diálogo e após o meu consentimento, ficou estabelecido o preço do aluguer por um dia (não o de 24 horas…) com a tal manhã seguinte “à borla”, vitória alcançada pelo meu “assessor” que assim concretizava a sua promessa de me poupar umas massas.
Porém, antes de assinar o contrato vi-me obrigado a interpelar o “vendedor” acerca de algo que me parecera ouvir e que não me soara lá muito bem, Qualquer coisa acerca de uma alínea “especial” inserida nas condições gerais da apólice de seguro e que impedia à cobertura total da viatura.
E eu entendera bem, pois confirmou que o seguro do veículo não abrangia os pneus!!! Surpresa, pois para mim os pneus faziam parte integrante do veículo.
Mas não! Aliás até se apressou a aconselhar que eu recolhesse o carro numa garagem para “pernoitar”, pois deixá-lo ao relento seria habilitar-me a vê-lo na manhã seguinte em cima de cepos ou nem isso... Ladrões?
Achei estranho.
Nos dois dias que levava em Havana “La Vieja”nunca me sentira inseguro. Pelo contrário era palpável a sensação de segurança. Aliás, cada esquina… um polícia. Normalmente em conversa com umas señoritas em poses bem “explicitas”, de todos os géneros e feitios sem faltarem as incontornáveis gorditas com apertadíssimos calções de Lycra vermelha ou amarela e decotes mais que generosos.
O semblante dos agentes da autoridade em permanente diálogo com as señoritas variava entre o carrancudo mais ou menos agressivo e a sonora gargalhada.
(esta señorita" espreitava os movimentos de turistas na porta da Bodegita)
Voltando aos pneus. A explicação era simples! Na Ilha não existiam pneus de reserva! Os “neumáticos” importados são prioritariamente destinados aos carros do Governo, aos do Exército e para as delegações de Estados estrangeiros. ~
Naquela altura eu devia ter desconfiado. Mas o senhor do aluguer apressou-se a dizer que o carro que eu levaria no dia seguinte logo pela manhã estava (tinha sido) calçado há pouco, até tinha pneu sobressalente e eram todos eles praticamente novos.
Bem! O melhor é não pensar mais. Vamos lá pagar a conta!
Não aceitavam cartões que tivessem em destaque a palavra América, como os da American Express ou do Banco da América. Estranhamente, aceitavam em todo o lado notas de dólar que constatei ser a “moeda corrente” em toda a Ilha. Não vi uma única moeda cubana.
Entreguei o VISA que, esfregado manualmente na máquina, lá foi debitado pelo valor do aluguer e do seguro.
Para terminar e para podermos confirmar o “bom” estado dos pneus levou-nos até junto da viatura estacionada numa viela frente ao Hotel.
Era um pequeno SUBARU VIVIO Gli vermelho.
(Anomalias? Ah!!!)
Fiquei "um pouco" surpreso. Verdade que eu avisara o meu amigo que não estava muito (nada!) disposto a gastar uma fortuna com o aluguer. Nada de carros de gama alta! Alto sou eu!!!
Claro que, quando paguei e ouvi que ia alugar um Subaru fiquei surpreendido pela conta cujo valor achei razoável, dentro das expectativas e sem abalo para o meu orçamento. Claro que não estava à espera de um Impreza. Eu nem sabia da existência do modelo VIVIO... Mas... "aquilo"? Na traseira, um buraco no local onde estivera em tempos longínquos a fechadura da porta da bagageira. A pintura já vira melhores dias. Um ou outro buraco, poiso inicial de acessórios entretanto “desaparecidos” e umas pequenas manchas, que denunciavam que a ferrugem iniciara há muito a sua corrosiva missão, completavam a decoração. Que saudade do meu Twingo com tejadilho de abrir…
Bem... mas já era tarde e eu não tinha disposição para ir aturar o sujeito de fato preto. Não era aventura que nós queríamos?
"Conferi" os pneus. O rasto e as paredes laterais, aparentavam bom estado - incluindo o sobressalente – de acordo com o que nos tinha sido dito pelo funcionário da Agência do qual entretanto nos despedimos.
Eu segui a pé até ao Hotel Plaza, ao encontro de minha mulher.
(Hotel Plaza)
O nosso esperto guia foi para sua casa, com a promessa de nos encontrarmos na manhã seguinte, de novo junto ao Hotel Ambos Mundos, para tomarmos posse do meio de transporte e iniciarmos uma tranquila passeata pelos arredores da bela Havana!
Quando eu e minha mulher tivemos a ideia de ir a Cuba (já todo o mundo lá foi, porque não nós também?) prometemos que iríamos à aventura.
Apenas marcámos os Hotéis (alojamento e pequeno almoço) e tentaríamos meter o nariz onde o turista “vulgar” não fareja. Conseguimos. Nem nos passou pela cabeça as notícias frequentes sobre turistas assaltados, roubados ou alvo de outras situações bem graves algumas com resultados fatídicos.
Queríamos gozar a estadia o mais possível e fugir à rotina das viagens programadas. Estávamos bem dispostos, com saúde, vontade de viver e casados (de papel passado!) há oito dias.
Que se lixe!!! Morra quem se negue!
A seguir:
PARTE I I I – O Primeiro furo (a 150Kms de Havana, perto de Soroa)
Com um modelo VI-Viu só pode significar:vi a antena,pois viu mas já não vê.As marcas japonesas não enganam.
ResponderEliminarJorge Lobato
Estou verdadeiramente a gostar, mas terás que me tirar esta dúvida:individuo de "tez escura....indiano... vestido assim e assado etc etc, não poderias substitui-lo por uma qualquer garota e sem tanta roupa? É o que se me oferece para já criticar, mas deves compreender que nós, os leitores machos (Como eu fui) apreciamos descrições que nos ajudem a pensar em coisas boas. Agora admite-se lá que Cuba não tenha cubanas?
ResponderEliminarAbraços
Veríssimo