sábado, 14 de janeiro de 2017

(74) A Propósito do encerramento do "ELEFANTE BRANCO"


RIP
ELEFANTE BRANCO

Local onde os meninos maus…
…de famílias boas…
… se encontravam com meninas … boas…
…, de famílias más (!?)”.

Recordei aquela definição, que em tempos ouvi de um humorista brasileiro, logo que tive conhecimento, pela comunicação social, redes sociais, newsletters, etc., do encerramento do Elefante Branco.

Não que os frequentadores do ”TROMBINHAS”  como era conhecido em linguagem secreta – fossem só “meninos”… e maus!
Não!!! A maioria dos frequentadores eram empresários grisalhos, homens com carteira recheada e dispostos a passaram uma noite em gloriosa festança. Muitos deles, visitantes ocasionais - de férias ou em “negócios” - jamais passariam por Lisboa sem “marcar o ponto”. Quando regressavam às suas terras, o “Elefante” seria o assunto que durante semanas os tornariam figuras principais em reuniões (só para homens!!!) em que os amigos ouviam em silêncio respeitoso as extraordinárias noites passadas no “Trombinhas”.
Não se recordando, ficaria por contar a “sorte” de ter partilhado a alegria de todas as meninas que o “entretinham” na mesa, que também por coincidência, “faziam anos” naquela magnifica noite.
Sentindo a felicidade das (várias) aniversariantes ele mandaria vir mais uma garrafa de Champagne”, por cada um dos “Parabéns a Você” -(…nesta data querida…)” enquanto elas, nos intervalos dos “beijinhos” agradecidos, disfarçadamente bebiam água tónica por flutes,!

Claro que alguns “Meninos” também frequentavam a “casa”. Mas a maioria, altruísta, só surgia após o encerramento, madrugada alta, com suas viaturas desportivas. Surgiam …e arrancavam. Com os pneus a fumegar, “recolhiam” as meninas, fazendo o favor de lhes dar boleia. Elas, simpaticamente, retribuíam aquele gesto de cortesia, enchendo-lhes os depósitos dos Porsche, dos BM e doutras viaturas de gama alta.
Enfim, mais um estabelecimento a fechar portas para desgosto de todos os “profissionais” noctívagos lisboetas que obrigatoriamente, pelo menos uma vez por semana, tinham de visitar o “Elefante Branco”, híper-famoso pelo ambiente elegante e requintado onde se encontrariam as mais belas moçoilas, sem paralelo nos seus variadíssimos concorrentes, como. “A Cave”, o “Hipopótamo”, o “Tamila”, a “Cova da Onça”, o ”Night & Day”, etc..

Para finalizar aqui fica um dos momentos que naquele “espaço” presenciei.

Numa mesa, um sujeito bem vestido, frente a uma garrafa de whisky 20 anos, tinha a companhia de três meninas que bebiam um líquido transparente, em copo alto, cheio de pedras de gelo.
Subitamente surgindo do “lusco-fusco” da sala, um dos presentes dirige-se à mesa do alegre folgazão. Parou, olhou para a mesa, virou-se para os fundos da sala, e com voz alta (deu para todo o mundo ouvir!) chama, pelo nome, um dos responsáveis da “casa” e de imediato pergunta se ele tem a certeza de vir a receber o valor da despesa da mesa, que aponta. Justifica a sua pergunta por saber que o gastador estar inibido do uso de cheques, como também tinha deixado protestar uma livrança.
Deve ter sido uma das raríssimas vezes que aquela sala foi tomada por um silêncio sepulcral.
Quem largou “a bomba” - que resultou na liquidação da dívida (livrança) no primeiro dia útil seguinte - foi um gerente bancário conhecido por não perder uma oportunidade… quando ela se lhe oferecia.

BOA TARDE

PS : Fui… e sou… desde sempre, cliente de outro “Elefante”: O “Azul”!



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