FLAGRANTES DA VIDA REAL 8 de 9
O MÊS DE DEZEMBRO NÃO QUER NADA COMIGO!
DEZEMBRO 1989
O MÊS DE DEZEMBRO NÃO QUER NADA COMIGO!
DEZEMBRO 1989

Saí do Banco totalmente exausto.
Dia de trabalho infernal a pedir um pouco de relax pós laboral.
Praça da Av. dos Estados Unidos da América.
Paro no passeio, respirando o ar frio daquele fim de tarde de Inverno.
Entrei no carro (um Renault 9 GT) e imediatamente me arrependi.
Àquela hora, o trânsito infernal fazia adivinhar a continuidade do “stress” ao vencer a distância que me separava de casa, no Estoril.
Desisti e fazendo meia-volta e dirigi-me ao cinema Quarteto (que já foi à vida!) ali mesmo ao lado.
Estacionei em frente à entrada do edifício.
Não me lembro qual o filme a que assisti. Varreu-se-me de imediato quando, depois da sessão entro no carro e no local onde devia permanecer o auto-rádio, apenas um buraco vazio com uns fios de várias cores pendurados até ao chão. O amplificador instalado no porta-luvas escapou.
Lá me dirigi à esquadra do Campo Grande para participar o furto. O simpático e arguto agente que passou ao papel a minha declaração informou-me (?!) que “… certamente amanhã já deve estar à venda na Pontinha …”.
Não se ofereceram para darem lá um pulinho. Assim, fiquei sem confirmar a suspeita certamente bem fundada.
O rádio nunca mais apareceu*.
Lá passei o Natal sem o "Jingle Bells" e o "Silent Night"...
* Aquele rádio estava destinado a não acabar na minha posse pois meses antes (não no Natal!) já tinha sido roubado quando, por momentos, esteve estacionado numa localidade da linha de Cascais.
Ainda não tinham passado 48 horas e já recuperara o rádio, encontrado num receptador com loja aberta ali perto do início da Av. 5 de Outubro que, depois de me ter pedido um valor superior àquele que me tinha custado acabou por “não cobrar” nada. Mostrara-se céptico sobre o furto afirmando não ser possível pois quem lho vendera pois era pessoa com meios, rica (pudera!) que não precisava de recorrer ao “crime”.
Claro que só podia ser rico. Não trabalhava por conta de outrem… e abastecia o seu negócio “comprando” sem falar com o dono.
Com “tola” ou sem ela qualquer pretexto serve para um bom convívio onde as delícias da degustação são, claramente, ultrapassadas pela presença de amigos, dos verdadeiros, como tu dizes “de peito”.
ResponderEliminarFoi um estupendo dia, como já tinha sido o anterior, como serão os futuros, porque as comezainas, que são importantes, não ofuscam o prazer de estar com os amigos e como já temos uns aninhos (poucos), somos como o vinho do porto:”quanto mais velho melhor”
Venham mais “tolas”.
Um abraço do peito.
Jorge Lobato