OS PRIMÓRDIOS...
Sou da época do fotógrafo “à la minuta”.
No Terreiro do Paço, perto do local onde nasci, “estacionavam” em permanência, 3 ou 4 artistas da fotografia. A preto e branco.
“Magalas”e “marujos” com as suas namoradas, noivos, pais com as criancinhas, jovens e velhotes, posavam para a foto, com o D. José em fundo, garboso no seu cavalo - o tal que tem direita a perna esquerda…
Outros locais eram poiso habitual dos fotógrafos: junto aos monumentos que se espalham por Lisboa, nas praças, Rossio e Restauradores, em todos os jardins (incluindo o Zoológico) e ainda nas praias, principalmente as da “linha”.
A “máquina” era uma caixa quase quadrada com aproximadamente 50 centímetros de lado empoleirada num tripé. Na parte da frente um fole que corria numa calha, terminava na objectiva coberta por uma tampa metálica.
Na parte posterior estava colocado um pano negro com a forma de uma manga larga.
Em exposição, nas paredes laterais do “caixote” eram dadas a conhecer anteriores obras captadas pelo “artista”cuja qualidade, em sua opinião, lhes concedia mérito para estarem expostas ao público. Publicidade…

Quando passeava pelo Terreiro do Paço, acompanhado por meus pais, ficava longos minutos a observar todos os movimentos do fotógrafo, enquanto ele focava a máquina com a cabeça enfiada na caixa, através da manga negra.
Depois, o… “ólhó passarinho”, “não se mexam”…, “sorriam”, enquanto agitava um boneco para chamar a atenção dos mais novos.
Finalmente retirava a tampa da objectiva, mantinha-a afastada por breves segundos, recolocava-a e a foto estava “tirada”. A partir daquele momento processava o trabalho de “laboratório”. A “câmara escura” ali mesmo à mão, no interior da caixa e o líquido revelador dentro de uma garrafa a ser despejado num recipiente naquele espaço exíguo.
Depois de revelada a foto era lavada em água dentro de um balde e aguardava a secar, presa por uma mola para roupa, pendurada numa corda esticada entre as pernas do tripé.
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