O
João Pedro, um dos filhos da mulher que, qual mãe, tratou do Berrinhos, pediu a
publicação, de uma mensagem de homenagem que, afinal, prestou não só ao nosso querido
bichano falecido, mas também à sua própria mãe.
O
texto já se encontra no “Post” do Blogue do bichano,
com o título “O ULTIMO POST – ADEUS BERRINHOS”.
Pedindo
que o JP me perdoe a liberdade, não posso deixar de reproduzir, neste meu Blogue,as suas
palavras escritas.
E para ele, João Pedro, endereço-lhe acompanhando o seu escrito, duas imagens:
Uma
foto,
e um pequeníssimo vídeo
(link no texto em bichinho ), registos que
agora retirei de um filme gravado em VHS.
Certamente que se lembrará da data: 27 de
Março de 1999.
E aqui fica, com a minha amizade e todo o respeito, o seu texto:
“… coisas que são (achamos nós) o epicentro da nossa vida até
sermos confrontados com aquilo que considero ser o mais importante: o fim
derradeiro. Seja nosso, de amigos, de família, ou de um bichinho que nos
acompanhou a todos durante uma boa parte da nossa vida…
Emocionalmente,
por ser um piegas por me apegar tanto às pessoas, aos bichinhos e até às
coisas, chorei muito quando a SOFIA (mãe da minha Gaby e Samu) “partiu” (chorei
compulsivamente noite fora, na altura, com a Gabriela ao colo), e passado tanto
tempo, no silêncio da noite (já com as bebés a dormir), vejo este “post” que
não chamo de “sentido” mas de puro “amor” e não me contive…
Chorei,
fortemente e de forma muito sentida pelo bichinho que, apesar de nunca ter
gostado de mim, mesmo com as dentadas que me deu na cara, garganta, pernas e de
ter de ir para a escola, em dias de calor, de mangas compridas com vergonha das
arranhadelas que tinha que nos braços…
Aquela
vez em que espetou a unha na minha garganta mas que a mãe tirou… as vezes que
me levantava a pata quando nos cruzávamos no corredor…
Mas
o que me deixa maior dor, agradecimento, seja um gatinho (mais que a uma
pessoa), foi algo que nunca lhe vou poder retribuir e só nós sabemos…
Em
2007, quando eu estava na cama, em paragem cardio-respiratoria, sozinho, e
vocês chegaram a casa, o Berrinhos foi chamar a mãe à cozinha e a levou até mim.
Foi quando a mãe viu o estado em que eu estava…Passadas 24h, o médico disse que,
5 minutos depois, não teria sobrevivido, pois estava em paragem cardíaca…
Durante
anos brincámos em como o Berrinhos me tinha salvo a vida.
Talvez sim, talvez
não.
Para nós, que estivemos lá e já passámos por muito mais, EU sei que sim!
Disse-lhe: “vai chamar a dona”, com as dores que só eu sei tive no peito (e
mais tarde novamente no hospital), e foi mesmo, qual cão, qual bichinho mais
treinado…
Acompanhei
com carinho os “posts” do Blog que orgulhosamente “subscreveu” nos último
meses…
E
por fim, apenas consegui dizer que, utilizando as palavras que o Cândido usou
durante anos… “saiu-lhe a Sorte Grande”.
Só pelos donos que o acolherem e que o
trataram.
Se todos os animais tivessem a casa, instalações, amor e tratamento
que o Berrinhos teve, a esperança média de vida dos gatos aumentava
significativamente…
Hoje
só me ocorreu “se viveu tantos anos, foi apenas e só fruto do amor e carinho
que teve sempre na “sua” casa…”. Não tenho dúvidas.
Termino
este e-mail com as lágrimas a correrem-me pela cara, com um amor genuíno que
partilho neste momento, passado aquilo (secundário) que me ocupa todos os dias
e noites na cabeça – trabalho – e que na verdade um dia sabemos que é
secundário.
O
que precisarem…
Liguem-me.
Um
beijinho de muito amor e respeito por tudo o que deram a este bichinho e viveu
e partiu feliz. E a quem (continuo a acreditar) devo a vida…
P.S.
– A Foto dele a repousar na vossa cama com os “manos” à volta é aquela que vou
guardar dele. Como o “Pai” Berrinhos” que foi o primeiro nessa casa, que
recebeu a Maria com desconfiança, mas que depois foi sempre o “anfitrião” dessa
gataria toda…
Força…”
JOÃO PEDRO CAMACHO
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