Após vários contactos soube que afinal não passara de um boato. Provável confusão entre nomes.
Anteontem atendi um telefonema de um comum amigo. Desta vez a notícia era verdadeira. Ele falecera. Vítima de cancro.
Se fosse um “famoso”, “vip” ou figura pública digna de parangonas, dir-se-ia que falecera de doença prolongada. Lamentavelmente não sei se foi muito ou pouco prolongada. Só me disseram que ele morrera.
Eu estava a trezentos quilómetros de Lisboa, com o regresso marcado para a manhã em que se iria efectuar o seu funeral. Compromissos não permitiriam estar presente na cerimónia.
Trabalhámos, em dois balcões do Banco. No Cais do Sodré e na Av. Columbano Bordalo Pinheiro. Ele como promotor comercial fez parte do quadro de pessoal daquelas duas Dependências bancárias onde “estive” Gerente.
Em linha recta, as nossas moradas distariam pouco mais de quinhentos metros.
Inúmeras vezes fizemos juntos o percurso casa/trabalho e vice-versa de carro ou de comboio. Confraternizámos em inúmeras reuniões familiares.
Morando perto do Casino Estoril, algumas vezes tentámos a sorte nas “slots”. Partilhámos segredos e paródias em saídas nocturnas, quer sós, quer com outros amigos.
Acompanhei o percurso escolar e académico de sua filha, estudiosa e inteligente que, rapidamente e sem uma perda alcançou a meta que sempre ambicionara: ser Juíza.
Fomos igualmente confidentes de toda a sorte de questões particulares. Estive presente enquanto aguardou, já com idade madura, preocupada e ansiosamente o nascimento do seu segundo filho: o Francisco.
Estupidamente e sem que possa, neste momento, lembrar e portanto entender da razão e do porquê, as nossas vidas desencontraram-se. Abruptamente as nossas relações terminaram. O diálogo que tanto prezámos transformou-se subitamente num silêncio incompreensível e inexplicável.
Irracionalmente deitámos para o lixo anos e anos de amizade que se poderia classificar como a de irmão para outro irmão.
Partiste sem que eu te tenha prestado a singela homenagem de estar presente na tua partida.
Aguarda, Fernando Santos, um dia destes estarei contigo e então abraçar-te-ei de novo. Iremos recordar a nossa amizade e esqueceremos todo o tempo em que egoisticamente nos ignorámos.
(Algarve - Rally Paper BIBIO's)
CÂNDIDO NEVES
Subscrevo,com pesar,as tuas palavras porque perdemos mais um colega e amigo.Curvo-me à sua memória.
ResponderEliminarJorge Lobato
Ainda que tardiamente (só agora estou a tomar conhecimento) junto-me emocionado no pesar e no sentir tão bem descrito pelo Neves. Também me curvo à memória de "mais um" colega e amigo que partiu. Até um dia, amigo.
ResponderEliminarRocha de Almeida
Os dias passam, as coisas da vida acontecem, umas banais, outras bem diferentes. A partida de alguém que viveu ao nosso lado, como colega de trabalho e, além disso, sendo muito amigo, traz-nos obviamente momentos dolorosos. É o que aqui se lê e se sente. Não estive próximo, no trabalho, não privei com o Fernando sentimentos de amizade profunda. Era um colega com uma grande entrega, uma vivacidade permanente, o gosto pela polémica sem disfarces, um grande gosto pela vida, com quem era agradável estar, mesmo que por pouco tempo. Fica-me essa boa memória e, embora partir seja um fado igual para todos, que causa sempre tristeza, o sorriso do Fernando é o que mais recordo. E talvez ele esteja a sorrir, lá onde estiver. Oxalá!
ResponderEliminarManuel Sá